sexta-feira, julho 20, 2007

AS ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS: A EXIGÊNCIA DE UM NOVO PARADIGMA

As Alterações Climáticas, longe de constituírem apenas mais um problema ambiental, são uma verdadeira ameaça à Civilização Humana (Ver também conclusões, pág. 25 e 26, deste "paper" publicado na Academia Real das Ciências Britânica).
Isto significa um cenário em que a democracia, a paz, a qualidade de vida, o bem estar económico, a esperança de vida e a própria sobrevivência estarão ameaçados num horizonte temporal não muito longínquo se não se alterar radicalmente a forma como produzimos, consumimos e convivemos à escala do planeta.

As Alterações Climáticas são, em parte, o resultado de um modelo de “desenvolvimento” acelerado. A obsessão pelo crescimento desenvolveu uma infra-estrutura energética que é responsável pela aceleração do tempo: estamos a provocar desequilíbrios com um potencial de destruição catastrófico e irreversível à escala do tempo da Civilização.

Torna-se portanto necessário desacelerar, inverter o rumo em direcção ao abismo.

A luta contra as Alterações Climáticas só será eficaz se tivermos uma perspectiva ética que envolva toda a Humanidade (quer à escala micro da nossa vida quotidiana quer à macro escala das relações entre nações), porque nunca como agora a Humanidade esteve tão interdependente (Ver "Um só Mundo - A Ética da Globalização"). E desta vez, pelo menos, não se trata de um lugar-comum afirmá-lo.

As Alterações Climáticas exigem uma nova, ou renovada, forma de pensar em várias áreas da política.

A obsessão com a competitividade tem que dar lugar à cooperação: a partilha de recursos, tecnologias, culturas, é essencial sob pena de cairmos numa situação do tipo “Tragédia dos Comuns”: o egoísmo e a falta de confiança mútua entre os povos leva ao desastre. Há uma necessidade absoluta de se desenvolver um verdadeiro internacionalismo, de considerar o Planeta como a nossa Pátria, a nossa bandeira!
É preciso combater a ideia de que o terrorismo internacional é a principal ameaça que o mundo ocidental enfrenta (ver "As ameaças do mundo actual") . As despesas militares deverão ser reorientadas para a cooperação internacional, para a investigação científica em novas energias, etc. porque o “novo inimigo” não tem rosto e não pode ser combatido com armas.

Mas a ideia fundamental é que o ritmo de vida tem que desacelerar. No processo da chamada “criação de riqueza” estamos na realidade a destruir a base que nos sustenta, o capital natural (Ler este pequeno e interessante artigo sobre os serviços que a natureza nos presta). Infelizmente, ainda não começámos a inverter esta tendência. Pelo contrário, essa tendência parece agravar-se. Uma forma de desacelerar este processo, é reverter a globalização económica.

Instilar o medo, seja do terrorismo, seja da perda de protecção na saúde, de perda de protecção na reforma, de termos de trabalhar mais, da precariedade do trabalho, etc. tudo isso conduz a um sentimento de insegurança perante o qual o problema das Alterações Climáticas parece insignificante e longínquo. Isto só contribuirá para o seu agravamento e antecipação.
A Humanidade já tem os meios para proporcionar uma vida decente a todos os cidadãos do planeta, e é necessário que se diga isto às pessoas (Ver "Os Limites do Crescimento"). Mas estes meios têm que ser partilhados e utilizados com ponderação, sob pena de se esgotarem rapidamente, como é o caso dos combustíveis fósseis. É necessário estarmos atentos aos "Sinais Vitais" do nosso planeta.
Se uns gastarem desenfreadamente (por ex., os EUA), os outros (por ex., a China) não se convencerão da necessidade de contenção (Ler "Protocolo de Esgotamento do Petróleo") . Em último caso, o conflito armado pode ser o resultado, trágico para todos. E muitos parecem ter esquecido como foi trágica a primeira metade do Séc. XX. A paz e a democracia não são um dado adquirido, no Mundo e na Europa. As teorias do fim da história são absurdas.

A partilha significa mais transportes públicos e menos automóveis, mais bibliotecas, mais espaços públicos de convivência e menos centros comerciais, em suma, mais e melhores serviços públicos. Significa produzir menos desperdício. Dificilmente será compatível com a privatização de largos sectores estratégicos, em que as lógicas de produção e investimento pouco têm a ver com as necessidades reais e com a tal partilha. Trata-se de um problema prático, mais até do que puramente ideológico. Segundo o "Relatório Stern", as alterações climáticas são a maior "falha de mercado" jamais vista. É preciso tirar as devidas ilações desta afirmação. Se o mercado não funcionou, como é possível continuar a defender privatizações sem critério (ou quando este é apenas financeiro, de finanças públicas), sobretudo nos sectores estratégicos.
A motivação de uma GALP privatizada é ter o maior lucro possível, o que a retira de uma lógica global, que é a pública, de redução e equidade do consumo.
A publicidade é uma área que precisa de forte regulamentação e limitação. Os estilos de vida que difunde e estimula, o contínuo apelo ao consumismo individualista. é tudo menos o indicado para ajudar a combater as Alterações Climáticas e a degradação ambiental em geral.
Existe um falso consenso sobre o problema das Alterações Climáticas. Estas, por ignorância ou incúria (ver aqui e aqui, a propósito das inundações deste Verão em Inglaterra; o ordenamento do território é um dos pontos salientados) não são levadas de forma suficientemente séria, pela simples razão de que não se traduzem em políticas públicas de fundo e coerentes entre si.
As empresas, em geral, incluindo as públicas (veja-se o caso da Carris com a sua campanha sobre “Sustentabilidade”), parecem encarar a coisa como uma moda, utilizando-a e referindo-se-lhe como algo que fica bem e parece moderno, não passando as medidas que tomam da mera superficialidade. Meras operações de “marketing”, num quadro de “business-as-usual”.É o que se chama de “Greenwashing”, o equivalente verde do branqueamento. Não basta a Carris dizer que é sustentável, são necessárias políticas de transporte coerentes com objectivos temporais para transferir pessoas do transporte particular para o colectivo.


A ideia, difundida nos concertos “Live Earth”, de que é possível combater as Alterações Climáticas sem dor, sem alterar nada de fundamental, é perniciosa. O problema é que se acumularam demasiados erros. Mas não fazer nada é ainda pior. No entanto, uma vez que a mudança seja aceite, muitas das alterações necessárias poderão implicar até uma melhoria da qualidade de vida.
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quarta-feira, julho 18, 2007

Sobre a Política


"Não há pior analfabeto que o analfabeto político. Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos. O analfabeto político é tão burro que se orgulha de o ser e, de peito feito, diz que detesta a política. Não sabe, o imbecil, que da sua ignorância política é que nasce a prostituta, o menor abandonado, e o pior de todos os bandidos que é o político vigarista, desonesto, o corrupto e lacaio dos exploradores do povo."

Bertolt Brecht (1898-1956)

Mais citações de Brecht aqui.
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sábado, julho 07, 2007

Al Gore/Avaaz/Live Earth Message - Português

O compromisso referido no vídeo. Subscreva-o e actue. Não me parece suficiente, mas já seria alguma coisa. Este tipo de acções, "Live Earth", levanta, no entanto críticas sérias. Por exemplo, neste artigo no jornal Guardian: "Why rock won't save the planet" (recomendo a leitura).
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sexta-feira, julho 06, 2007

quinta-feira, julho 05, 2007

terça-feira, julho 03, 2007

Privatização da REN: eis mais um exemplo de como se compromete o futuro!


O Jornal de Negócios "online" publica hoje um artigo de Jorge Vasconcelos, ex-presidente da ERSE intitulado "Se privatizar é a resposta, qual foi a pergunta?", sobre qual a lógica por detrás da privatização da REN. Resposta: a miopia financeira! Ou seja, a óptica é apenas fazer dinheiro agora para compor o défice, abdicando progressivamente do controlo de uma empresa estratégica para os interesses do país.
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sexta-feira, junho 29, 2007

Especialistas avisam que o perigo de cataclismo climático é bem real!

