Contudo, segundo os dados de outra agência norte-americana, a NOAA (National Oceanic and Atmospheric Administration), o ano de 2007 foi "apenas" o 5º mais quente. De notar que "Seven of the eight warmest years on record have occurred since 2001"
terça-feira, janeiro 22, 2008
2007: ano mais quente no Hemisfério Norte
Contudo, segundo os dados de outra agência norte-americana, a NOAA (National Oceanic and Atmospheric Administration), o ano de 2007 foi "apenas" o 5º mais quente. De notar que "Seven of the eight warmest years on record have occurred since 2001"
sábado, janeiro 19, 2008
Plan B - Lester Brown
Lester R. Brown, Plan B (2003)
Lester R. Brown publicou recentemente Plan B 3.0 - Mobilizing to Save Civilization, o livro está disponível online, por capítulos. Destaque para "The Great Mobilization":
«Shifting Taxes and Subsidies
sexta-feira, janeiro 18, 2008
Entrevista ao Prof. Delgado Domingos
Hipocrisia em torno do Tata Nano
Esta do New York Times e esta do WP são de rir, vindo do país donde vem, ao que se diz, o mais rico, tecnologicamente avançado país do mundo, onde o desprezo pelo transporte público é generalizado!
De qualquer modo, a avaliar sobretudo pelo artigo do Washington Post, o Nano poderá ter o condão de fazer os americanos perceberem que há aqui um problema muito sério e que para ter solução exige compromissos e uma postura ética.
O Progresso
Martin Luther King Jr. Ler mais...
quinta-feira, janeiro 17, 2008
Bush admite Pico Petrolífero?!
Note-se, como é referido, que apesar do suposto esforço de aumento de produção da Arábia Saudita, a produção aumentou apenas 1.5 milhões barris/dia(mb/d) em dez anos, ao passo que a procura cresceu 10(mb/d).
O Protocolo de Quioto está em vigor
Commitments under the Kyoto protocol / Compromissos de redução de emissões sob o Protocolo de Quiotoquarta-feira, janeiro 16, 2008
2008: Ano Internacional da Batata
terça-feira, janeiro 15, 2008
Filosofia, Fé e Ciência
in "Edge"
segunda-feira, janeiro 14, 2008
A Antárctida também está a derreter mais rapidamente...
domingo, janeiro 13, 2008
"The mother of all energy crises"

"The mother of all energy crises" de Robert L. Hirsch
«[...] um declínio de 1% na produção mundial de petróleo criaria uma redução de 1% no PIB mundial. Mesmo reconhecendo o facto de que a precisão é impossível em tais matérias, é preocupante contemplar o impacto da escassez mundial de petróleo a crescer a 2% a 5% ao ano ao longo de um longo período. »
«o público terá de tornar-se consciente do problema; segundo, teremos de substituir nosso actual e excessivamente complicado método de tomada de decisão — em todo o mundo; e terceiro, grandes compromissos terão de ser feitos e seguidos. As tarefas pela frente serão dantescas;»
sexta-feira, janeiro 11, 2008
Platão sobre a Política

"One of the penalties for refusing to participate in politics is that you end up being governed by your inferiors."
"A penalização por não participares na política, é acabares a ser governado pelos teus inferiores"
Platão
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segunda-feira, janeiro 07, 2008
2007: a temperatura continua alta!
Petróleo: 2007 em revista
Entretanto, as apostas (contratos de opções) para o preço do petróleo nos 200 US$, no final deste ano, decuplicaram (notícia da Bloomberg).
sábado, janeiro 05, 2008
Primárias EUA: propostas
Eis o programa de Obama, o de Hillary Clinton e respectivos comentários do Climate Progress aqui, aqui e aqui .
