sábado, abril 22, 2006

ENERGIA NUCLEAR , OPÇÃO COM FUTURO?


O debate sobre a energia nuclear ganhou nova actualidade um pouco por todo o mundo, incluindo Portugal. O aumento do preço do petróleo e os receios quanto à segurança do abastecimento das fontes de energia convencionais (petróleo e gás natural), por um lado, e o problema das emissões de gases com efeito de estufa (GEE) associados às Alterações Climáticas, por outro, estão na origem deste ressurgimento.

Há um ponto prévio a ter em conta neste debate. Os recursos energéticos não são ilimitados e a sua utilização tem sempre alguma contrapartida. O recurso excessivo aos combustíveis fósseis está a conduzir às alterações climáticas, a energia nuclear produz resíduos que subsistem por milhares de anos, a construção de grandes barragens hidroeléctricas ou os biocombustíveis competem por terra arável com a produção alimentar, etc.
De facto, se não tomarmos consciência de que é necessário reduzir a intensidade energética e o consumo de recursos nas sociedades modernas, então todas as opções energéticas, incluindo a nuclear, serão porventura insuficientes para satisfazer a procura.

Neste contexto, os defensores da opção nuclear apresentam-na como uma alternativa segura, limpa e económica para responder às necessidades crescentes de energia nas próximas décadas.

Num estudo publicado em 2003 pelo MIT (1) intitulado “O Futuro da Energia Nuclear”, embora se defenda que a energia nuclear poderá contribuir para minorar o problema das emissões de GEE, também se diz que “Não encontrámos e, com base no conhecimento actual, não cremos ser realista esperar que venham a existir novas tecnologias de reactores e de ciclos de combustível que simultaneamente ultrapassem os problemas relativos ao custo, segurança, resíduos e proliferação”. Por exemplo, a opção tecnológica mais económica implica maiores riscos para a gestão dos resíduos a longo prazo.


A proliferação de resíduos acarreta um risco adicional, o do terrorismo internacional. Um relatório parlamentar britânico qualifica o risco de ataques terroristas “impressionante e alarmante”
Quanto à segurança, não parece haver dúvidas de que pouco evoluíu.
Do ponto de vista económico, tanto o estudo do MIT como o estudo da Shell sobre os cenários energéticos para 2050 (2) afirmam claramente que a energia nuclear não é competitiva com as fontes tradicionais num mercado liberalizado, ou seja, sem apoio estatal. É necessário ter em conta não apenas o investimento inicial, mas os custos de manutenção, os custos com o transporte, tratamento e armazenamento de resíduos, e ainda os custos com o desmantelamento ao fim de 40 a 60 anos. A energia nuclear seria competitiva apenas com uma internalização dos custos das emissões de CO2 que rondasse entre os 100-200 US$/tonelada (os valores actuais nas bolsas de transacção de carbono europeias rondam os 30 US$/tonelada). Esta circunstância, no entanto, também é válida para as fontes renováveis de geração de energia eléctrica, em que a eólica, por exemplo, já é competitiva com o gás natural, mesmo sem considerar a emissão de CO2.
O MIT afirma que melhorias nos custos da energia nuclear, embora plausíveis, não foram ainda provadas.
Uma qualidade atribuída ao nuclear, por oposição a algumas renováveis (a eólica, por exemplo) é a sua fiabilidade enquanto gerador de electricidade. O vento é instável e a energia eólica não é armazenável, ao passo que as centrais nucleares garantiriam um fluxo regular e fiável. No entanto, as necessidades de manutenção e a escassez de água (necessária para os reactores) em muitas regiões podem comprometer igualmente essa fiabilidade, como o provam as sete centrais permanentemente encerradas ao longo dos últimos dois anos em todo o mundo.
Finalmente, a questão da energia limpa e dos GEE. Como já vimos, a energia nuclear não é uma energia limpa. Os resíduos radioactivos representam um perigo permanente para a saúde pública ao longo de milhares de anos. Um destacado cientista britânico, baseado no relatório “Avoiding Dangerous Climate Change” (3), considera que uma concentração de 550 ppmv (4) (partes por milhão em volume) de CO2, que serve de base , por exemplo, para os cenários da Shell, acarretaria consequências catastróficas para os ecossistemas. A energia nuclear poderia contribuir para alguma redução na emissão de CO2, mas essa redução teria um impacto limitado (700 novos grandes reactores reduziriam em apenas 1/7 os GEE para estabilizar as emissões em 500 ppmv (5)) e a partir de certo limiar (que se prende com a mineração do urânio) essa vantagem poderia ser anulada por comparação com fontes de produção convencionais, como o gás natural(6). Por outro lado, estimativas oficiais prevêem um acréscimo de apenas 5% na produção de electricidade via nuclear até 2020 a nível mundial para um acréscimo de consumo que poderá ir até 75%. Até lá, pelo menos, outras respostas teriam que ser encontradas para o problema dos GEE.
É preciso sobretudo reduzir as emissões dos transportes e aí a energia nuclear nada adianta.
A conservação e eficiência energética têm que ser a principal aposta. A eficiência pode duplicar, simplesmente pela aplicação de tecnologias já existentes. Outros estudos sugerem uma melhoria por um factor de 4 ou mais. Sistemas de produção de energia eléctrica descentralizada, a antítese do nuclear, como a microgeração de energia (7) utilizando a eólica e o solar, entre outras, têm grande potencial e constituem já parte da estratégia energética, por exemlo, do Reino Unido. Os governos têm aqui um papel importante no sentido de estimular mudanças, através da I&D ou da fiscalidade.
Enfim, existem muitas opções bem mais sustentáveis que o nuclear. Por isso é importante promover o debate público e uma certa pedagogia quanto ao uso da energia.