O jornal "The Independent", em artigo recente, chamava a atenção para a possibilidade da Terra poder estar em perigo eminente em virtude das Alterações Climáticas. Isto porque, segundo um artigo científico publicado por seis eminentes cientistas na "Philosophical Transactions of the Royal Society A" da Academia Real das Ciências do Reino Unido, a subida do nível das águas pode vir a ser de vários metros ainda este século. O estudo, liderado por James Hansen, director do Goddard Institute (NASA), critica o IPCC (organismo das Nações Unidas que avalia as Alterações Climáticas) por subestimar ("apenas" 40 cm durante este século) o potencial do degelo na Gronelândia e Antárctida:
pág. 25:
«The imminent peril is initiation of dynamical and thermodynamical processes on the West Antarctic and Greenland ice sheets that produce a situation out of humanity’s control, such that devastating sea-level rise will inevitably occur.
With GHGs continuing to increase, the planetary energy imbalance provides ample energy to melt ice corresponding to several metres of sea level per century (Hansen et al. 2005b).»
Diz ainda que dispomos de pouco tempo, para tomarmos medidas draconianas para redução das emissões de CO2 e outros gases com efeito de estufa:
pág. 26:
« The best chance for averting ice sheet disintegration seems to be intense simultaneous efforts to reduce both CO2 emissions and non-CO2 climate forcings. As mentioned above, there are multiple benefits from such actions. However,even with such actions, it is probable that the dangerous level of atmospheric GHGs will be passed, at least temporarily [...]»

As incertezas sobre este processo não nos devem iludir quanto ao caminho a seguir, até porque com os actuais e programados consumos energéticos à escala global (crescimento da China, Índia, etc.), não restam dúvidas, é apenas uma questão de tempo:

«Present knowledge does not permit accurate specification of the dangerous level of human-made GHGs. However, it is much lower than has commonly been assumed. If we have not already passed the dangerous level, the energy infrastructure in place ensures that we will pass it within several decades»
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James Hansen concerned IPCC ignores danger of ice sheet melt

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James Hansen talks about the urgency of the climate crisis

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terça-feira, junho 19, 2007

A escravatura ainda existe!

As condições de trabalho na China, em alguns sectores de mão de obra intensiva, assemelham-se muito aos tempos da revolução industrial inglesa do séc. XIX, retratados nos romances de Charles Dickens e por Charlie Chaplin no seu célebre filme Tempos Modernos . A escravatura não é um fenómeno do passado. Está hoje bem presente em várias partes do mundo.

Todos nós, enquanto consumidores, temos uma palavra a dizer. A organização China Labor Watch promove campanhas de responsabilização de empresas ocidentais a operar na China. Não se trata de impedir que invistam na China, mas que respeitem os mínimos de dignidade das pessoas, num país onde não há sindicatos e imprensa livres.

Esta e outras organizações denunciaram condições de trabalho terríveis em empresas subcontratadas por multinacionais ou marcas ocidentais, nomeadamente Puma, Adidas, Nike, Walt Disney, etc. O caso desta última envolveu a publicação de um relatório chamado "Em busca da consciência do Rato Mickey".

Para os mais cépticos, eis alguns exemplos das condições de trabalho escravas ou semi-escravas retiradas do livro "China e Índia" de Federico Rampini, publicado pela Presença na colecção Sociedade Global.

«"Em todas as secções trabalham rapazes entre os 14 e os 16 anos", dizem os testemunhos internos: uma exploração do trabalho infantil que, em teoria, colocou a China fora da lei. O dia de trabalho inicia-se às 7.30 e acaba às 21h, com duas pausas par a o almoço e para o jantar, mas, para além do horário oficial, as horas extraordinárias são obrigatórias. Nos meses de ponta, em Abril e Maio, em que a Timberland aumenta as encomendas, "o turno normal passa a ser das 7 às 23h , com um domingo de descanso de duas em duas semanas ; as horas extraordinárias obrigatórias também aumentam e os trabalhadores passam até 105 horas por semana no interior da fábrica".[...] O pagamento mensal é de 757 iuanes (76 euros), mas "44% são deduzidos para cobrir despesas de alimentação e de alojamento".
Alimentação e alojamento significam uma camarata em que se amontoam 16 trabalhadores[...].»
E para cúmulo do escândalo, o operário que confecciona, por exemplo, um par de sapatos "Timberland" de 150€, recebe apenas 50 cêntimos pelo seu trabalho. Viva a globalização! Não admira que a parte do trabalho no rendimento total esteja a diminuir!
Esta descrição é apenas uma pequena amostra.

Mas atenção, os activistas da China Labor Watch fazem sempre o seguinte apelo: "Esta não é uma campanha a favor do boicote dos produtos chineses. Não queremos levar as multinacionais americanas a anularem as suas compras. Os trabalhadores que nos revelaram estas notícias não podem permitir-se perder o seu emprego. É melhor serem explorados do que estarem desempregados. O seu pedido vai apenas no sentido de poderem ser tratados como seres humanos"


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sábado, junho 16, 2007

China e Índia

Estes dois colossos demográficos estão a transformar o panorama das relações de força politico-económicas à escala planetária. Representam contudo dois modelos de desenvolvimento diferentes. A China tem obtido êxitos económicos fulgurantes, usando de uma mão de ferro por via do seu regime autoritário e repressivo. O acumular de tensões é crescente e os riscos de descarrilamento pairam no horizonte. A Índia, por sua vez, tem obtido resultados notáveis tendo em conta a sua diversidade étnica, linguística, religiosa, e as desigualdades económicas, mantendo um regime democrático real, com eleições livres, imprensa livre, sindicatos fortes, uma evolução mais ou menos negociada. Ironicamente, o partido comunista indiano governa há décadas estados como Bengala Ocidental e Kerala, onde o progresso económico e social tem sido notável.
A liberdade indiana permitiu-lhe um extraordinário desenvolvimento e criatividade na chamada "economia do conhecimento". Dispõe de um ensino universitário de altíssimo nível em áreas científicas e tecnológicas. A sua dimensão demográfica e a juventude da sua população fazem dela um concorrente imbatível. Os desafios que estes dois países nos põem não têm respostas fáceis.
O mundo ocidental, e nomeadamente a sociedade portuguesa, faria bem em estar atento ao que se está a passar naquela parte do mundo, herdeira de civilizações ancestrais que voltam a reclamar o seu lugar na História. Trata-se de uma verdadeira Revolução e ninguém poderá ficar indiferente.
Vale a pena ler este livro de Federico Rampini , editado pela Presença, colecção Sociedade Global .
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quinta-feira, junho 14, 2007

Um Mundo sem Petróleo?

Continuamos irresponsavelmente, em Portugal e no Mundo, a gastar energia como se ela fosse inesgotável, e não um recurso precioso, escasso e não renovável. O petróleo é disso exemplo. E se ele acabar? Não acabar, em sentido absoluto, mas se escassear ao ponto de não suprir as necessidades das sociedades actuais. Estaremos preparados para isso? É duvidoso!
Esta notícia do Independent refere dúvidas de especialistas sobre a fiabilidade das reservas oficiais de petróleo. Ler mais...

sexta-feira, junho 08, 2007

Lisboa na rota dos furacões?

Peter Hoeppe, cientista chefe da resseguradora alemã Munich Re, afirma que Lisboa poderá vir a estar na rota dos furacões. Ler notícia aqui. O aquecimento dos oceanos poderá produzir furacões em zonas onde raramente ou nunca (desde que há memória) ocorrem. Os custos serão cada vez maiores, daí a preocupação deste tipo de companhias, cuja função é segurar as seguradoras.
Em relação a Lisboa, esta notícia não é assim tão estranha, já que em 2006 a Península Ibérica foi atingida por duas depressões tropicais (Gordon e Vince), resultantes do enfraquecimento de furacões. Gordon passou ao largo dos Açores com categoria de furacão.

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terça-feira, junho 05, 2007

sexta-feira, junho 01, 2007

Transportes Públicos Gratuitos? Demagógico ou Racional?

Uma boa forma de debatermos é partindo de questões simples.

O Bloco de Esquerda, numa das propostas de uma das moções (pág. 13) à sua Convenção Nacional defende o seguinte: "Defendemos uma rede de transportes públicos gratuita"
O que vos parece?
Uma ideia louca, irresponsável, demagógica, inexequível, económico-financeiramente desastrosa?
ou
Uma proposta racional, responsável, economicamente viável e lúcida.
Digam de vossa justiça!
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terça-feira, maio 29, 2007

Pico Petrolífero: a perspectiva de Matthew Simmons



Matthew Simmons é um banqueiro de investimentos no sector da energia, ex-conselheiro de George W. Bush. É autor de Twilight in the Desert .
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sexta-feira, maio 25, 2007

terça-feira, maio 22, 2007

Assine a petição: G8 e Alterações Climáticas

Ajude a pressionar o G8 a tomar medidas pelo combate às Alterações Climáticas subscrevendo esta petição.A AVAAZ.org, World in Action, é uma organização que procura mobilizar os cidadãos de todo o mundo contra a guerra e por causas comuns à Humanidade.