Já agora, as propostas de John Edwards.
quarta-feira, dezembro 19, 2007
Carta de James Hansen a Gordon Brown
terça-feira, dezembro 18, 2007
Jared Diamond: o estado do ambiente no Mundo
segunda-feira, dezembro 17, 2007
Bali, o Nobel da Paz e Al Gore
domingo, dezembro 16, 2007
Closing press briefing (15.12.07)
Ninguém quer admiti-lo, mas a verdade é que esta cimeira foi um fracasso, se tivermos em conta a urgência de começar a dar resposta ao problema (que tem associado processos com uma tremenda inércia, como sejam os investimentos em novas centrais a carvão, e todo uma série de investimentos nos transportes, habitação, energia, etc., que uma vez realizados não podem ser facilmente revertidos) de forma objectiva e concreta não se limitando a declarações de intenções.
sexta-feira, dezembro 14, 2007
Implications of “peak oil” for atmospheric CO2 and climate
Um artigo de que é co-autor James Hansen. Ler mais...
sexta-feira, dezembro 07, 2007
O que é o Progresso?
George Monbiot, "What is Progress?" Ler mais...
terça-feira, dezembro 04, 2007
O divórcio não é verde
A REALLY INCONVENIENT TRUTH: DIVORCE IS NOT GREEN
Os divorciados têm uma maior pegada ecológica. A Igreja Católica ainda se lembra desta....
segunda-feira, novembro 12, 2007
Entrevista do Financial Times a Fatih Birol (economista-chefe da Agência Internacional de Energia)

Finalmente, a AIE vem admitir dificuldades (WEO 2007) com o abastecimento do petróleo face à crescente procura. Vale a pena ler as principais passagens da entrevista e comentários de "Jerome a Paris" aqui.
Fatih Birol alerta que são necessárias mudanças drásticas desde já para reduzir o consumo de energia, quer por razões de segurança energética, quer por causa das alterações climáticas. Vem admitir que o pico do petróleo fora da OPEP já passou e incertezas quanto ao nível das reservas da OPEP, coisa que Matthew Simmons vinha há muito a dizer.
Vindo de quem vem, uma organização ligada aos países da OCDE, tradicionalmente conservadora nas suas avaliações e que ainda há pouco tempo desvalorizava os alertas, dá que pensar e deveria fazer reflectir o nosso governo. Mas ainda mais significativas são as afirmações dos CEO's da Conoco Phillips e da BP sugerindo que as previsões de procura da AIE de 116 mb/d para 2030 são absurdas e que não acreditam que alguma vez a produção ultrapasse os 100 mb/d.
sábado, novembro 10, 2007
Perspectivas para a aviação comercial num contexto de escassez de petróleo
Conclusões:
• Current aviation forecasts are unrealistic
• Direct effects of fuel prices much less important for aviation than impact on GDP and travel and cargo demand
• Aviation sector must accelerate fuel efficiency and synfuel alternatives; however, these are necessary but not sufficient
• Peak oil will transform aviation sector from a rapidly growing to a declining industry
• Some aviation firms will survive and adapt; others will not
• Implications are dire for aviation and all travel dependent industries
• Implications for world economies of declining GDP are severe
• Nevertheless, a large aviation industry will survive, and “forecasts of its death have been greatly exaggerated”
• We will still be able to get “fresh strawberries in February” – but they will be fewer and much more expensive
sexta-feira, novembro 09, 2007
segunda-feira, novembro 05, 2007
China: o grande passo para trás
Os problemas ambientais da China estão a aumentar e o país está a tornar-se rapidamente um dos maiores poluidores do mundo. A situação continua a deteriorar-se porque, mesmo quando Pequim define objectivos ambiciosos para defesa do ambiente, os responsáveis locais geralmente ignoram-nos, preferindo concentrar-se em promover o crescimento económico.
Uma real melhoria do ambiente na China irá exigir reformas políticas e económicas revolucionárias que partam de baixo para cima ("bottom-up").