  • 1 Instituto de Tecnologia de Massachusetts (EUA) “The Future of Nuclear Power” 2003

  • 2 Energy Needs, Choices and Possibilities, 2001

  • 3 Avoiding Dangerous Climate Change

  • 4 actualmente rondam os 379 ppmv, com as consequências que já se notam

  • 5 Worldwatch Institute

  • 6 Estudo sobre emissões de CO2 ligadas à produção de energia nuclear

  • 7 Estratégia para a Microgeração de Energia - Reino Unido

  • Artigo publicado originalmente no Jornal Esquerda nº 10, pág. 12 PDF
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    quarta-feira, março 01, 2006

    O Dólar: alicerce do Império Americano


    Todos os Impérios desenvolveram formas, mais ou menos sofisticadas, de tributarem as regiões por si dominadas, ou sob a sua área de influência. Do puro saque à utilização de mão-de-obra escrava, passando por regras de comércio desiguais impostas pela força até à aplicação de sistemas fiscais predadores. [Ver artigo]
    O Império Americano actual é de uma "espécie" bastante sofisticada, na medida em que, em geral, não depende de um domínio territorial ou económico directo. Funda o seu poder sobre o papel atribuído ao dólar nos Acordos de Bretton Woods de 1944, como base do sistema monetário internacional. Sob a égide deste acordo, o dólar serviu de âncora ao sistema de pagamentos internacionais, pela via da sua convertibilidade numa dada quantidade de ouro. Assente na hegemonia económica e político-miltar adquirida com o fim da Segunda Grande Guerra, o dólar tornou-se moeda de aceitação universal e seguiram-se os "Trinta Gloriosos Anos", caracterizados por forte crescimento económico e pelo "Estado do Bem-Estar" ("Welfare State").
    Em 1971, o Presidente Nixon acabou com a convertibilidade do dólar em ouro. A hegemonia do dólar, no entanto, subsistiu. Só que agora, sem a base material conferida pelo ouro. A gestão da política monetária dos EUA permitiu-lhe lançar na economia mundial uma enorme quantidade de dólares sem qualquer relação com a sua capacidade produtiva, o que se traduziu no enorme défice externo. Na prática, os EUA imprimiam papel (os dólares) e trocavam-nos por bens produzidos no resto do mundo. A aceitação da moeda americana como meio de pagamento universal, tornava-a uma reserva de valor. Era procurada e conservada. Isto implicava uma circulação cada vez maior de dólares fora dos EUA, sem nunca voltarem a este país de modo a reclamar a sua reconversão em algo de real, de substantivo. Nisto, em parte, se baseia o tributo. Os EUA compravam a crédito, a uma taxa de juro nula, décadas a fio, sem nunca terem necessidade de fazer grandes ajustamentos.
    Quando a convertibilidade com o ouro acabou, os EUA arranjaram outra forma de manter a fidelidade dos seus parceiros comerciais em relação ao dólar. Uma série de mercadorias vitais, e sobretudo o petróleo (aceitação do dólar como única moeda de pagamento pela Arábia Saudita e, logo, pela OPEP), passaram a ser denominadas e pagas em dólares por quem quer que as quisesse adquirir no mercado internacional. Sobretudo com os choques petrolíferos, isto consolidou a posição do dólar como moeda dominante.