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domingo, maio 20, 2007

Nicholas Stern : economia das Alterações Climáticas

Veja a palestra de Nicholas Stern na London School of Economics sobre a economia das alterações climáticas.

Nicholas Stern foi o relator de um relatório encomendado pelo governo britânico para avaliar os impactos económicos das Alterações Climáticas.
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sexta-feira, maio 18, 2007

domingo, maio 06, 2007

Ecologia vs Economia

A propósito de Ecologia vs Economia do Blogue "De Rerum Natura"
Quando se tratam temas tão complexos como estes raciocinando de forma dicotómica, corremos o risco de revelar alguma ingenuidade. Aliás, corremos mesmo o risco de substituir uma religião por outra, a de uma fé inabalável na tecnologia para resolver todos os nossos problemas.
Quando Simon fala da liberdade, a que liberdade se refere? A de podermos fazer tudo o que nos apetece? Isto, manifestamente, não é possível. E não é possível porque não existem soluções técnicas para todos os problemas. Alguns exemplos são referidos em "The Tragedy of the Commons" do biólogo Garrett Hardin. Hardin diz que: «a technical solution may be defined as one that requires a change only in the techniques of the natural sciences, demanding little or nothing in the way of change in human values or ideas of morality».
Segundo parece ter sido demonstrado matematicamente (von Neumann and Morgenstern) não é possível maximizar duas, ou mais, variáveis em simultâneo. Logo, não é possível que a população cresça indefinidamente sem que isso se reflicta no esgotamento dos recursos, por muito criativa que seja a mente humana!
Por outro lado, a tecnologia resolve alguns dos nossos problemas, mas simultaneamente cria novos problemas, porventura ainda mais complicados do que aqueles que resolveu.
Na sua obra "Colapso" (2005), o biólogo Jared Diamond comenta esta ideia de que a "tecnologia resolverá os nossos problemas":
«This is an expression of faith about the future, and therefore based on a supposed track record of technology having solved more problems than it created in the recent past. Underlying this expression of faith is the implicit assumption that, from tomorrow onwards, technology will function primarily to solve existing problems and will cease to create new problems. Those with such faith also assume that the new technologies now under discussion will succeed, and that they will do so quickly enough to make a big difference soon». Esta última frase deveria soar como alerta, por exemplo, para aqueles que descartam com muita leviandade o problema da crise energética que se avizinha.
Sobre esta discussão entre o "optimista" Julian Simon e o "pessimista" Paul Ehrlich, vale a pena ler este artigo de James Lovelock em Essays on Science and Society da revista "Science".

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sábado, maio 05, 2007

Ecologia e conflitos entre classes sociais

«Conversely, failures to solve perceived problems [ambientais] because of conflicts of interest between the elite and the masses are much less likely in societies where the elite cannot insulate themselves from the consequences of their actions. [...] the high environmental awareness of the Dutch (including their politicians) goes back to the fact that much of the population – both the politicians and the masses – lives on land lying below sea level, where only dykes stand between them and drowning, so that foolish land planning by politicians would be at their own personal peril.[...]»

«That acknowledged interdependence of all segments of Dutch society contrasts with current trends in the United States, where wealthy people increasingly seek to insulate themselves from the rest of society, aspire to create their own separate virtual polders, use their own money to buy services for themselves privately, and vote against taxes that would extend those amenities as public service to everyone else. Those private amenities include living inside gated walled communities, relying on private security guards rather than on the police, sending one's children to well funded private schools with small classes rather than to the underfunded crowded public schools , purchasing private health insurance or medical care, drinking bottled water instead of municipal water, [...] . Underlying such privatization is a misguided belief that the elite can remain unaffected by the problems of society around them: the attitude of those Greenland Norse chiefs who found that they had merely bought themselves the privilege of being the last to starve.»


«Actually, the rich are not immune to environmental problems. CEO's of big First World companies eat food, drink water, breathe air, and have (or try to conceive) children, like the rest of us. While they can usually avoid problems of water quality by drinking bottled water, they find it much more difficult to avoid being exposed to the same problems of food and air quality as the rest of us. Living disproportionately high on the food chain, at levels at which toxic substances become concentrated, they are at more rather than less risk of reproductive impairment due to ingestion of or exposure to toxic materials, possibly contributing to their higher infertility rates [...]»

in "Collapse" de Jared Diamond

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sexta-feira, maio 04, 2007

As razões que levaram ao colapso


Uma pergunta interessante em torno do colapso de algumas sociedades é a seguinte: porque foram essas sociedades incapazes de antecipar o desastre? No exemplo da Ilha de Páscoa, outrora arborizada, que terão pensado os habitantes que abateram a última árvore? Algumas pessoas, incluindo historiadores, reagem com incredulidade ao facto de uma sociedade com alguma complexidade não conseguir antecipar e evitar o colapso.

Diamond sugere que as sociedades fracassaram pelas seguintes razões:

1. Foram incapazes de antecipar os problemas antes de eles ocorrerem;
2. Foram incapazes de os detectar quando ocorreram;
3. Quando foram capazes de detectar os problemas, não conseguiram sequer tentar resolvê-los;
4. Quando tentaram resolvê-los, fracassaram.


1. A incapacidade para antecipar os problemas pode dever-se simplesmente à sua novidade, ou seja, nunca terem sido experimentados no passado. No entanto, mesmo nos casos de experiência prévia, podem ter caído no esquecimento, sobretudo nas sociedades sem escrita. Mas mesmo nas sociedades modernas, a memória tende a ser curta.

Outra explicação pode ser o raciocínio por falsa analogia (“reasoning by false analogy”), ou seja, a tendência para fazer comparações com situações que são familiares, não compreendendo que se trata de um fenómeno novo. Quando os Vikings chegaram à Islândia, adoptaram as mesmas práticas agro-pecuárias que praticavam na Grã-Bretanha ou Noruega, não se dando conta da diferença no tipo de solos e, por isso, não antecipando problemas de erosão.

2. Há pelo menos três razões para explicar a incapacidade para detectar os problemas depois de ocorrerem:

· em alguns casos, a origem do problema é literalmente imperceptível. Por exemplo, os primeiros colonos da Austrália não tinham meios para avaliar a falta de nutrientes dos solos;

· uma outra razão é o distanciamento dos responsáveis pela gestão. Se estes não mantêm um contacto directo com a realidade objecto de gestão, terão maior dificuldade em detectar um problema;

· talvez o caso mais comum de incapacidade para detectar o surgimento do problema aconteça quando este assume a forma de uma evolução lenta numa certa direcção, mascarada por fortes flutuações. Um exemplo claro é o do aquecimento global.

Associado a este caso, Jared Diamond refere o que designa por “creeping normalcy”, que talvez se possa traduzir por “normalidade deslizante” : grandes mudanças através de movimentos imperceptíveis . As pessoas acabam por considerar normal algo que, com o tempo, se tornou radical ou substancialmente diferente, sem se terem apercebido disso. («[...] so one's baseline standard for what constitutes “normalcy” shifts gradually and imperceptibly.»).

Outro conceito associado a este é o de “amnésia da paisagem” (“lanscape amnesia”). Este último conceito poderá explicar, por exemplo, a atitude dos habitantes da Ilha de Páscoa ao abaterem a última árvore: há muito que a memória de uma ilha densamente arborizada e o significado da sua importância tinham desaparecido.

3. Incapacidade para tentar resolver os problemas, uma vez detectados.
Os conflitos de interesse entre pessoas ou grupos podem ser um grande obstáculo à resolução dos problemas ambientais. Podem existir fortes incentivos para que um indivíduo adopte um comportamento designado pelos economistas como “rational behavior”. Pode ser vantajoso, numa perspectiva individualista e imediata, ignorar um problema que pode vir a prejudicar o grupo e o próprio indivíduo. Um caso especial é o designado por “Tragédia dos Comuns”.

