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segunda-feira, agosto 24, 2009

A reabilitação dos "Trolleybus"



Imagem: exemplo de Mérida (Venezuela) - Trolmérida

Este artigo da Low-tech Magazine dá conta do ressurgimento dos trolleybus (ou Troleicarros). Estes têm inúmeras vantagens em relação aos eléctricos ou metros de superfície. São flexíveis (não ficam parados ao primeiro automóvel mal estacionado) e o investimento necessário é muito menor. A densidade de cabos eléctricos era um dos inconvenientes dos trolleys, sobretudo em cruzamentos. Actualmente, com a utilização de baterias ou de trolleybus híbridos com motores a diesel é possível minimizar esse problema. É uma opção que as autoridades deveriam repensar.
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sexta-feira, maio 30, 2008

Travelling Light: o renascimento do velho dirigível?

Um dos sectores onde são necessárias medidas para diminuir as emissões de CO2 é o do transporte aéreo. De qualquer modo, mesmo pondo de parte o problema das alterações climáticas, o transporte aéreo de massas baseado nos combustíveis fósseis está condenado. O progressivo aumento do preço do petróleo levará à estagnação e declínio do avião como meio de transporte aéreo. No entanto, não desmoralizemos! Poderá ser a oportunidade para o regresso do velho Zepellin.
George Monbiot escreveu um interessante artigo sobre a possibilidade do regresso dos "airships", os "cruzeiros do ar".
Nos anos trinta, os dirigíveis chegaram a transportar dezenas de milhares de pessoas. O malogrado Hindenburgo podia transportar uma carga útil de 200 toneladas.

«[...] dès 1910 la compagnie aérienne DELAG transportait des passagers en Allemagne (134 028 voyageurs entre 1910 et 1914). Dans les années trente, une ligne sur Rio de Janeiro et une liaison régulière sur New York deux fois par semaine existaient à partir de Ludwigshaffen. Il n'y eut jamais d'accident avec des morts civils sauf lors de l'incendie du Hindenburg en 1937 due à des causes externes à la technique: les Etats-Unis refusaient de livrer de l'hélium, gaz ininflammable, au régime nazi» in L'illusion de la fatalité technique - Alain Gras

É verdade que é um transporte bem mais lento que o avião, mas, se calhar, temos que nos mentalizar que a sustentabilidade talvez implique menos pressa.

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sábado, setembro 01, 2007

Os transportes públicos: que critério de eficiência?



Quando se avalia a eficiência das empresas de transporte público, o lucro ("Lucro das empresas públicas cresceu 4 vezes") não deve ser a variável essencial da análise (1). E isto porquê?
O transporte público tem várias finalidades. Uma delas é proporcionar mobilidade a custo razoável para largos segmentos da sociedade que de outro modo dificilmente teriam capacidade para se deslocarem para o trabalho, para a escola, para o centro de saúde, etc.. Ou seja, tem um fim social (se bem que, mesmo neste caso, a dimensão económica seja também muito importante: uma cidade imóvel não pode ser competitiva).


Mas o transporte público cumpre também outros papéis.


O crescimento dos grandes centros urbanos traz consigo o congestionamento de tráfego, o consumo de enormes quantidades de combustíveis fósseis (Diário Económico: “Portugal desperdiça 60% da energia que consome” ;“a actual estrutura de consumo portuguesa faz com que cada aumento de um dólar no preço do barril implique uma subida da factura energética à razão de 140 milhões de dólares por ano”) até problemas de saúde relacionados com a poluição atmosférica.
Estes problemas estão associados sobretudo à utilização do automóvel como meio privilegiado de mobilidade. Inerentes a cada um destes problemas estão associados custos difusos (
externalidades negativas) que, embora de difícil quantificação, deviam de algum modo entrar para a demonstração de resultados das empresas prestadoras de transporte público. Ou seja, se os custos difusos da mobilidade em automóvel particular fossem tidos em conta, por cada pessoa que mudasse para o modo de transporte público (2), a respectiva empresa transportadora deveria ter uma compensação (real ou fictícia, neste último caso apenas para aferir da tal eficiência ou utilidade do serviço prestado). Infelizmente, nestes tempos de liberalismo fundamentalista e iliteracia económica gritante em tantos dirigentes e formadores de opinião, este tipo de abordagem não tem grande adesão.

No entanto, com o advento do Protocolo de Quioto e a urgência de combater as alterações climáticas, foi posta em prática a avaliação económica da poluição, com a atribuição de um valor monetário à tonelada de CO2e (unidade que resulta da conversão do efeito de estufa de outros gases).(3)

Por exemplo, o Relatório Stern sobre a economia das alterações climáticas ("Stern Review on the economics of climate change", 2006) atribui um custo social (no sentido de custo para toda a sociedade, o tal custo difuso) ao CO2 equivalente a cerca de 85 dólares (63€): «Each tonne of CO2 we emit causes damages worth at least $85, butemissions can be cut at a cost of less than $25 a tonne.» Ver notícia aqui.

A um nível mais limitado, o do comércio de emissões de CO2, este tem uma cotação diária que sofre oscilações mas que já atingiu valores superiores a 30€.