    Com a criação do euro, este predomínio do dólar começou a ser ameaçado, e o espectro da inflação começou a pairar no horizonte da economia americana. Se, de repente, o euro substituisse o dólar, ainda que parcialmente, como reserva de valor à escala mundial, isso poderia implicar uma "enxurrada" de dólares no mercado cambial e sua consequente desvalorização, com a consequente perda de poder aquisitivo pela economia norte-americana. Era necessário, portanto, evitar a todo o custo que isso sucedesse. E o petróleo é uma peça fundamental. Não o petróleo em si, mas a moeda em que é comercializado. Quem tivesse a veleidade de vender o seu petróleo (sobretudo se se tratasse de um importante exportador) em troca de outra divisa que não o dólar, teria que ser impedido. Foi o que aconteceu ao Iraque!
    A indisposição dos EUA em relação à Venezuela e ao Irão tem, em boa medida, uma origem semelhante. Embora a questão nuclear tenha o seu peso na disputa do Irão com os EUA, o Irão tem projectada uma Bolsa de Petróleo [Ver discussão sobre importância deste assunto na disputa entre EUA e Irão neste artigo que detalha os mecanismos económicos deste relação , neste contra argumento fraco e neste mais sólido] que pretende concorrer com as de Nova Iorque e de Londres. O Irão tem ameaçado negociar em moedas que não apenas o dólar, o que , tratando-se do 4º maior produtor mundial de petróleo e 2º em reservas de gás natural, seria uma ameaça bem maior do que a do Iraque.
    A hegemonia económica dos EUA está assim ameaçada, e existe o risco de mais reacções irracionais, como se revelou a intervenção no Iraque, por parte dos EUA para manter a todo o custo o seu domínio económico predador e dissipador de recursos. No entanto, a prazo, isto obrigará os EUA a um ajustamento doloroso, que na realidade já está a acontecer. Se no fim deste processo, os EUA forem obrigados a uma maior temperança na utilização dos recursos energéticos, talvez isto possa compensar o facto de, por exemplo, não teram aderido ao Protocolo de Quioto.
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    sábado, fevereiro 25, 2006

    Poupança de Energia: sabia que....?

    Numa altura em que se fala muito de poupança de energia, seja por causa do esgotamento das fontes de energia fóssil (petróleo, gás natural, etc.), seja por causa do cumprimento das metas do Protocolo de Quioto e do problema associado das Alterações Climáticas. No momento, também, em que se volta a discutir a opção do nuclear, por pressão de interesses económicos muito particulares, seria útil antes de mais tomarmos consciência da dimensão do desperdício de energia nas sociedades industrializadas.