4. Por fim, no caso em que houve uma tentativa real de resolução do problema, pode ter sido tarde de mais ou ter sido levada a cabo sem a necessária determinação. Ou então, simplesmente o problema tinha atingido uma dimensão tal que não dispunham de soluções técnicas ou estas eram proibitivamente caras .
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terça-feira, maio 01, 2007

Colapso - como as sociedades escolhem pelo fracasso ou pela sobrevivência





Na obra "Colapso – como as sociedades escolhem fracassar ou sobreviver" (2005), o biólogo norte-americano Jared Diamond analisa o colapso, total ou parcial, de sociedades passadas cuja origem está relacionada com a degradação ambiental. Desde a Ilha de Páscoa até aos Maias, dos Anasazi à colónia Viking na Gronelândia. Trata-se de uma análise original da História, realçando a importância da base natural sobre a qual assenta a civilização.

O colapso é definido como uma redução drástica da população humana ou do nível de complexidade das sociedades, ou de ambos, sobre um território considerável e por um período prolongado.

O autor enumera 8 categorias de problemas que, de forma mais ou menos acentuada, conduziram à degradação ambiental e, finalmente, ao colapso daquelas sociedades: desflorestação e destruição de habitats, problemas relacionados com os solos (erosão, salinização e perda de fertilidade), problemas de gestão de água, caça excessiva, pesca excessiva, efeitos da introdução de espécies alienígenas sobre espécies nativas, crescimento populacional, e o aumento do impacto "per-capita". A estes problemas ambientais, o autor inclui mais 4 que afectam o mundo actual: alterações climáticas de origem antropogénica, acumulação de químicos tóxicos, ruptura energética e utilização plena pelo Homem da capacidade fotossintética da Terra.

O colapso, no entanto, não se deveu apenas à degradação ambiental. Outros factores aceleraram ou retardaram a sua ocorrência. De modo que a sua análise é feita num quadro de cinco pontos em que, para além da degradação ambiental, se consideram a alteração climática, a existência de vizinhos hostis, a perda de parceiros comerciais e, finalmente, a resposta de cada sociedade perante os problemas ambientais.

Desta análise podem retirar-se lições importantes para o mundo actual. É esse o objectivo principal do livro. O mundo enfrenta hoje um risco sério de colapso. O estilo de vida das sociedades modernas do "Primeiro Mundo" e a sua emulação pelas chamadas economias emergentes, como a China ou a Índia, são absolutamente insustentáveis.

O colapso não aconteceu apenas em sociedades antigas. Conflitos como os do Ruanda, Haiti ou Somália, para além de causas imediatas, têm subjacentes graves crises ambientais.

Por outro lado, a ameaça de colapso não incide apenas sobre países do chamado Terceiro Mundo. A Austrália, embora longe de tal situação, enfrenta hoje uma série de problemas ambientais (relativos sobretudo à disponibilidade de água e de fertilidade dos solos) que tornam difícil suportar a sua actual população com o seu actual elevado padrão de vida.

Mas também existem casos positivos de sociedades que conseguiram inverter o rumo em direcção ao colapso. Foi o caso do Japão da era Tokugawa (séc. XVII) ou a Islândia.

Uma questão interessante é: porque razão algumas sociedades, sobretudo no caso das mais complexas, tomam decisões que as conduzem em direcção ao fracasso, à sua própria destruição?
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sexta-feira, janeiro 05, 2007

"Ethical Food" e Comércio Justo

A revista "The Economist" na sua edição de 9-15 de Dezembro, cujo tema de capa era "Good food? - why ethical shopping harms the world", trata dos prós e contras da agricultura biológica, comércio justo e produção local. Apesar de não ser nada claro que os contras superem os prós, há logo uma tomada de posição explicita na capa da revista. O tema é tratado com alguma ligeireza, para não dizer com um simplismo atroz, em que a revista denuncia o seu declarado pendor ideológico para o comércio livre a todo o custo. Não é consensual que os métodos da agricultura biológica sejam sempre menos produtivos, e mais penalizadores para o ambiente no seu conjunto, que os métodos convencionais. Como podemos ver em "Can Organic Farming Feed Us All?".
Quanto aos problemas éticos, e não só, relativos ao comércio justo e, por outro lado, aos métodos tradicionais de produzir alimentos, reflictamos sobre o que diz o filósofo Peter Singer nestes dois artigos
The Ethics of Eating e Why Pay More for Fairness?

Ainda sobre questões ligadas ao comércio justo, ler este texto que pretende resumir um relatório da ONGD OXFAM intitulado "Rigged Rules and Double Standards - trade, globalisation and the fight against poverty" enquadrado na campanha "Make Trade Fair¨:


Mudar as regras: comércio, globalização e luta contra a pobreza.
Relatório da Oxfam International
[31-05-2002] [ José Sousa ]

A Oxfam International acaba de lançar uma campanha com o objectivo de promover um comércio internacional justo. É nesta iniciativa que se enquadra a publicação do relatório “Mudar as regras: comércio, globalização e luta contra a pobreza”. A tese defendida neste relatório é de que o comércio pode funcionar como um poderoso instrumento para a erradicação da pobreza.
A abordagem destes temas é feita, frequentemente, com base em argumentos de natureza ideológica, mascarando os verdadeiros problemas. Há uma tendência para os raciocínios de tipo dicotómico: ou é bom ou é mau, ou se é a favor ou se é contra. Uma outra tendência é a fixação nas médias, que tende a confundir realidades que são distintas.
A complexidade destas questões exige uma discussão muito mais afinada, casuística. Não se trata de saber se questões como a liberalização do comércio, a globalização ou o investimento directo estrangeiro são boas ou são más, importa sim avaliar em que circunstâncias concretas poderão produzir resultados positivos ou negativos e a forma da sua distribuição .
Olhando para a situação actual, o comércio está na prática a contribuir para alargar o fosso existente entre os países ricos e os países pobres. Só que não é, de todo, uma situação inevitável. Resulta, isso sim, de uma estrutura institucional que favorece certos sectores dos países ricos em detrimento da maior parte dos habitantes dos países pobres. As instituições multilaterais como a Organização Mundial do Comércio (OMC) e o sistema Fundo Monetário Internacional (FMI) / Banco Mundial (BM) não são transparentes, sujeitas a um verdadeiro escrutínio público, e a sua agenda é fortemente determinada por interesses ligados às grandes empresas globais que constituem a “vanguarda” do actual processo de globalização.

Comércio e globalização no século XXI

Neste início de século verifica-se uma situação paradoxal: nunca a Humanidade foi tão capaz de produzir tanta riqueza e dispôs de tão poderosas tecnologias, que lhe permitiriam de forma sustentada enfrentar o desafio de proporcionar uma vida decente a todas as pessoas, mas, ao mesmo tempo, nunca como agora correu tão grande risco de enfrentar o colapso da Civilização.
O fenómeno da globalização tem contribuído para uma maior e mais sofisticada integração da economia mundial, nomeadamente entre os chamados países do Norte e os países do Sul. O comércio internacional e os fluxos de investimento a ele associados (“investment follows trade”) têm sido um importante catalisador dessa integração.
O comércio internacional tem crescido muito mais rapidamente que o produto interno bruto (PIB) global, sendo hoje responsável por uma maior fatia do rendimento criado. No entanto, verifica-se uma repartição profundamente desigual dos benefícios e perdas associados a este processo.
O Norte tem sido um claro ganhador, mas a situação do Sul tem-se tornado cada vez mais heterogénea. Já não é possível falar apenas em países em desenvolvimento (PVD), torna-se obrigatório fazer a distinção entre países de rendimento médio e de baixo rendimento. Esta distinção é muito importante porque é frequente confundir-se a realidade do Extremo-Oriente com a da África ou a da América Latina e dentro de cada uma destas regiões entre países com características muito diferentes.
Verifica-se uma crescente participação dos PVD no comércio de produtos manufacturados (têxteis, vestuário) e nos produtos de alta tecnologia (microelectrónica, semicondutores, “software”, etc.). Contudo, estes fluxos de comércio, e de investimento a ele associado, concentram-se num pequeno grupo de países: China, Índia, Brasil, México, Bangladesh, Tailândia, etc. A grande maioria dos países da América Latina e da África Subsariana, e mesmo da Ásia, ainda depende largamente da exportação de produtos primários, as chamadas “commodities”, como sejam os minerais ou produtos agrícolas básicos (café, cacau, algodão, arroz, açúcar, milho, fruta, etc.). O comércio e investimento Sul-Sul já assume também alguma importância.

