sexta-feira, outubro 12, 2007
A Vingança de Gaia - James Lovelock
quarta-feira, outubro 10, 2007
Dia da Dívida Ecológica - Ecological Debt Day
Só para exemplificar, segundo o "think-tank" New Economics Foundation, se todos os habitantes da Terra tivessem os mesmos padrões de consumo dos norte-americanos, seriam necessários 5,3 planetas Terra para os manter, sendo de 3,1 para a França e Grã-Bretanha, 3 para a Espanha, 2,5 para a Alemanha e 2,4 para o Japão. A adopção das taxas de consumo da China, apesar de todo o seu crescimento económico, ainda seria comportável nos limites do planeta, 0,9 (Ver aqui). No entanto, como sabemos, países como a China e a Índia aspiram legitimamente a níveis de vida superiores, sendo de esperar um agravamento da Dívida Ecológica. Manifestamente temos que repensar os nossos modelos de consumo, caso contrário deparar-nos-emos com o colapso.
"The world will no longer be divided by the ideologies of 'left' and 'right,' but by those who accept ecological limits and those who don't."
sábado, setembro 08, 2007
"Vida fora de controlo" - as consequências das plantas e animais geneticamente modificados
Este documentário pôde ser visto na SIC Notícias (deve repetir).
Ver a este propósito, este engraçado e mordaz vídeo "The Colbert Report - Milk & Hormones" da Comedy Central.
sábado, setembro 01, 2007
Os transportes públicos: que critério de eficiência?
Quando se avalia a eficiência das empresas de transporte público, o lucro ("Lucro das empresas públicas cresceu 4 vezes") não deve ser a variável essencial da análise (1). E isto porquê?
O transporte público tem várias finalidades. Uma delas é proporcionar mobilidade a custo razoável para largos segmentos da sociedade que de outro modo dificilmente teriam capacidade para se deslocarem para o trabalho, para a escola, para o centro de saúde, etc.. Ou seja, tem um fim social (se bem que, mesmo neste caso, a dimensão económica seja também muito importante: uma cidade imóvel não pode ser competitiva).
Mas o transporte público cumpre também outros papéis.
O crescimento dos grandes centros urbanos traz consigo o congestionamento de tráfego, o consumo de enormes quantidades de combustíveis fósseis (
Estes problemas estão associados sobretudo à utilização do automóvel como meio privilegiado de mobilidade. Inerentes a cada um destes problemas estão associados custos difusos (externalidades negativas) que, embora de difícil quantificação, deviam de algum modo entrar para a demonstração de resultados das empresas prestadoras de transporte público. Ou seja, se os custos difusos da mobilidade em automóvel particular fossem tidos em conta, por cada pessoa que mudasse para o modo de transporte público (2), a respectiva empresa transportadora deveria ter uma compensação (real ou fictícia, neste último caso apenas para aferir da tal eficiência ou utilidade do serviço prestado). Infelizmente, nestes tempos de liberalismo fundamentalista e iliteracia económica gritante em tantos dirigentes e formadores de opinião, este tipo de abordagem não tem grande adesão.
No entanto, com o advento do Protocolo de Quioto e a urgência de combater as alterações climáticas, foi posta em prática a avaliação económica da poluição, com a atribuição de um valor monetário à tonelada de CO2e (unidade que resulta da conversão do efeito de estufa de outros gases).(3)
Por exemplo, o Relatório Stern sobre a economia das alterações climáticas ("Stern Review on the economics of climate change", 2006) atribui um custo social (no sentido de custo para toda a sociedade, o tal custo difuso) ao CO2 equivalente a cerca de 85 dólares (63€): «Each tonne of CO2 we emit causes damages worth at least $85, butemissions can be cut at a cost of less than $25 a tonne.» Ver notícia aqui.
A um nível mais limitado, o do comércio de emissões de CO2, este tem uma cotação diária que sofre oscilações mas que já atingiu valores superiores a 30€.
Ou seja, para as empresas dos sectores que foram obrigados a aderir ao CELE (Comércio Europeu de Licenças de Emissão), os custos da poluição já entram efectivamente nas demonstrações de resultados e a tendência será para aumentarem, com as negociações Pós-Quioto (após 2012) a exigirem reduções de emissões mais severas (Comissão Europeia propôs uma redução unilateral de GEE para UE de 20% até 2020).