Ou seja, para as empresas dos sectores que foram obrigados a aderir ao CELE (Comércio Europeu de Licenças de Emissão), os custos da poluição já entram efectivamente nas demonstrações de resultados e a tendência será para aumentarem, com as negociações Pós-Quioto (após 2012) a exigirem reduções de emissões mais severas (
Comissão Europeia propôs uma redução unilateral de GEE para UE de 20% até 2020).

Deste modo, o transporte público assume uma importância económica acrescida e devia ser objecto de orientação política estratégica (aqui, o caso de Helsínquia). Deviam ser fixados objectivos para a redução do tráfego automóvel considerando até, para a sua prossecução, a hipótese da gratuitidade (ou quase gratuitidade; é evidente que a gratuitidade seria apenas para os passes sociais; viajantes ocasionais, como turistas, continuariam a pagar) do transporte público sem prejudicar a sua qualidade. Os custos teriam evidentemente que ser cobertos via Orçamento de Estado e/ou receitas municipais (provenientes da cobrança de, por exemplo, portagens urbanas, coimas, etc.).

Num país onde o apego ao automóvel é muito grande e os preços dos passes sociais não são despiciendos (exemplo de tarifários de passes intermodais – região de Lisboa; para muitos, a despesa com o passe poderá representar mais de 10% do seu rendimento mensal!), existe frequentemente um desincentivo real para a utilização do transporte público (por exemplo, o número de passageiros transportados pela Carris no último quinquénio foi sempre a descer). De modo que, por todas as razões enunciadas, a hipótese da gratuitidade, ainda que transitória, merece a devida consideração numa "estratégia de choque" para alterar a situação presente.

Existe o preconceito de que o serviço público, sobretudo se fôr gratuito, tem tendência a perder qualidade. Ora, a privatização de transportes públicos , nomeadamente do transporte ferroviário, noutros países (Ler "Privatização dos transportes públicos ferroviários" de Miguel B. Araújo, do blogue Ambio), revelou o contrário quanto aos padrões de qualidade do serviço. De qualquer modo, em termos da aferição da eficiência da gestão e prestação do serviço, a qualidade teria que ser sempre uma das variáveis a considerar. Para isso também é fundamental a qualidade dos gestores nomeados para as administrações.

Notas:

(1) Isto não quer dizer que seja irrelevante olhar para os custos operacionais das empresas de transporte. Uma boa gestão é absolutamente fundamental. A este propósito, ler este artigo de Nuno Ribeiro da Silva. Acho apenas que campanhas de "marketing", embora importantes, sem dúvida, não chegam.

(2) - Transporte Colectivo de Passageiros versus Transporte Individual

«As vantagens do Transporte Colectivo de Passageiros versus Transporte Individual são evidentes, tendo em conta que os indicadores por passageiro x km, a nível energético e ambiental são, comprovadamente, muito inferiores.
A título de exemplo:
O automóvel consome, em média, 3 a 4 vezes mais energia primária por passageiro x km transportado, que o autocarro.
As emissões de dióxido de carbono (CO2) por passageiro x km são, em média, 3 a 4 vezes superiores para o automóvel, relativamente ao autocarro. Numa análise quantitativa, as emissões poluentes por passageiro x km do automóvel são, pelo menos, 10 vezes mais do que as do autocarro.» Fonte: Carris

(3) - O cálculo das emissões de CO2 dos transportes não oferece dificuldades de maior. Um conversor como este, resolve o problema.


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quarta-feira, julho 25, 2007

Inundações em Inglaterra, alterações climáticas e transportes públicos

Eis um exemplo da incapacidade dos governos adequarem as políticas de forma coerente com a preocupação que proclamam em relação às Alterações Climáticas. É o tal falso consenso que não se traduz em acções concretas:
«The Government accepts that global warming is the likely cause, but seems incapable of doing anything to curb it. For example, one billion pounds is being removed from subsidies to the privatised train companies which sum will be made up in increased fares, which therefore must increase the use of cars.
Similarly, the private water companies were discouraged from building larger drains and sewage systems, because this would have increased water charges. And no one dare suggest decreased water or rail company profits. And the same profit-driven logic will apply to the building of new houses.» in "Independent" . Ver também aqui. Recomendo também este "post" do blogue "Ambio", intitulado "Privatização dos transportes públicos ferroviários"
Sobre a ligação entre a precipitação extrema e as Alterações Climáticas de origem antropogénica, ver referência ao artigo publicado hoje na "Nature", "Rainfall changes linked to human activity", e respectivo blogue de discussão.
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sexta-feira, junho 01, 2007

Transportes Públicos Gratuitos? Demagógico ou Racional?

Uma boa forma de debatermos é partindo de questões simples.

O Bloco de Esquerda, numa das propostas de uma das moções (pág. 13) à sua Convenção Nacional defende o seguinte: "Defendemos uma rede de transportes públicos gratuita"
O que vos parece?
Uma ideia louca, irresponsável, demagógica, inexequível, económico-financeiramente desastrosa?
ou
Uma proposta racional, responsável, economicamente viável e lúcida.
Digam de vossa justiça!
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