A poluição da água e a sua escassez estão a pesar sobre a economia, o aumento dos níveis da poluição do ar está a pôr em perigo a saúde de milhões de chineses, e uma boa parte do território está a transformar-se rapidamente num deserto. A China tornou-se líder mundial na poluição do ar e da água e na degradação do solo, e um dos principais responsáveis por alguns dos mais incómodos problemas ambientais globais tais como o comércio ilegal de madeira, a poluição marítima e as alterações climáticas. À medida que os grandes problemas de poluição da China aumentam, assim, também, os riscos para a sua economia, saúde pública, estabilidade social e reputação internacional. Como avisou, em 2005, Pan Yue , vice ministro da Agência de Protecção Ambiental Estatal da China , "* O milagre [económico] acabará em breve porque o ambiente não consegue acompanhar o ritmo"*
Com o aproximar dos Jogos Olímpicos de 2008, os líderes chineses aumentaram a sua retórica, estabelecendo objectivos ambientais ambiciosos, anunciando níveis mais elevados de investimento ambiental e exortando os líderes empresariais e funcionários locais a limparem as suas áreas. O resto do mundo parece aceitar que a China está a trilhar um novo curso : quando a China se declara aberta aos negócios amigos do ambiente, funcionários governamentais nos EUA, UE e Japão interrogam-se não sobre se, mas quanto investir.
Infelizmente, muito deste entusiasmo deriva de uma crença generalizada mas errónea de que tudo o que Pequim ordena se cumpre. O governo central define a agenda nacional, mas não controla todos os aspectos da sua implementação. Na realidade, os responsáveis locais raramente dão ouvidos às directivas ambientais de Pequim, preferindo concentrar as suas energias e recursos na promoção do crescimento económico. A verdade é que para mudar o panorama ambiental na China será necessário algo muito mais difícil do que fixar metas e gastar dinheiro. Exigirá reformas politico-económicas revolucionárias da base para o topo.
Por um lado, os líderes chineses precisam de tornar mais fácil para os responsáveis locais e para os industriais fazer o mais correcto no que diz respeito ao ambiente, dando-lhes os incentivos certos. Ao mesmo tempo, precisam de suavizar as restrições políticas que impuseram sobre os tribunais, as organizações não governamentais e a comunicação social, de forma a permitir a estes grupos tornarem-se executores independentes da protecção ambiental.
Pecados de emissão
O rápido desenvolvimento da China, frequentemente descrito como um milagre económico, tornou-se um desastre ambiental. O crescimento recorde necessariamente requer um consumo gigantesco de recursos, mas na China o uso de energia tem sido particularmente "sujo" e ineficiente, com graves consequências para o ar, terra e água do país.
O carvão que tem alimentado o crescimento económico chinês, por exemplo, está também a sufocar o seu povo. O carvão providencia 70% das necessidades energéticas da China: o país consumiu cerca de 2,4 mil milhões de toneladas em 2006 – mais do que os EUA, Japão e o Reino Unido combinados. Em 2000, a China previu que duplicaria o consumo de carvão em 2020; agora, espera-se que venha a fazê-lo até ao fim deste ano. O consumo na China é gigantesco em parte porque é ineficiente: como um funcionário chinês relatou ao "Der Spiegel" em princípios de 2006, "para produzir bens no valor de $10,000 necessitamos de 7 vezes mais recursos que os usados pelo Japão, quase 6 vezes mais recursos utilizados pelos EUA e – uma fonte particular de embaraço – quase três vezes mais recursos do que a Índia"
Entretanto, esta dependência do carvão está a devastar o ambiente na China. O país alberga 16 das 20 cidades mais poluídas do mundo, e 4 das piores dentre elas estão na província rica em carvão de Shanxi, no nordeste da China. Tanto quanto 90% das emissões de dióxido de enxofre da China e 50% das suas emissões de partículas são o resultado da utilização do carvão. As partículas são responsáveis por problemas respiratórios entre a população, e a chuva ácida, causada pelas emissões de dióxido de enxofre, cai sobre um quarto do território e um terço das terras agrícolas, diminuindo a produção e degradando os edifícios.
Ainda assim, o uso do carvão pode, em breve, ser o menor dos problemas de qualidade do ar na China. A explosão dos transportes coloca um desafio crescente à qualidade do ar na China. As construtoras chinesas estão a desenvolver mais de 52.700 milhas de novas auto-estradas pelo país fora. Cerca de 14.000 novos carros chegam às estradas chinesas em cada dia. Em 2020, espera-se que a China venha a ter 130 milhões de automóveis, e em 2050 – ou talvez já em 2040 – que venha a ter mais automóveis que os EUA. Pequim já paga um alto preço por esta "explosão". Num inquérito de 2006, os chineses classificaram Pequim como a 15ª cidade da China com melhor qualidade de vida, caindo do 4ª lugar que ocupava em 2005, sendo esta queda da responsabilidade do aumento do tráfego e da poluição. Os níveis de partículas suspensas no ar são agora seis vezes superiores em Pequim do que Nova Iorque.