O comércio como instrumento para a redução da pobreza

A situação actual em termos da participação no comércio é muito desigual. Os países de baixo rendimento têm 40% da população mundial, mas apenas uma participação de 3% no comércio mundial. O valor das exportações dos países ricos atinge 6000 dólares “per capita”, sendo apenas de cerca de 330 para os PVD e de 100 para os de baixo rendimento.
Existem alguns exemplos de países bem sucedidos na luta contra a pobreza que optaram por uma estratégia baseada no incentivo às exportações, sobretudo em áreas onde detinham uma vantagem comparativa, nomeadamente em sectores trabalho-intensivos como o têxtil e vestuário ou a agricultura. O Extremo-Oriente e o Sudeste Asiático são disso exemplo. Desde meados da década de 70, o rápido crescimento das exportações contribuiu para um forte crescimento económico que ajudou a retirar da pobreza mais de 400 milhões de pessoas. Contudo, os benefícios do comércio não são automáticos. É necessário que existam planos de desenvolvimento que permitam que os mais pobres, sobretudo ao nível da pobreza rural e das mulheres, sejam claros beneficiários da abertura de novos mercados para os seus produtos.

O acesso aos mercados

Apesar dos sucessos e de toda a retórica sobre os benefícios do livre comércio propalada no mundo rico, a tendência prevalecente tem sido o aumento das desigualdades como resultado da expansão do comércio mundial. Na origem deste problema estão as regras que determinam as relações de poder nas negociações internacionais. Os países ricos são, para efeitos práticos, quem determina que mercados, como e a que ritmo, são liberalizados.
Os países ricos têm forçado a abertura dos mercados dos países pobres, fazendo-se valer de uma série de estratagemas, ao serviço de interesses nem sempre claros. Convém, desde já, deixar claro que, frequentemente, esses interesses nada têm que ver com a maior parte dos cidadãos do mundo rico, antes pelo contrário.
Teoricamente, a OMC é uma organização democrática que pretende uma abertura gradual dos mercados mundiais com o fim de promover o crescimento económico global. A verdade é que os países ricos usam de critérios duplos: forçam a liberalização dos mercados dos países com estruturas mais frágeis e, ainda por cima, mantêm os seus mercados relativamente fechados, fazendo uso de toda uma panóplia de instrumentos de política comercial, que vão desde barreiras tarifárias (taxas sobre o valor dos produtos importados), não tarifárias (quotas de importação) até todo o tipo de especificações e normas (muitas vezes abusivas). Muitas das disposições dos acordos de comércio negociados na OMC são ambíguas, o que favorece os especialistas em contencioso, regra geral pagos a peso de ouro, em prejuízo, naturalmente, dos países pobres. Além disto, a liberalização tem sido imposta de forma ainda mais drástica por intermédio dos programas de ajustamento estrutural do FMI ou de acordos de comércio regional (NAFTA) ou bilateral.
Fruto de tudo isto, os países pobres enfrentam barreiras à comercialização dos seus produtos que são, em média, quatro vezes superiores às enfrentadas pelos países ricos. No caso do comércio agrícola a situação é, no mínimo, impressionante. Os países ricos (o caso da política agrícola europeia, PAC, é um dos mais significativos) subsidiam uma agricultura intensiva com valores na ordem dos mil milhões de dólares/dia, gerando excedentes imensos. Estes, por sua vez, são canalizados para o mercado mundial a preços abaixo de custo (“dumping”), da ordem de 30%, novamente por intermédio de subsídios. Tudo isto, além de prejudicar gravemente os produtores rurais dos países pobres, é responsável por enormes danos ambientais e um enorme custo para os contribuintes nos países ricos.
Um caso exemplar dos resultados sobre os países pobres é a exportação de milho dos EUA para o México. Os pequenos agricultores dos estados do Sul do país, como Chiapas, não só não conseguem exportar, como são incapazes de vender para o mercado interno, levando ao abandono dos campos e ao engrossar da migração para as cidades ou para o exterior. Em regra, só as mulheres tendem a ficar, com um fardo acrescido na luta pela sobrevivência.
Associado a isto, os países pobres enfrentam oscilações de preços das principais “commodities” (em mais de 50 PVD, mais da metade das exportações dependem de três ou menos produtos primários) que podem ir até quedas da ordem dos 70%, como foi o caso do café.
É de salientar que as perdas de receita advindas desta situação não são de modo algum compensadas pelos montantes da ajuda ao desenvolvimento ou da redução da dívida externa – a ajuda pública ao desenvolvimento da quase totalidade dos países ricos não só não tem cumprido a meta dos 0,7% do PNB, como até tem diminuído.
Na sua maioria, os países pobres acabam envolvidos numa armadilha sem escapatória, na medida em que se vêem impossibilitados de pagar o serviço da dívida quando os termos de troca lhes são de tal ordem adversos. Para cúmulo, a liberalização dos mercados financeiros ainda agrava mais a situação. A volatilidade cambial tende a intensificar ainda mais a queda dos termos de troca.
De nada lhes serve aumentar a produtividade, na medida em que isso agravará ainda mais o excesso de oferta estrutural. Exportar o dobro em quantidade poderá significar perda de receita. Estes preços chegam a ser tão baixos que mal conseguem garantir a sobrevivência, quanto mais pagar despesas de saúde ou educação para os filhos dos camponeses, para já não falar de poupança (salários de menos de um dólar a dólar e meio por dia são já considerados bons, tendo em conta a extrema miséria). Isto em países com tremendas carências em infra-estruturas, acesso ao crédito e à própria posse da terra.
De notar que esta realidade passa despercebida aos consumidores dos países ricos na medida em que não é reflectida nos preços do produto final, revertendo sim para os lucros das multinacionais que controlam o mercado. Só assim se explica que empresas como a Nestlé apresentem sucessivamente elevados crescimentos percentuais dos seus lucros.
Outro exemplo de adiamento no acesso ao mercado dos países ricos diz respeito ao Acordo Multifibras relativo aos têxteis e vestuário. A liberalização progressiva até 2005 não tem decorrido como estabelecido, prevendo-se um súbito levantamento das barreiras naquela data, o que não é bom nem para países como Portugal, nem para países como o Bangladesh, que beneficiou de quotas que lhe foram atribuídas e que poderá enfrentar a concorrência aberta de países como a China.