Deste modo, o transporte público assume uma importância económica acrescida e devia ser objecto de orientação política estratégica (aqui, o caso de Helsínquia). Deviam ser fixados objectivos para a redução do tráfego automóvel considerando até, para a sua prossecução, a hipótese da gratuitidade (ou quase gratuitidade; é evidente que a gratuitidade seria apenas para os passes sociais; viajantes ocasionais, como turistas, continuariam a pagar) do transporte público sem prejudicar a sua qualidade. Os custos teriam evidentemente que ser cobertos via Orçamento de Estado e/ou receitas municipais (provenientes da cobrança de, por exemplo, portagens urbanas, coimas, etc.).
Num país onde o apego ao automóvel é muito grande e os preços dos passes sociais não são despiciendos (exemplo de tarifários de passes intermodais – região de Lisboa; para muitos, a despesa com o passe poderá representar mais de 10% do seu rendimento mensal!), existe frequentemente um desincentivo real para a utilização do transporte público (por exemplo, o número de passageiros transportados pela Carris no último quinquénio foi sempre a descer). De modo que, por todas as razões enunciadas, a hipótese da gratuitidade, ainda que transitória, merece a devida consideração numa "estratégia de choque" para alterar a situação presente.
Existe o preconceito de que o serviço público, sobretudo se fôr gratuito, tem tendência a perder qualidade. Ora, a privatização de transportes públicos , nomeadamente do transporte ferroviário, noutros países (Ler "Privatização dos transportes públicos ferroviários" de Miguel B. Araújo, do blogue Ambio), revelou o contrário quanto aos padrões de qualidade do serviço. De qualquer modo, em termos da aferição da eficiência da gestão e prestação do serviço, a qualidade teria que ser sempre uma das variáveis a considerar. Para isso também é fundamental a qualidade dos gestores nomeados para as administrações.
Notas:
(1) Isto não quer dizer que seja irrelevante olhar para os custos operacionais das empresas de transporte. Uma boa gestão é absolutamente fundamental. A este propósito, ler este artigo de Nuno Ribeiro da Silva. Acho apenas que campanhas de "marketing", embora importantes, sem dúvida, não chegam.
(2) - Transporte Colectivo de Passageiros versus Transporte Individual
«As vantagens do Transporte Colectivo de Passageiros versus Transporte Individual são evidentes, tendo em conta que os indicadores por passageiro x km, a nível energético e ambiental são, comprovadamente, muito inferiores.
A título de exemplo:
O automóvel consome, em média, 3 a 4 vezes mais energia primária por passageiro x km transportado, que o autocarro.
As emissões de dióxido de carbono (CO2) por passageiro x km são, em média, 3 a 4 vezes superiores para o automóvel, relativamente ao autocarro. Numa análise quantitativa, as emissões poluentes por passageiro x km do automóvel são, pelo menos, 10 vezes mais do que as do autocarro.» Fonte: Carris
(3) - O cálculo das emissões de CO2 dos transportes não oferece dificuldades de maior. Um conversor como este, resolve o problema.
quinta-feira, agosto 23, 2007
"Agflação" / "Agflation"
"The stage is now set for direct competition for grain between the 800 million people who own automobiles, and the world's 2 billion poorest people."
«Anger boiled over this week as Jean Ziegler, the UN special rapporteur on the right to food, accused the US and EU of "total hypocrisy" for promoting ethanol production in order to reduce their dependence on imported oil. He said producing ethanol instead of food would condemn hundreds of thousands of people to death from hunger.»
No entanto, os enormes excedentes agrícolas, gerados pela Política Agrícola Comum europeia e pelos apoios governamentais aos agricultores norte-americanos, foram lançados nos mercados internacionais durante décadas a preços muito reduzidos provocando a ruína dos agricultores de inúmeros países cuja principal fonte de rendimento era a agricultura.
Acresce a tudo isto os desafios sobre a produção alimentar que as Alterações Climáticas virão trazer. Segundo a FAO, é provável o aumento do risco de fomes.
Claro que numa perspectiva tecnocrática bem intencionada tudo poderia correr pelo melhor se a vontade política fosse esclarecida, se a cooperação internacional funcionasse na perfeição, se a corrupção e a ganância não existissem e se a informação/formação dos consumidores fosse perfeita em todos os cantos do mundo. São muitos ses!
Será nesta perspectiva mais ou menos tecnocrática, creio eu, que se poderá incluir este relatório da FAO, "Environment and agriculture".