    Sabia que os aparelhos que são deixados em "standby" nas nossas casas, ou seja, que não são completamente desligados, tais como televisores, computadores, carregadores de telemóveis ligados à tomada, HI-FI´s, leitores de DVD´s, etc, são responsáveis por cerca de 10% do consumo residencial de energia eléctrica?
    Segundo este estudo conjunto da Agência Internacional de Energia (IEA) e da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico), organizações das quais Portugal faz parte, o consumo doméstico de energia eléctrica por aparelhos em "standby" é responsável, nos países membros da IEA, por uma média de 10% do total da procura residencial de energia eléctrica.
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    Os custos da Guerra do Iraque

    Os custos económicos (despesas dos EUA, sem contar a destruição provocada à economia iraquiana) desta guerra imoral e selvagem, para além do sofrimento humano, são gigantescos, como se pode ver no seguinte "link":
    OS CUSTOS DA GUERRA
    A comparação com os recursos necessários para fins sociais ou de ajuda internacional aumenta ainda mais o escândalo que é esta guerra.
    Estes custos são em primeira análise suportados pelos cidadãos norte-americanos, mas dada a hegemonia económica dos EUA no mundo, mais cedo ou mais tarde, todos nós acabaremos por pagar a factura, seja pela via da inflação, seja pela via de taxas de juro mais altas, ou de ambas! Ler mais...

    "A People´s History of the United States"


    Um extraordinário livro sobre a história dos EUA, em boa parte contada na 1ª pessoa pelos sujeitos da mesma. Uma visão diferente da América!

    O autor é Howard Zinn.

    www.peopleshistoryoftheus.com Ler mais...

    quarta-feira, novembro 09, 2005

    A Civilização do Petróleo

    A nossa Civilização Industrial é fundamentalmente fruto de um único recurso não renovável: o petróleo. Em última análise, praticamente tudo o que diz respeito à produção e consumo, seja de bens ou de serviços, depende do consumo de energia, cuja fonte fundamental tem sido o petróleo. As sociedades ocidentais tomaram como natural o consumo desenfreado de energia como se fosse inesgotável. Mas não é! Uma fé cega na tecnologia e no mercado descurou a prudência na utilização de recursos escassos, supondo um futuro milagre que nos proporcionaria com uma varinha mágica a solução para os nossos problemas energéticos. Esta situação, em vez de conduzir a estratégias de conservação e eficiência energética a nível global - com implicações na forma como organizamos as nossas cidades e o território em geral, os nossos transportes e a produção ( sobretudo nas mega cidades, mas também em países como Portugal, onde o centro de cidades como Lisboa se desertifica de povo e de comércio em benefício dos subúrbios, dos mega centros comerciais e de longos e intrincados eixos viários, forçando as deslocações) - continua a agravar-se com a paradoxal adopção do modelo ocidental pelas novas potências económicas emergentes como a China, o Brasil, a Índia, etc..
    O Mundo está a entrar numa fase em que se afiguram duas opções fundamentais: ou continuamos como até aqui com um resultado certo, o colapso da Civilização, ou invertemos drasticamente a organização das nossas sociedades e economia, ganhando tempo até estabilizarmos a população mundial, ao mesmo tempo que investimos mais em investigação para obtenção de energias alternativas.
    Os seguintes dados, retirados de um livro que provocou alguma agitação, merecem séria reflexão.
    (tradução livre)
    «Eis alguns factos salientes sobre a situação global do petróleo:

    • A dotação planetária total de petróleo líquido convencional não renovável era grosso modo de dois biliões de barris antes da humanidade começar a sua exploração. Desde meados do Séc. XIX até hoje, o mundo queimou cerca de um bilião de barris de petróleo, metade do total que jamais existiu, representando a parte mais fácil de obter e a de maior qualidade. A metade que resta inclui o petróleo mais díficil de obter, líquidos de menor qualidade, semisólidos e sólidos.
    • As descobertas de petróleo a nível global atingiram o seu pico em 1964 e têm seguido uma firme linha descendente desde então .

    • A taxa de utilização de petróleo acelerou tremendamente desde 1950. A explosiva taxa de crescimento da população mundial ocorreu em paralelo com as nossas taxas de utilização do petróleo ( na realidade, o petróleo permitiu a explosão populacional).

