sábado, junho 07, 2008

O preço do petróleo e a "deglobalização"


É frequente ouvirmos os políticos no poder, e a maior parte dos jornalistas, falar da inevitabilidade da globalização (da económica/comercial, entenda-se). Parte da própria esquerda (a genuína) contra-ataca, mas parece raciocinar dentro da mesma lógica. A escalada recente do preço do petróleo (subida de 33,2% do preço médio mensal - Europe Brent Spot Price FOB - entre Janeiro e Maio de 2008 ) começa a levantar a questão do impacto dos custos de transporte sobre o comércio internacional. Paul Krugman fala em "Deglobalização".

Um relatório do Canadian Imperial Bank of Commerce (CIBC) - "Will Soaring Transport Costs Reverse Globalisation?" / "Irá a escalada do custo dos transportes reverter a Globalização?" - analisou o impacto do aumento do preço dos combustíveis sobre os fretes e chegou à conclusão que equivalem a um aumento médio de 6% nas tarifas alfandegárias desde 2000 (tendo como referência os EUA). Com o petróleo a 150 dólares, é como se voltássemos aos anos 1970 em termos das tarifas alfandegárias vigentes, 11% em média! Ler resumo do relatório aqui
Este alerta vinha a ser lançado de há muito (ver aqui), com pouco impacto sobre os "media" e os fazedores de opinião "mainstream". Talvez seja altura de reconsiderarem.

1 comentário:

AVCarvalho disse...

(Por se relacionar com o presente texto, deixo aqui também o comentário que elaborei para o 'Quebrar sem Partir')
Não há dúvida que o disparo do preço do petróleo e a consequente crise energética veio agitar as águas mornas ‘desta’ política e sobretudo a pacata modorra em que a rapaziada alegremente se comprazia. Pelos vistos, e mais cedo do que eu pensava, o “modo de vida ocidental” começa a ser posto em causa de forma peremptória e generalizada (globalizada?). O petróleo parece estar, pois, a desencadear convulsões de imprevisíveis consequências (pelo menos na sua dimensão e calendarização), que podem passar por eventuais guerras e alterações sociais e políticas, inimagináveis até há poucos meses! A visão mirífica de uma expansão económica contínua, liberal e globalizada, parece caminhar agora para um pesadelo de contornos ainda muito indefinidos. Os próximos tempos vão ser muito elucidativos do rumo que tudo isto vai tomar.
Naturalmente tenho acompanhado o importante labor – analítico, informativo, didáctico e até prospectivo (no sentido de antecipar efeitos e esboçar tendências) – que o meu amigo tem vindo a desenvolver, com grande mérito, no «Futuro Comprometido» que já me habituei a visitar regularmente. As referências e ligações que aí nos proporciona demonstram-se, regra geral, de muita utilidade para uma compreensão mais ampla do que (nos) está a acontecer.
Assim, o seu esforço para descobrir diversificados e valiosos contributos que ajudem a esclarecer melhor o enquadramento geral que se vai desenhando, redobra de importância. Aliás, devia apelar, antes, ao esforço de quantos evidenciam alguma consciência sobre esta situação, embora no que me toca, eu tenha o ‘handicap’ de ‘arranhar’ mal o inglês (sou um produto ainda do predomínio da aculturação francesa). Contudo, cá estou também para ir acompanhando, reflectindo, confrontando, colaborando no que me for possível.