quinta-feira, maio 08, 2008

O que é o Ultraliberalismo?


A propósito desta discussão no Klepsýdra, por vezes não é fácil perceber o real significado de chavões como neoliberalismo ou ultraliberalismo, quando falamos de sistemas económicos. Estamos realmente a falar de quê?

Nesta citação, retirada do capítulo Deteriorating Oil and Food Security de um livro já aqui referido, encontramos uma pista interessante:

«Darrin Qualman, Director of Research for the National Farmer´s Union of Canada says, "The problem isn´t simply Peak Oil ... . The problem is the combination of Peak Oil and an economy system in which ... «no one is in control». Ours is a system where it is no one´s job to look past next year´s profits, to take stock of how this year´s production might affect next decade´s weather, ... where we become ever more dependent on energy despite the fact that no one is keeping an eye on the fuel gauge.»

Ora, quando ninguém tem o sistema sob controle, a tendência é para que vença o mais forte, para que se tenda para o caos, para que o interesse público seja preterido face a interesses particulares, para que interesses imediatos se sobreponham aos de gerações futuras, etc.
Quando a afectação de recursos é deixada exclusivamente ao critério do mercado, a ética não conta e por isso vemos, por exemplo, que pouco importa que se morra de fome se for economicamente mais rentável utilizar cereais para produzir combustível.

5 comentários:

VRMendes disse...

Qual será então a estratégia para combater este ultraliberalismo quando as pessoas no seu todo aderem na perfeição a este sistema? Isto é, comem e calam, não pensando, quanto mais preocuparem-se com as gerações futuras.
Chega-se a dizer que o último a sair que feche a porta.
Os Governos estão rendidos ao capital, em consequência os salários são miseráveis, proliferam o futebol e as telenovelas e inventaram-se as top model para a promoção das dietas tão a jeito.
Só uma revolução mas isso também me parece estar devidamente bem acautelado. Diga-me porque eu não prevejo altruísmos, bem pelo contrário, o Mundo está egoísta.

José M. Sousa disse...

È verdade que uma boa parte do Mundo está egoísta e existe o risco de esse egoísmo aumentar. Também penso que muitos que ainda alimentam expectativas muitas altas sobre o futuro poderão vir a ter um choque. Por outro lado, um grande número também já percebeu que está a viver pior do que a geração dos pais e anseia por mudanças, mas ainda não se revê nem se mobiliza politicamente no espectro partidário existente. Infelizmente, o discurso político, mesmo nos partidos mais progressistas ainda está demasiado preso ao passado e a linguagem algo hermética.
A questão que levanta sobre o egoísmo e o futuro é complexa, mas uma coisa é certa: a gravidade dos desafios que enfrentamos e a interdependência é tal que o egoísmo representa suicídio. A cooperação é a única saída possível. Cabe a cada um de nós fazer a sua parte, que será sempre pouca. As pessoas precisam de conhecimento, de dados, de saber o que se está a passar; quando isso acontecer, a cadeia aumentará, espero; caso contrário, o futuro será sombrio, admito!

VRMendes disse...

Concordo com o seu comentário mas vai demorar muitas dezenas de anos, senão centenas.
As gerações futuras terão que encontrar uma só Doutrina Universal que não tenha qualquer relacão com cultos ou religiões.
É um ponto de vista e uma opinião.
Obrigado pela sua resposta.

José M. Sousa disse...

Talvez não leve assim tanto tempo; as mudanças estão a ocorrer ao um ritmo inaudito; é no campo da crise ambiental em sentido lato (energia, alterações climática, água, alimentação, etc.)que virá a imposição de pressões no sentido de, ou mudamos ou colapsamos:

Recomendo esta conferência havida na Fundação Gulbenkian e entrevista ao Prof. Timothy O'Riordan

José M. Sousa disse...

Sim, compreendo o que quer dizer com Doutrina Universal, mas basicamente o princípio pode ser muito simples: considerar que a preservação do nosso Planeta, encarado como o nosso único santuário no Universo, é uma tarefa comum a toda a Humanidade e que isso obriga a ultrapassar a mesquinhez dos nacionalismos, etc. Este é um caminho que já se vai fazendo mas ao qual ainda falta massa crítica.

Obrigado pelo estímulo do seu comentário