As empresas transnacionais

O actual processo de globalização reveste-se de uma característica que já se verificou noutros tempos ao nível nacional, aquando de rápidas transformações económicas e tecnológicas. Tem que ver com o desfasamento entre o poder das grandes empresas e a sua regulação política e social por instituições legítimas e democráticas. A situação actual poderia ser qualificada como de pilhagem institucionaliza, sem exagero nos termos. Este desequilíbrio conduziu no passado, entre outras coisas, à Grande Depressão e foi determinante de guerras mundiais.
Vários acordos negociados no âmbito do Uruguai Round, com destaque para os TRIPs (direitos de propriedade intelectual relacionados com o comércio), TRIMs (investimentos relacionados com o comércio) e o GATS (liberalização dos serviços, sobretudo financeiros, em detrimento do factor trabalho), conferiram poderes e direitos de tal forma formidáveis às grandes empresas transnacionais que estas fazem tábua rasa das mais elementares regras de protecção do trabalho definidas pela Organização Internacional do Trabalho ou de tratados internacionais negociados em instâncias bem mais legítimas, como seja a Convenção para a Diversidade Biológica da ONU.
O investimento directo estrangeiro (IDE) é um veículo importante de integração da economia mundial. No entanto, para que o seu potencial como motor de desenvolvimento possa ser liberto é necessária uma série de condicionantes. Ora, os acordos citados têm dado rédea solta às transnacionais, permitindo-lhes todo o tipo de abusos, e não apenas em relação aos países pobres (o Canadá e o estado da Califórnia foram disso exemplo).
Uma das condicionantes para o IDE promover um crescimento equilibrado prende-se com o estabelecimento de laços com as empresas locais, através da transferência de tecnologia, formação técnico-profissional, subcontratação, etc. Isto permite aumentar o valor acrescentado nacional.
Sucede que na grande parte dos casos, cujos exemplos mais notáveis são as “maquiladoras” do México e as zonas de processamento para exportação do Bangladesh (onde a Constituição é suspensa, impedindo-se a filiação em sindicatos e recusando-se quaisquer direitos a subsídios de doença, de desemprego ou protecção da maternidade), as empresas limitam-se a proceder à montagem de componentes importados, com valor acrescentado próximo de zero! Isto tanto em relação aos têxteis como aos produtos de alta tecnologia. Ironia da situação, o México aparece nos relatórios internacionais como um dos países mais empreendedores e onde mais cresceram as exportações de alta tecnologia.
Para agravar ainda mais a situação, os países ricos impõem tarifas reajustáveis em função do grau de processamento dos produtos importados, o que inviabiliza qualquer tentativa de progresso. E, como se isto não bastasse, as transnacionais têm sido responsáveis pela destruição de centros de I&D das empresas que entretanto adquiriram nos PVD, como sucedeu no Brasil.
Mas situações ainda mais aterradoras dizem respeito a dois aspectos do acordo TRIPs: um relativo ao patenteamento de medicamentos e o outro ao patenteamento de materiais genéticos.
A defesa da propriedade intelectual é, naturalmente, legítima e existe uma justificação económica para a sua existência. No entanto, tem havido um enorme abuso nesta área, com recurso a autênticos truques para prolongar os prazos das patentes, sem qualquer consideração por questões de saúde pública, como ficou demonstrado em relação à atitude das farmacêuticas no caso da África do Sul e do tratamento dos doentes com sida.
No domínio dos materiais genéticos, as grandes companhias de biotecnologia têm espoliado sem qualquer pejo a riqueza genética, concentrada em grande parte nos PVD, sem qualquer retribuição (biopirataria). Esta autêntica fraude ocorre, por exemplo, via patenteamento de sementes de plantas alimentares, como o feijão amarelo mexicano enola ou o arroz basmati, e de alguns genes de milho da Índia (todos estes casos por empresas americanas), apossando-se assim do que é afinal património dos respectivos povos. As restrições impostas a agricultores de países pobres, e não só, que não podem dispor das sementes, e a redução da diversidade genética põem graves problemas de segurança alimentar em todo o mundo, em especial nos PVD.

Mudar as regras

Para que todo o potencial de promoção do crescimento económico associado ao comércio possa converter-se em desenvolvimento equilibrado e redução generalizada da pobreza é necessária uma autêntica revolução. Desde logo no desenho institucional das organizações internacionais. Mas também nas políticas internas de combate à pobreza dos PVD.
Entre outras coisas há que reforçar o carácter multilateral das negociações sobre comércio da OMC, evitando-se os abusos praticados em acordos bilaterais e abolindo as políticas de condicionalidade do FMI no que respeita à liberalização do comércio.
É indispensável reforçar os meios da assistência técnica e jurídica aos PVD, de modo a capacitá-los para a condução das negociações com os países ricos. Impõe-se também uma maior transparência na formulação da agenda das negociações, com a participação de instituições que representam interesses mais amplos, como sejam parlamentos nacionais ou ONG.
Outra reforma essencial prende-se com a garantia de preços mínimos para as “commodities”, até como forma de garantir a sustentabilidade das dívidas externas dos respectivos países. Há que impor limites às operações das bolsas de mercadorias e de valores (mercado de capitais).
Recomenda-se em paralelo o desenvolvimento de uma política “anti-trust” ou anti-monopólio à escala global, à semelhança do que aconteceu nos EUA no final do século XIX.
Ao nível das políticas de combate à pobreza deve ser fomentada uma distribuição mais equitativa de recursos, que permitirão aos pobres beneficiar do crescimento económico e contribuir para uma maior eficiência económica. É preciso promover uma reforma agrária dos grandes latifúndios (gigantescas propriedades permanecem incultas ao mesmo tempo que há camponeses que não têm que comer), garantir o acesso ao crédito e aos mercados, nomeadamente através do desenvolvimento de redes viárias e, claro está, promover os padrões de saúde e educação.
Em suma, a conclusão que se retira deste relatório é que a tese defendida não passa, por enquanto e em termos gerais, disso mesmo, uma tese! É o interesse próprio, bem informado, dos países ricos que recomenda alterações significativas nas regras que regulam o comércio mundial. Caso contrário, vamos todos ao fundo!

José Sousa

(economista, voluntário da Oikos)
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quinta-feira, novembro 23, 2006

Os desafios da crise ambiental global para as relações internacionais


Não existem dúvidas de que estamos a viver uma crise ambiental de grandes proporções. A generalização a outras partes do mundo do modelo de desenvolvimento económico capitalista, assente num crescimento económico sem limites, está a exercer uma pressão muito forte sobre os recursos naturais e a capacidade de suporte de vida da Terra.

A WWF, num relatório recente, dizia que a Humanidade ao ritmo actual necessitaria de 2 planetas Terra em 2050 para se sustentar. E se se generalizasse o modelo americano ao mundo, necessitaríamos de 5 planetas. O rumo seguido pela China e a Índia, pelas suas dimensões, não augura nada de bom.
Curiosamente, nesse relatório, Cuba era o único país com níveis elevados de desenvolvimento que tinha uma utilização de recursos sustentável.

Uma das manifestações desta crise ambiental são as alterações climáticas. A intensidade energética das economias, baseada nos combustíveis fósseis, libertou em poucas dezenas de anos uma enorme quantidade de carbono acumulado no subsolo durante milhões de anos. Este e outros gases com efeito de estufa estão a romper delicados equilíbrios físico-químicos que já estão a ser fatais para inúmeras espécies e poderão sê-lo também para a nossa.

A Terra possui mecanismos de reposição dos equilíbrios necessários à vida que podem ser extremamente violentos, com tempos de reajustamento que não se coadunam com os tempos da civilização humana. É célebre, a este propósito, a Teoria de Gaia de James Lovelock. A violência de que falamos não é uma metáfora, é uma ameaça séria à sobrevivência de toda a civilização humana à escala planetária.

Os últimos dados da investigação científica (ver “The Weather Makers – The History and Future Impact of Climate Change” de Tim Flannery) sobre as alterações climáticas revelam uma evolução preocupante do fenómeno, pior do que a que se previa ainda há poucos anos. As incertezas têm sido até aqui no sentido da subestimação do problema. O ritmo de derretimento do gelo é 2 vezes superior ao que se pensava ainda há pouco tempo. Só na Gronelândia há gelo suficiente para fazer subir o nível médio das águas do mar em 6 a 7 metros. Num cenário destes, todas as cidades costeiras do planeta ficariam alagadas. Mas existem consequências potenciais das Alterações Climáticas bem piores, por difícil que possa parecer.

Não há dúvida, portanto, que estamos perante uma crise ambiental sem precedentes. Contudo, existe um problema de percepção do fenómeno. Mesmo nas sociedades complexas de hoje, as perspectivas humanas tendem a concentrar-se naquilo que é próximo, no espaço e no tempo. As pessoas preocupam-se com as questões familiares, com os problemas do seu bairro, eventualmente, com os problemas do seu país. Querem saber se têm emprego hoje, se os preços estão a subir muito, eventualmente, se virão a ter uma reforma condigna, etc..

Raramente se dão conta, ou se preocupam, com as consequências das suas acções no muito longo prazo ou em qualquer outra parte do mundo.

Esta atitude reflecte-se na política. Os políticos tendem a centrar-se na resolução dos problemas imediatos, atribuindo muita pouca importância aos interesses das gerações vindouras. A verdade é que esta atitude face à crise ambiental, repetida desde há décadas face aos avisos surgidos pelo menos desde os anos setenta, já fez com que, p.ex., o problema das Alterações Climáticas venha a ser bem grave ainda durante a vida da maior parte das pessoas hoje vivas. E como se continua a fazer muito pouco para minorar o problema, poderemos vir a ter surpresas desagradáveis muito antes do que esperávamos.

Em termos de política internacional, o predomínio é ainda o do interesse nacional estrito, com raras excepções. Os governos são responsáveis apenas pelos seus eleitores, quando o são de facto. Embora as opções de grandes potências nos afectem a todos, por exemplo se os americanos preferem andar de automóvel ou de transporte público, a verdade é que as pessoas do resto do mundo não têm maneira de influir sobre essas opções.

Ora o problema das Alterações Climáticas e da crise ambiental associada deverá obrigar a rever a base sobre a qual as relações internacionais estão assentes.