Nele se analisa a urgência de conciliar as necessidades crescentes por alimentos da Humanidade (que se projecta venha a crescer 50% até 2050) com a preservação da biodiversidade e ainda com a pressão exercida sobre estes dois objectivos resultante da procura crescente por biocombustíveis. Segundo a própria FAO, são "trade-offs"/equilíbrios muito difíceis. De modo que talvez fosse mais sensato admitirmos que algo tem de mudar no "business-as-usual".
sábado, agosto 18, 2007
Biopirataria no Brasil: o saque de um país fenomenalmente rico
Numa conversa casual com um brasileiro que me cortava o cabelo, ele queixava-se que o salário mínimo brasileiro não chegava ao 400 reais (cerca de 140 €)
Ao meu comentário de que, no entanto, o Brasil deveria ser um dos paises mais ricos do mundo, ele respondeu : ah sim, agora com o petróleo e os transgénicos a coisa deve melhorar.
Acontece que o problema do Brasil é sobretudo institucional: a corrupção e o saque do país em favor de uma elite nacional associada a interesses externos. Não é de transgénicos que o Brasil precisa. Precisa sim de preservar a sua extraordinária biodiversidade, que para além das dimensões éticas e estéticas tem também um gigantesco valor comercial. Conheci um professor de Belas Artes do Estado do Piauí que se lamentava da família ter perdido uma fazenda onde, em tempos, produzia a cera de carnaúba, se bem me lembro, que, disse-me ele, tinha sido usada na produção de discos, antes do petróleo se ter imposto.
Tudo isto vem a propósito de um fenómeno moderno que assola o Brasil e outros países com riquezas semelhantes: a biopirataria. Este texto "Florestas Saqueadas" ilustra bem o problema. A questão aqui não é contra o aproveitamento comercial da biodiversidade, mas contra a sua exploração sem regras, pirata, e sem preocupação pelo futuro.
quarta-feira, agosto 15, 2007
As ameaças do mundo actual
De facto todos estes tópicos estão, de algum modo, relacionados e exigem uma resposta global, que falta ainda encontrar, mas de que já existem alguns sinais nos movimentos sociais internacionais.
Algumas das ideias
1 - "O terrorismo não é a maior ameaça enfrentada pelo mundo."
2- "As alterações climáticas são o mais grave motivo de preocupação"
4- "A procura de recursos, especialmente petróleo, está a provocar conflitos e a gerar insegurança"
5- "Se queremos evitar um futuro altamente instável, precisamos de repensar todas as nossas políticas de segurança"
Este livro dá muitas pistas para propor, obrigar, os governos em geral, e do G8 em especial, alterações radicais nas suas políticas de segurança e externa.
Não chega às 100 páginas, vale a pena ler!
sábado, agosto 11, 2007
Antibióticos
segunda-feira, agosto 06, 2007
A máquina negadora (The denial machine)
sábado, agosto 04, 2007
quarta-feira, agosto 01, 2007
Vídeos de discussão sobre alterações climáticas pela Royal Society
quarta-feira, julho 25, 2007
A indústria petrolífera reconhece incapacidade para satisfazer procura a prazo
"My father rode a camel. I drive a car. My son flies a jet-plane. His son will ride a camel."
Saudi Arabian saying
«Humanity is approaching an unprecedented crisis when not enough oil and gas will be produced to keep industrial civilisation running, the world's top oilmen warned last week.
The warning – which is being hailed as a "tipping point" on both sides of the Atlantic – marks the first time that the industry has accepted that it may soon no longer be able to meet demand for its products. In "Facing the Hard Truths about Energy" (sumário do relatório a verde), it gives authoritative support to concern about impending shortages, following a similar alert by the International Energy Agency less than two weeks ago.
The 420-page report, the most comprehensive study ever carried out into the industry, has been produced by the National Petroleum Council, a body of 175 authorities that reports to the US government. It includes the heads of the world's big oil companies including ExxonMobil, Chevron, ConocoPhillips, Occidental Petroleum, Shell and BP.
It is also remarkable for the conversion of its chairman, Lee Raymond, the recently retired chief executive of ExxonMobil, who led opposition against action to tackle global warming, and became environmentalists' most prominent bogeyman. The report argues for "an effective global framework" to manage emissions of carbon dioxide – "incorporating all major emitters" – and urges the US to cut the pollution that causes climate change.
The report concludes that "the global supply of oil and natural gas from the conventional sources ... is unlikely to meet ... growth in demand over the next 25 years". It says that "many observers think that 80 per cent of existing oil production will need to be replaced by 2030" to keep up present supplies "in addition to volumes required to meet existing demand." But, it adds, there are "accumulating risks to replacing current production and increasing supplies".
Though vast amounts of oil and gas remain underground, "complex challenges" and "global uncertainties" are likely to put an end to "the sufficient, reliable and economic energy supplies upon which people depend". And the crunch could come sooner, with oil production becoming "a significant challenge as early as 2015". This chimes with the International Energy Agency's prediction that oil supplies could become "extremely tight" in five years.