    • O mundo está agora a utilizar 27 mil milhões de barris de petróleo por ano. Se cada gota do bilião de barris remanescente pudesse ser extraído aos actuais rácios de custos e às actuais taxas de produção - o que é extremamente improvável - a totalidade da dotação existente duraria apenas mais uns 37 anos.

    • Na realidade, uma parte substancial da metade remanescente do petróleo mundial nunca será recuperável.
    • Após o pico de produção, a procura mundial excederá a capacidade mundial de produção de petróleo.
    • Após o pico de produção, o esgotamento prosseguirá a 2 a 6% ao ano, enquanto a população mundial continuará a aumentar (por algum tempo)
    • Mais de 60% do petróleo remanescente situa-se no Médio Oriente.
    • Os Estados Unidos possuem 3% das reservas de petróleo remanescente no mundo, mas consumem 25% da produção diária mundial.
    • Os Estados Unidos ultrapassaram o pico de produção em 1970 com a taxa anual de produção caindo para metade desde então - de cerca de 10 milhões de barris por dia em 1970 para pouco mais de 5 milhões em 2003.
    • O rácio da energia despendida pela indústria petrolífera dos EUA para retirar o petróleo do subsolo relativamente à energia produzida por esse mesmo petróleo caíu de 28:1 em 1916 para 2:1 em 2004 e continuará a cair.»

    in "The Long Emergency - Surviving the converging catastrophes of the twenty-first century"

    James Howard Kunstler

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    terça-feira, outubro 18, 2005

    Avian Influenza - Gripe Aviária

    A revista de divulgação científica "Science & Vie" na sua edição de Fevereiro de 2005 traça um cenário verdadeiramente assustador sobre as consequências que poderão advir de uma pandemia de gripe em resultado de uma mutação do vírus da gripe aviária. Os cientistas afirmam que é praticamente inevitável que, mais cedo ou mais tarde, essa mutação ocorra, permitindo o contágio de pessoa para pessoa. Por enquanto, a estirpe mais perigosa transmite-se unicamente dos animais para as pessoas em contacto muito próximo.
    Segundo a "Science & Vie", as autoridades francesas, por exemplo, estão a levar muito sério esta ameaça. Para ter uma ideia da potencial gravidade desta ameaça, o Instituto Nacional de Vigilância Sanitária francês estima, para o pior cenário, que tal pandemia poderia afectar entre 9 e 21 milhões de franceses, com uma taxa de mortalidade que poderia atingir 70%, ou 6,3 a 14,7 milhões de mortos!
    É importante que todos levem esta ameaça muito a sério, informando-se e sendo exigente com as autoridades. Esta será a melhor forma de evitar os piores cenários.
    No passado ocorreram gripes deste género, a mais grave em 1918, a chamada Gripe Espanhola. O impacto foi tal que alguns consideram que teve um papel fundamental no derrube de três impérios: Hohenzollerns na Alemanha, Habsburgos na Áustria e Romanovs na Rússia.
    Este tipo de gripe aviária é recorrente e os focos de propagação têm-se localizado no Extremo Oriente, em países como o Vietname, a China, etc. As condições sanitárias deficientes, a pobreza e o contacto directo com os animais facilitam o desenvolvimento e disseminação da doença. Este é um bom exemplo de como vivemos de facto num só mundo, um mundo muito integrado e interdependente.É também a prova de como a cooperação internacional é essencial.
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    quinta-feira, outubro 13, 2005

    O Planeta numa encruzilhada




    A edição especial de Setembro da "Scientific American" debruça-se sobre os caminhos que o Planeta Terra e a nossa Civilização Industrial têm pela frente: desde o Colapso, tema sobre o qual existe uma literatura "florescente", até àquele que soubermos construir de forma consciente e equilibrada. Os tópicos abordados poderão ser encontrados aqui
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    Os Limites do Crescimento