Como bem ilusta a obra de Peter Singer, “Um só Mundo, a ética da globalização”, vivemos sob uma só atmosfera, que nos torna verdadeiramente interdependentes. A atmosfera tem funcionado como uma lixeira para os resíduos do nosso estilo de vida acelerado. A atmosfera não tem fronteiras. A poluição brutal das centrais eléctricas a carvão dos EUA, da China, ou da Austrália, não pode deixar ninguém indiferente.

Num mundo denso de 6 mil milhões de pessoas, a desertificação, a escassez de água potável, a contaminação química, a insegurança alimentar, a disseminação de doenças com um potencial catastrófico como a gripe aviária, exigem dos governos do mundo uma cooperação reforçada permanente, em que os interesses mesquinhos deste ou daquele não podem prevalecer sobre o interesse comum, sob pena do desastre ser geral. E a dimensão do desastre será tal, que seria um exercício fútil tentar calcular quanto cada qual poderia perder mais ou ganhar menos.

O desenvolvimento de uma consciência global, ainda que incipiente, manifestada por ocasião dos preparativos para a Guerra do Iraque, é um sinal de esperança.

No entanto, a luta armada contra o terrorismo da Administração Bush traduz uma enorme hipocrisia e simultaneamente um grande equívoco se o objectivo é garantir a segurança dos cidadãos americanos.

Como dizia um responsável pela Agência Britânica para a Protecção da Saúde, o maior bioterrorista é a Natureza. A proliferação de doenças globais está associada a factores que incluem a aproximação do ser humano às florestas húmidas, novos processos de produção alimentar e métodos agrícolas, a explosão demográfica em cidades sem infraestruturas de saneamento básico, a crescente resistência a antibióticos, as sublevações populares e a instabilidade política.

Por outro lado, fenómenos como o Furacão Katrina puseram a nu a fragilidade da segurança de infraestruturas vitais (as mesmas definidas no Patriot Act de 2001) para a economia americana, como os portos, refinarias, etc. como denuncia o nº de Set/Out de 2006 da revista World Watch, nomeadamente os artigos “Human Security Amid Disasters – It takes more than guns and bombs” e “Katrina's National Security Impacts”. E, no entanto, não foi a Al-Qaeda que as destruiu, mas um furacão. E, se bem que a causa desse furacão em concreto não possa ser atribuível às Alterações Climáticas, a verdade é que há uma forte probabilidade de haver alguma relação.

A incapacidade do governo americano para acudir ao desastre provocado pelo Katrina revela a incompreensão sobre donde provêm os verdadeiros perigos.

Para dar uma ordem de grandeza sugestiva sobre a dimensão dos custos do furacão Katrina, ascenderam ao equivalente ao PIB combinado dos 69 países mais pobres do mundo (Fonte: World Watch Institute).

E no entanto, o Governo americano recusa-se a ratificar o Protocolo de Quioto.

A questão do Darfur é outro exemplo de uma certa forma convencional e hipócrita de encarar as relações internacionais. Atribui-se o conflito a questões étnicas e religiosas, ameaçando o governo do Sudão com uma intervenção externa. Por outro lado, culpam-se os habitantes locais por terem destruído os pastos, vitais à sua sobrevivência. No entanto, um estudo de 2003 da Universidade do Colorado, em Boulder, demonstrou que a região do Sahel (onde se inclui o Darfur) sofre de uma seca permanente que se pode atribuir a perturbações no regime de monções do Oceano Índico, por sua vez atribuíveis às Alterações Climáticas. Além disto, a poluição na Europa Ocidental teria igualmente uma importância fundamental naquela região de África.

O caso de Darfur e a disputa pela água em regiões como o Médio Oriente, são exemplos de uma luta por recursos escassos que se poderá generalizar se não existir uma cooperação internacional adequada.

O Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas apresentará o Quarto Relatório de Avaliação em 2007. Na medida em que este painel, onde estão representantes de todos os governos do mundo, toma decisões por consenso, é importante que as questões políticas (interesses da OPEP, etc.) não se sobreponham à avaliação científica.

Os teóricos das relações internacionais e os políticos estão assim perante um desafio colossal: como colocar o interesse comum acima do interesse de cada Estado? Isto exigirá, certamente, uma partilha mais equitativa dos recursos naturais, uma partilha de tecnologia, enfim, um sistema económico onde a acumulação e a competição não podem ser os factores dominantes.
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terça-feira, outubro 31, 2006

Alterações Climáticas Relatório STERN

Este relatório, encomendado pelo Ministério das Finanças Britânico aponta as Alterações Climáticas como «a maior e mais abrangente "falha de mercado" jamais vista».
A análise custo-benefício, em termos meramente económicos, aponta para um ganho líquido de 2.5 biliões (milhões de milhões) de dólares se se enfrentar desde já o problema, reduzindo a intensidade de carbono da economia, ou seja, reduzindo as emissões de CO2 equivalente associadas às actividades humanas. A ordem de grandeza dos prejuízos que poderemos enfrentar mantendo o "Business-as-usual" só é comparável aos custos enfrentados com as Guerras Mundiais.
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sexta-feira, outubro 27, 2006

"Os Senhores do Tempo"



A não perder este excelente livro sobre o impacto das alterações
climáticas:

"Os Senhores do Tempo - o impacto do homem nas alterações climáticas e
no futuro do planeta"

título original "The Weather Makers: the History and Future Impact of
Climate Change"

Autor Tim Flannery

Editora: Editorial Presença - Setembro 2006 Ler mais...

segunda-feira, agosto 28, 2006

Campanha da Amnistia Internacional: excelente!

Veja esta excelente campanha de rua da Amnistia Internacional Ler mais...

quarta-feira, agosto 16, 2006

Ajude os Libaneses!

Pode ajudar as centenas de milhares de libaneses que ficaram sem casa, sem água potável, sem acesso a cuidados de saúde ou energia. Contribua para a acção no Líbano da ONGD portuguesa OIKOS. Veja como em Emergência Líbano.

Leia mais sobre a acção da OIKOS no Líbano .
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Centrais Nucleares: Perigo neste Verão!

Um Verão quente e seco provocou sérios problemas ao normal funcionamento das centrais nucleares em vários países europeus, noticia a revista "The Economist" (resumo da notícia) com o caso mais grave a acontecer na Suécia (central de Forsmark), onde vários reactores tiveram que ser desligados. Mais pormenores sobre o caso sueco neste comunicado de imprensa da empresa Vattenfall, responsável pela operação das centrais e nesta notícia da Greenpeace.
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terça-feira, agosto 15, 2006

Líbano: guerra foi planeada entre EUA e Israel

A revista New Yorker revela, num artigo do famoso jornalista Seymour Hersh, que a guerra de agressão contra o Líbano foi planeada por Israel em concertação com os EUA, muito antes do rapto dos dois soldados israelitas pelo Hezbollah, que serviu de pretexto para o iniciar do conflito.
Veja aqui uma entrevista com Seymour Hersh.
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segunda-feira, agosto 14, 2006

O Planeta está com febre!

Veja esta animação do Greenpeace sobre as Alterações Climáticas:
O Planeta está com febre!

Em Junho deste ano, a Academia das Ciências dos EUA publicou um estudo que diz que a temperatura da Terra verificada nos últimos 25 anos é, com grande grau de confiança, a mais alta verificada em qualquer período semelhante nos últimos 400 anos e, provavelmente, nos últimos 2000.
Relatório: sumário e muito breve .

Mesmo que algumas pessoas (por exemplo, Mitos Climáticos), incluindo cientistas (Impostura Científica), subsistam em negar a existência de alterações climáticas, ou que, a existirem, se devam, pelo menos em parte, à acção do Homem, a verdade é que, dada a natureza do problema e as suas muito prováveis consequências desastrosas , perante a dúvida deveria optar-se pela prudência e por se defender uma alteração da forma como nos relacionamos com o Ambiente. Afinal, não será de bom senso admitir que a libertação de CO2 para a atmosfera num período muito curto (cerca de 50 anos) resultante da queima de aproximadamente 50% do petróleo acumulado ao longo de milhões de anos mais a desflorestação resultante da agricultura e dos fogos tenha, de facto, um impacto sobre o clima?

É que este problema não é apenas uma discussão académica, pode ser, em última análise, uma questão de sobrevivência.