The predictions should send a shiver down humanity's collective spine as a shortage of oil and gas has been predicted to cause industrial collapse, market crashes, resource wars and a rise in poverty. Some forecast that fascist regimes will rise out of the chaos.
Chris Skrebowski, editor of the Energy Institute's Petroleum Review, said the report's publication showed the industry "'fessing up that it really has a problem on its hands". Until now, he said, "companies, full of share options, have been terrified of frightening the markets" by revealing the truth.
The report says the fuel efficiency of cars should be increased "at the maximum rate possible" and there should be a crackdown on 4x4s. It calls for "aggressive energy efficiency standards for buildings, and measures to "set an effective cost for emitting carbon dioxide" to combat global warming.» Artigo retirado do jornal "The Independent"
Análise ao Relatório no Energy Bulletin.
Inundações em Inglaterra, alterações climáticas e transportes públicos
Similarly, the private water companies were discouraged from building larger drains and sewage systems, because this would have increased water charges. And no one dare suggest decreased water or rail company profits. And the same profit-driven logic will apply to the building of new houses.» in "Independent" . Ver também aqui. Recomendo também este "post" do blogue "Ambio", intitulado "Privatização dos transportes públicos ferroviários"
sexta-feira, julho 20, 2007
AS ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS: A EXIGÊNCIA DE UM NOVO PARADIGMA
Isto significa um cenário em que a democracia, a paz, a qualidade de vida, o bem estar económico, a esperança de vida e a própria sobrevivência estarão ameaçados num horizonte temporal não muito longínquo se não se alterar radicalmente a forma como produzimos, consumimos e convivemos à escala do planeta.
As Alterações Climáticas são, em parte, o resultado de um modelo de “desenvolvimento” acelerado. A obsessão pelo crescimento desenvolveu uma infra-estrutura energética que é responsável pela aceleração do tempo: estamos a provocar desequilíbrios com um potencial de destruição catastrófico e irreversível à escala do tempo da Civilização.
Torna-se portanto necessário desacelerar, inverter o rumo em direcção ao abismo.
A luta contra as Alterações Climáticas só será eficaz se tivermos uma perspectiva ética que envolva toda a Humanidade (quer à escala micro da nossa vida quotidiana quer à macro escala das relações entre nações), porque nunca como agora a Humanidade esteve tão interdependente (Ver "Um só Mundo - A Ética da Globalização"). E desta vez, pelo menos, não se trata de um lugar-comum afirmá-lo.
As Alterações Climáticas exigem uma nova, ou renovada, forma de pensar em várias áreas da política.
A obsessão com a competitividade tem que dar lugar à cooperação: a partilha de recursos, tecnologias, culturas, é essencial sob pena de cairmos numa situação do tipo “Tragédia dos Comuns”: o egoísmo e a falta de confiança mútua entre os povos leva ao desastre. Há uma necessidade absoluta de se desenvolver um verdadeiro internacionalismo, de considerar o Planeta como a nossa Pátria, a nossa bandeira!
É preciso combater a ideia de que o terrorismo internacional é a principal ameaça que o mundo ocidental enfrenta (ver "As ameaças do mundo actual") . As despesas militares deverão ser reorientadas para a cooperação internacional, para a investigação científica em novas energias, etc. porque o “novo inimigo” não tem rosto e não pode ser combatido com armas.
Mas a ideia fundamental é que o ritmo de vida tem que desacelerar. No processo da chamada “criação de riqueza” estamos na realidade a destruir a base que nos sustenta, o capital natural (Ler este pequeno e interessante artigo sobre os serviços que a natureza nos presta). Infelizmente, ainda não começámos a inverter esta tendência. Pelo contrário, essa tendência parece agravar-se. Uma forma de desacelerar este processo, é reverter a globalização económica.
Instilar o medo, seja do terrorismo, seja da perda de protecção na saúde, de perda de protecção na reforma, de termos de trabalhar mais, da precariedade do trabalho, etc. tudo isso conduz a um sentimento de insegurança perante o qual o problema das Alterações Climáticas parece insignificante e longínquo. Isto só contribuirá para o seu agravamento e antecipação.
A Humanidade já tem os meios para proporcionar uma vida decente a todos os cidadãos do planeta, e é necessário que se diga isto às pessoas (Ver "Os Limites do Crescimento"). Mas estes meios têm que ser partilhados e utilizados com ponderação, sob pena de se esgotarem rapidamente, como é o caso dos combustíveis fósseis. É necessário estarmos atentos aos "Sinais Vitais" do nosso planeta.