    Em 1972 foi publicado um livro que causou muita polémica e debate : "Os Limites do Crescimento". Este foi o resultado do trabalho de investigação realizado por uma equipa do Massachusetts Institute of Technology (MIT) coordenada por Donella Meadows, a pedido do Clube de Roma, uma associação informal de empresários, estadistas e cientistas.
    Basicamente, afirmou-se na altura que, ao ritmo do crescimento da população, da utilização de recursos naturais, da poluição, etc., por finais do Séc. XXI a Humanidade correria sérios riscos de sobrevivência. Muito se escreveu a desvalorizar os argumentos apresentados, frequentemente deturpando-os. Trinta anos depois surge uma segunda actualização daquela obra: "Limits to Growth - The 30-Year Update".
    A seguinte transcrição resume bem o que está em causa:

    « What the authors said in 1972:

    "If the present growth trends in world population, industrialization, pollution, food production, and resource depletion continue unchanged, the limits to growth in this planet will be reached sometime within the next 100 years. The most probable result will be a rather sudden and uncontrolled decline in both population and industrial capacity"

    How the critics responded:

    "With current and near current technology, we can support 15 billion people in the world at twenty thousand dollars per capita for a millennium - and that seems to be a very conservative statement."
    - Herman Kahn

    "The material conditions of life will continue to get better for most people, in most countries, most of the time, indefinitely. Within a century or two, all nations and most of humanity will be at or above today´s Western living standards."
    - Julian Simon

    The emerging consensus today:
    "Human beings and the natural world are on a collision course. Human activities inflict harsh and often irreversible damage on the environment and on critical resources. If not checked, many of our current practices put at serious risk the future that we wish for human society and the plant and animal kingdoms, and may so alter the living world that it will be unable to sustain life in the manner that we know. Fundamental changes are urgent if we are to avoid the collision our present course will bring about."
    - «"World Scientists" Warning to Humanity» signed by more than 1600 scientists, including 102 Nobel laureates, from 70 countries»
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    quinta-feira, outubro 06, 2005

    Ameaças à Segurança Alimentar

    Por segurança alimentar entende-se, não a segurança ou qualidade dos alimentos mas, a existência de alimentos suficientes para garantir o abastecimento da população mundial.
    A segurança alimentar tem vindo a enfrentar novas ameaças como sejam a redução da biodiversidade, as alterações climáticas, a erosão dos solos, a escassez de água, a prática de uma agricultura industrial, etc.
    No entanto existem formas de contrariar esta tendência:

    Ler: Cultivating Food Security
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    terça-feira, outubro 04, 2005

    Contra a Directiva Bolkestein


    Basicamente, esta directiva pretender liberalizar os serviços na Europa através do nivelamento por baixo dos salários, agravando ainda mais a desigualdade social. Na prática, um médico polaco ou um canalizador eslovaco desempregados nos seus países poderiam vir trabalhar para Portugal auferindo um salário equivalente ao do seus países de origem.
    Proteste subscrevendo a petição
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    quarta-feira, setembro 28, 2005

    Mapa de Portugal do Séc. XXII ?


    Será esta a nova configuração do país no início do Séc. XXII, devida ao aquecimento global?
    Talvez esta simulação seja exagerada, talvez não. Mas é uma simulação que mostra como poderia ser o centro do território português no ano 2100 se o nível das águas do mar subisse. Será que podemos mesmo desvalorizar esta hipótese, sobretudo quando vemos que pouco ou quase nada está a ser feito para combater as alterações climáticas?
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    terça-feira, setembro 27, 2005

    A Suécia


    Não existem sociedades perfeitas, é um facto. No entanto, algumas merecem especial atenção por aquilo que conseguem proporcionar aos seus cidadãos. A Suécia é certamente um desses casos. Embora não seja um país muito rico em termos do seu Produto Interno Bruto “per capita” traduzido em capacidade de poder de compra (20º lugar), figura no entanto na 6ª posição do Índice de Desenvolvimento Humano de 2005, publicado recentemente pelo Programa das Nacões Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). Este índice tem em consideração, para além do tradicional PIB “per capita”, indicadores de saúde e educação, proporcionando assim um retrato mais equilibrado do nível de desenvolvimento de um país.