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domingo, agosto 13, 2006

Conflito Israelo-Árabe: Resoluções da ONU

Para que a memória sobre as origens dos acontecimentos que estão actualmente a decorrer no Médio Oriente não seja apenas a das últimas cinco semanas, eis uma lista das Resoluções do Conselho de Segurança das Nações Unidas relativas ao conflito israelo-árabe.


Ver ainda a entrevista à Sky News de George Galloway (membro do Parlamento Britânico, eleito pela Respect).

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sexta-feira, agosto 11, 2006

Fogos florestais: catástrofe!

Esta foto de satélite da NASA é reveladora da dimensão dos fogos florestais no Noroeste Peninsular. Ano após ano, repete-se a catástrofe ambiental. Não deve ser de admirar que a mudança climática tenha a influência do Homem, para quem ainda duvide disso!
É necessário promover uma verdadeira educação ambiental, com uma linguagem prática, que envolva toda a população, de modo a que se desenvolva uma consciência sobre a verdadeira dimensão deste problema.
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LÍBANO: A DESTRUIÇÃO DE UM PAÍS

Israel está há um mês a castigar todo um país de forma totalmente criminosa. Por muitas razões que Israel possa ter, e não tem muitas (ler carta de John Berger subscrita por Harold Pinter, Noam Chomsky, entre outros, dirigida à imprensa internacional; e ainda este texto da "The Christian Science Monitor" sobre a pretensa culpa do Hezbollah no iniciar deste conflito), a verdade é que se trata de uma luta absolutamente desigual e injusta para o povo libanês.
Como se pode ver neste mapa dos bombardeamentos ( actualizações do mapa aqui), Israel tem cometido verdadeiros crimes de guerra pelos quais deveria ser julgado.
Por muito simbólico que seja, subscreva a petição às Nações Unidas para a criação de um Tribunal Penal Internacional para Israel, à semelhança do que foi criado para a ex-Jugoslávia.
As condições de vida em Gaza e na Cisjordânia têm-se deteriorado, agora que as atenções estão voltadas para outro lado. Também existem organizações judaicas que estão contra esta guerra, como a Jewish Voice for Peace .
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sábado, agosto 05, 2006

Documentário online : a dependência do petróleo

Veja "online" o documentário "Oil Safari - A Travelogue of Addiction" em "Watch Documentary".
Este documentário baseia-se na obra do vencedor do Prémio Pulitzer PAUL SALOPEK : "A Tank of Gas , a World of Trouble"
Repare no contador de consumo de barris de petróleo nos EUA no canto superior esquerdo.
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PROTOCOLO DE ESGOTAMENTO DO PETRÓLEO: O LIVRO

A proposta para a implementação de um protocolo internacional que promova uma utilização mais racional de um recurso escasso e fundamental como é o petróleo foi lançada em livro. Visa esclarecer governos, empresas e cidadãos sobre as tremendas consequências do pico petrolífero para a civilização moderna. Aqui pode ler um excerto em português do Relatório feito para o Departamento da Energia dos EUA: "PEAKING OF WORLD OIL PRODUCTION:IMPACTS, MITIGATION, & RISK MANAGEMENT"
Cada pessoa pode dar a sua contribuição para a implementação deste protocolo. Veja como (em inglês)
«O Protocolo do Esgotamento do Petróleo (Oil Depletion Protocol) proporciona um caminho para o futuro. Ele foi redigido pela Association for the Study of Peak Oil (ASPO).
A ideia do Protocolo é essencialmente directa: países importadores de petróleo concordariam em reduzir as suas importações numa porcentagem anual ajustada (a Taxa de Esgotamento do Petróleo Mundial, World Oil Depletion Rate ), ao passo que os países exportadores concordariam em reduzir a sua taxa de exportações de acordo com a sua Taxa de Esgotamento nacional.
O conceito de Taxa de Esgotamento é talvez o aspecto técnico mais desafiador do Protocolo, apesar de ser fácil apreende-lo se se pensar um pouco. Cada país tem claramente uma dotação finita de petróleo dada pela natureza. Assim, quando o primeiro foi extraído, há consequentemente um a menos deixado para o futuro.
Aquilo que é deixado para o futuro consiste de dois elementos:
primeiro, quanto permanece em campos petrolíferos conhecidos, denominado Reservas Remanescentes (Remaining Reserves);
e segundo, quanto ainda há para ser descoberto no futuro (denominado Ainda por Descobrir, Yet-to-Find ).
Quanto é o Ainda por Descobrir pode ser razoavelmente estimado através da extrapolação da tendência de descobertas do passado.
A Taxa de Esgotamento é igual à quantidade anual actualmente a ser extraída dividida pelo total do Ainda por Produzir (Yet-to-Produce).
A Noruega é um país que relata estimativas de reservas excepcionalmente exactas. O total produzido até à data é de 18,5 mil milhões de barris (Gb), e 11,3 Gb permanecem em campos conhecidos, com cerca de 2 deixados por descobrir, o que dá um total arredondado de 32 Gb. Segue-se que 13,5 Gb restam por produzir. Em 2004, foram extraído 1,07 Gb, o que dá uma Taxa de Esgotamento de 7,9 por cento (1,07/13,5).
Deve ser enfatizado que as actuais estimativas de Reservas que estão no domínio público são grosseiramente inconfiáveis, e uma das finalidades do Protocolo é assegurar melhor informação. A Taxa de Esgotamento estimada para cada país, e finalmente para o Mundo como um todo, é sujeita a revisão quando se torna disponível melhor informação, mas a resultante correcção da Taxa de Esgotamento não será grande, provocando provavelmente uma variação de menos de um porcento. O Protocolo de Esgotamento exigiria aos importadores que reduzissem as suas importações de acordo com a Taxa Mundial de Esgotamento (que é de 2,5 porcento) a cada ano a fim de por a procura em equilíbrio com a oferta mundial. Tal como declarado antes, os exportadores reduziriam a sua produção de acordo com a sua Taxa de Esgotamento nacional. Assim, a Noruega reduziria a sua produção em 7,9 porcento a cada ano (a produção daquele país já está a declinar a uma taxa ainda mais elevada). A imposição sobre os países produtores não representa um grande fardo, uma vez que de qualquer forma poucos agora aumentam a sua taxa de produção, e muitos estão a experimentar produção declinante por razões puramente geológicas, como é o caso da Noruega e dos EUA. Concordar em produzir menos petróleo não inibiria a exploração porque novas descobertas reduziriam a Taxa de Esgotamento nacional, e isso permitiria uma taxa de exportação mais elevada do que seria o caso antes das mesmas. O principal impulso do Protocolo seria no sentido de exigir aos importadores que cortassem importações, mas a inclusão dos produtores nas disposições estimularia maior cooperação entre as duas facções. Qualquer produção nativa num país que fosse um importador líquido provavelmente não proporcionaria àquele país uma vantagem injusta, pois a produção dentro da maior parte dos países importadores já está a declinar a uma taxa mais alta do que a Taxa de Esgotamento Mundial. Como os importadores tratariam internamente da restrição de importação seria da sua própria competência (embora estratégias tanto para obter ofertas de combustíveis alternativos e para reduzir a procura por petróleo sem dúvida fossem necessárias).» in "Como evitar guerras petrolíferas, terrorismo e colapso económico" de Richard Heinberg
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quinta-feira, agosto 03, 2006

Energia Nuclear: uma análise multidisciplinar.

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"A Economia do Hidrogénio": uma miragem!

Existe uma tendência popular para desvalorizar as consequências do esgotamento das fontes de energia fósseis, como o petróleo ou o gás natural, baseada na crença que uma qualquer solução tecnológica virá inexoravelmente em nosso auxílio.
O hidrogénio é uma das "soluções" mais citadas. O problema é que o hidrogénio não é uma fonte de energia, mas apenas um "transportador" ("carrier") ou armazenador de energia. Isto porque o hidrogénio, apesar de ser um elemento muito abundante no universo, não existe em estado puro na Terra. Tem que ser extraído dos hidrocarbonetos como o gás natural ou da água (ler "O mito da economia do hidrogénio"), por um processo chamado electrólise, que requer o consumo de electricidade. Este processo implica grandes perdas de eficiência, como o demonstra o estudo "The Future of the Hydrogen Economy: Bright or Bleak?" . Embora o hidrogénio e as "fuel cells" possam ter aplicações pontuais interessantes, não parece que possam vir a constituir uma alternativa séria às fontes de energia fóssil.
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