Se uns gastarem desenfreadamente (por ex., os EUA), os outros (por ex., a China) não se convencerão da necessidade de contenção (Ler "Protocolo de Esgotamento do Petróleo") . Em último caso, o conflito armado pode ser o resultado, trágico para todos. E muitos parecem ter esquecido como foi trágica a primeira metade do Séc. XX. A paz e a democracia não são um dado adquirido, no Mundo e na Europa. As teorias do fim da história são absurdas.
A partilha significa mais transportes públicos e menos automóveis, mais bibliotecas, mais espaços públicos de convivência e menos centros comerciais, em suma, mais e melhores serviços públicos. Significa produzir menos desperdício. Dificilmente será compatível com a privatização de largos sectores estratégicos, em que as lógicas de produção e investimento pouco têm a ver com as necessidades reais e com a tal partilha. Trata-se de um problema prático, mais até do que puramente ideológico. Segundo o "Relatório Stern", as alterações climáticas são a maior "falha de mercado" jamais vista. É preciso tirar as devidas ilações desta afirmação. Se o mercado não funcionou, como é possível continuar a defender privatizações sem critério (ou quando este é apenas financeiro, de finanças públicas), sobretudo nos sectores estratégicos.
A motivação de uma GALP privatizada é ter o maior lucro possível, o que a retira de uma lógica global, que é a pública, de redução e equidade do consumo.
A publicidade é uma área que precisa de forte regulamentação e limitação. Os estilos de vida que difunde e estimula, o contínuo apelo ao consumismo individualista. é tudo menos o indicado para ajudar a combater as Alterações Climáticas e a degradação ambiental em geral.
As empresas, em geral, incluindo as públicas (veja-se o caso da Carris com a sua campanha sobre “Sustentabilidade”), parecem encarar a coisa como uma moda, utilizando-a e referindo-se-lhe como algo que fica bem e parece moderno, não passando as medidas que tomam da mera superficialidade. Meras operações de “marketing”, num quadro de “business-as-usual”.É o que se chama de “Greenwashing”, o equivalente verde do branqueamento. Não basta a Carris dizer que é sustentável, são necessárias políticas de transporte coerentes com objectivos temporais para transferir pessoas do transporte particular para o colectivo.
A ideia, difundida nos concertos “Live Earth”, de que é possível combater as Alterações Climáticas sem dor, sem alterar nada de fundamental, é perniciosa. O problema é que se acumularam demasiados erros. Mas não fazer nada é ainda pior. No entanto, uma vez que a mudança seja aceite, muitas das alterações necessárias poderão implicar até uma melhoria da qualidade de vida.
quarta-feira, julho 18, 2007
Sobre a Política
Bertolt Brecht (1898-1956)
Mais citações de Brecht aqui.
sábado, julho 07, 2007
Al Gore/Avaaz/Live Earth Message - Português
sexta-feira, julho 06, 2007
Escolha o biocombustível certo ou o orangotango sofre as consequências
quinta-feira, julho 05, 2007
terça-feira, julho 03, 2007
Privatização da REN: eis mais um exemplo de como se compromete o futuro!
sexta-feira, junho 29, 2007
Especialistas avisam que o perigo de cataclismo climático é bem real!
O jornal "The Independent", em artigo recente, chamava a atenção para a possibilidade da Terra poder estar em perigo eminente em virtude das Alterações Climáticas. Isto porque, segundo um artigo científico publicado por seis eminentes cientistas na "Philosophical Transactions of the Royal Society A" da Academia Real das Ciências do Reino Unido, a subida do nível das águas pode vir a ser de vários metros ainda este século. O estudo, liderado por James Hansen, director do Goddard Institute (NASA), critica o IPCC (organismo das Nações Unidas que avalia as Alterações Climáticas) por subestimar ("apenas" 40 cm durante este século) o potencial do degelo na Gronelândia e Antárctida:«The imminent peril is initiation of dynamical and thermodynamical processes on the West Antarctic and Greenland ice sheets that produce a situation out of humanity’s control, such that devastating sea-level rise will inevitably occur.
With GHGs continuing to increase, the planetary energy imbalance provides ample energy to melt ice corresponding to several metres of sea level per century (Hansen et al. 2005b).»
pág. 26:
As incertezas sobre este processo não nos devem iludir quanto ao caminho a seguir, até porque com os actuais e programados consumos energéticos à escala global (crescimento da China, Índia, etc.), não restam dúvidas, é apenas uma questão de tempo:
«Present knowledge does not permit accurate specification of the dangerous level of human-made GHGs. However, it is much lower than has commonly been assumed. If we have not already passed the dangerous level, the energy infrastructure in place ensures that we will pass it within several decades»

Portugal's Footprint 1961-2003 