    O que a situação da Suécia demonstra é que mais desenvolvimento social, um maior bem-estar não se obtém apenas e só com mais rendimento. A Suécia constitui também um modelo que tem incomodado os adeptos de um excessivo liberalismo económico, traduzido no chamado pensamento único do “Consenso de Washington”.
    Este artigo de um jornalista americano é uma descrição interessante da sociedade sueca, por oposição à sociedade americana, símbolo do mercado livre.
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    sexta-feira, setembro 09, 2005

    O Petróleo, outra vez!



    Pode parecer que o autor deste blog está obcecado com o petróleo, mas a verdade é que este tema está longe de ser uma matéria que deva preocupar apenas economistas ou engenheiros. O seguinte artigo , sobre o livro cuja capa aparece aqui ao lado, é bem revelador disso mesmo.

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    quarta-feira, setembro 07, 2005

    Os pés de barro da "Única Super Potência”

    Como dizia ontem na “Sky News” o ex-governador do Estado de Nova Iorque, Mario Cuomo, a reacção das autoridades americanas à catástrofe provocada pelo furacão Katrina revela o profundo desprezo da actual liderança nos EUA em relação aos deveres de Governo, ao dever de zelar pela segurança dos seus cidadãos, enfim, pelo dever de promover uma sociedade mais justa e equilibrada. Isto advém de uma ideologia ultra-liberal, tocando as raias da insanidade, que acredita ou diz acreditar que tudo, em última análise, pode ser resolvido pelo mercado. Na realidade, a ideologia encobre apenas a tentativa da apropriação por uma minoria dos recursos que deveriam ser geridos pelo Estado para o bem geral da comunidade. Exemplos desta prática não faltam, desde a utilização de mercenários na guerra do Iraque à tentativa de privatização total da Segurança Social, passando pela redução de impostos para os ricos. Há uma notável contradição com o discurso securitário a propósito da "guerra contra o terrorismo". Gastam-se milhares de milhões de dólares para se "proteger" os americanos dos terroristas, mas descuram-se os avisos sobre ameaças bem reais como aquela que agora se concretizou em Nova Orleães. Uma questão pode então levantar-se; não será o discurso securitário sobre o terrorismo apenas um bom pretexto para alcançar o tal objectivo da apropriação de recursos públicos por um grupo minoritário, nomeadamente através do reforço de verbas do orçamento para as indústrias de defesa e afins?
    Por outro lado, o Presidente americano parece-se cada vez mais, num certo sentido, com uma espécie de "Ayatollah" do Ocidente. Mais do que governar, apela constantemente à compaixão e à oração; uma das primeiras coisas que disse quando se anunciava o desastre foi para que se rezasse pelas vítimas. O Presidente Pastor! Felizmente, o unanimismo e a reverência em torno da figura do Presidente parece estar a ceder.
    A consequência de tudo isto, no entanto, é uma progressiva decadência da dita super potência. Sob a aparência de riqueza e incontestado domínio tecnológico, irrompe, para espanto de muitos, a miséria e a violência geralmente esquecidas pelos “media”. De repente, todos se apercebem de que, afinal, a linha entre a barbárie e a civilização é muito ténue e que o Estado tem um papel decisivo e insubstituível. Aliás, a classificação dos EUA em 10º lugar no Índice de Desenvolvimento Humano, medida mais abrangente do bem estar que inclui indicadores como a saúde e a educação, apesar de ter um dos maiores PIB "per capita", é também reveladora da crescente polarização da sociedade americana.
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    terça-feira, setembro 06, 2005

    Conheça o Mundo em que Vive

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    BURKINA FASO












    COLÔMBIA












    ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA












    UNIÃO EUROPEIA












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    BRASIL












    CHINA
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    segunda-feira, setembro 05, 2005

    Participe nesta campanha

    Pressione os fabricantes de automóveis a participarem no esforço de redução de gases com efeito de estufa que provocam o aquecimento da atmosfera. Apesar das inovações tecnológicas, os construtores de automóveis continuam a resistir à introdução de padrões mais exigentes na emissão de poluentes Envie a mensagem aqui - TAKE ACTION Ler mais...

    domingo, setembro 04, 2005

    Portugal ajuda EUA com 2% das reservas petrolíferas

    É curioso que um país como o nosso, onde o preço da gasolina já aumentou mais de 25% só este ano, contribua para que o maior consumidor de gasolina do mundo (consome mais de 50% da produção mundial de gasolina!!!) prossiga o esbanjamento de energia. Apesar do desastre no Golfo, os EUA têm petróleo mais que suficiente para as suas necessidades vitais. Se calhar deviam era habituar-se a usarem menos o automóvel. Estamos a falar de um país onde o galão (3.785 litros) custa, em média, menos de três dólares, o que é considerado muito caro. Ou seja, os americanos pagam 63 cêntimos por litro, quando por cá já vai em 1.27 €uros! E em breve pagaremos muito mais! Precisamente devido ao aumento da procura dos EUA no mercado mundial. Ler mais...

    quinta-feira, setembro 01, 2005

    Corrupção e Desenvolvimento

    A corrupção é um forte entrave ao desenvolvimento. O economista do Banco Mundial Daniel Kaufmann no artigo "Dez mitos sobre governação e corrupção" diz que, por exemplo, Portugal poderia atingir os níveis de rendimento da Finlândia se houvesse uma estratégia de combate à corrupção:

    "We estimate that a country that improves its governance from a relatively low level to an average level could almost triple the income per capita of its population in the long term, and similarly reduce infant mortality and illiteracy".

    Ou seja, a longo prazo, um combate eficaz à corrupção e a melhoria da qualidade da governação em geral poderia conduzir a um aumento de quase o triplo no rendimento "per capita". Significativo! Ler mais...

    terça-feira, agosto 30, 2005

    Furacões

    A frequência e intensidade crescentes deste fenómeno na região das Caraíbas e Golfo do México, e no Pacífico Ocidental (designado nesta região por Tufão) poderão estar relacionadas com o aquecimento global (Ler artigo do Serviço Meteorológico EUA: Furacões e Aquecimento Global), nomeadamente com o aumento da temperatura dos oceanos.

    O número de furacões de intensidade máxima (escala de 1 a 5) tem aumentado, com consequências tremendas, não só em perdas humanas, mas também com prejuízos materiais que ameaçam inclusive a estabilidade do sistema financeiro e das economias em geral.
    Furacões como o Katrina, que afectou seriamente quatro Estados do sul dos EUA, poderão custar, só em termos de indemnizações pagas pelas companhias de seguros, 26 mil milhões de dólares. Os custos económicos totais poderão chegar aos 100 mil milhões de dólares (Actualização: poderão ultrapassar os 200 mil milhões de dólares, mais que o PIB português). E este não é o primeiro furacão da época a provocar graves danos. E provavelmente não será o último. Também a indústria petrolífera tem sido sucessivamente afectada por este fenómeno, interrompendo a produção e danificando as plataformas de exploração "off-shore".

    É por estas razões que as companhias de Resseguros levam muito a sério o problema do aquecimento global, visto estarem na linha da frente dos que assumem as perdas. Ver Muniche RE.
    No entanto, os custos destas catástrofes serão progressivamente repercutidos pela economia mundial, sobretudo pela via do aumento dos prémios. Segurar as plataformas petrolíferas, por exemplo, tenderá a ser mais caro.

    Para quem sugere que tomar medidas contra o aquecimento global tem elevados custos económicos, deverá pensar então nos custos económicos desse mesmo aquecimento global, traduzido, entre outros fenómenos, pela violência crescente dos furacões. Ler mais...