Os planos de urbanização em grande escala da China só agravarão estes problemas. Os líderes chineses planeiam transferir 400 milhões de pessoas – equivalente a bem mais que toda a população dos EUA – para novos centros urbanos entre 2000 e 2030. No processo, irão erguer metade de todos os edifícios que se espera venham a ser construídos em todo o mundo neste período. Esta é uma perspectiva problemática tendo em conta que os edifícios chineses não são energético-eficientes – na realidade, são cerca de duas vezes e meia menos que os da Alemanha. Além disso, os novos chineses urbanos, que usam aparelhos de ar condicionado, televisores, e frigoríficos, consomem cerca de três vezes e meia mais energia que os que vivem no campo. E, embora a China seja um dos maiores produtores mundiais de painéis solares, lâmpadas fluorescentes e janelas energético-eficientes, a maior parte é produzida para exportação. A não ser que uma fracção acrescida destes equipamentos economizadores de energia fique no país, o "boom" de construção resultará numa explosão do consumo de energia e da poluição.
O solo na China tem sofrido também os efeitos de um desenvolvimento sem limites e a negligência do ambiente. Séculos de desflorestação acompanhados de pastoreio intenso e sobrecultivo das terras aráveis, deixaram grande parte do norte e noroeste da China seriamente degradado. No último meio século, ainda por cima, as florestas e terras agrícolas tiveram que dar lugar à indústria e às cidades em expansão, resultando na diminuição dos rendimentos das colheitas, na perda de biodiversidade e em alterações climáticas locais. O Deserto de Gobi, que agora envolve grande parte do oeste e norte da China, está a expandir-se a cerca de 1900 milhas quadradas por ano; alguns relatórios afirmam que apesar dos esforços agressivos de reflorestação de Pequim, um quarto de todo o país é agora deserto. A Administração Florestal do Estado estima que a desertificação atinge 400 milhões de chineses, fazendo de milhões deles refugiados ambientais em busca de novos lares e empregos. Entretanto, grande parte do solo arável na China está contaminado, levantando a preocupação quanto à segurança dos alimentos. Crê-se que tanto quanto 10% dos terrenos agrícolas estão poluídos, e cada ano 12 milhões de toneladas de cereal estão contaminadas com metais pesados absorvidos pelo solo.
Riscos relacionados com a água
E depois há o problema relacionado com o acesso à agua potável. Apesar da China possuir os quartos maiores recursos de água doce do mundo (depois do Brasil, Rússia e Canadá), a enorme procura, sobreuso, ineficiências, poluição e distribuição desigual levaram a uma situação na qual dois terços das cerca de 660 cidades chinesas têm menos água da que necessitam e 110 sofrem de graves carências. Segundo Ma Jun, especialista em águas, várias cidades perto de Pequim e Tianjin, na região nordeste do país, poderão ficar sem água dentro de 5 a 7 anos.
A crescente procura é parte do problema, mas é-o também o enorme desperdício. [...].
A poluição está também a ameaçar as fontes de abastecimento de água da China. As águas subterrâneas, que fornecem 70% do total de água potável do país, estão sob a ameaça de uma variedade de fontes, desde a poluição das águas à superfície, locais de deposição de resíduos a pesticidas e fertilizantes. Segundo uma nota da agência noticiosa governamental Xinhua, os aquíferos de 90% das cidades chinesas estão poluídos. Mais de 75% da água dos rios que passa por áreas urbanas é considerada imprópria para beber ou pescar, e o governo chinês considera cerca de 30% da água que corre pelos rios do país desadequada para a agricultura e a indústria. Em consequência, quase 700 milhões de pessoas bebe água contaminada com resíduos humanos e animais. O Banco Mundial concluiu que a incapacidade em fornecer plenamente 2/3 da população rural com água canalizada é a causa principal da mortalidade infantil até aos 5 anos e é responsável por tanto quanto 11% dos casos de cancro gastrointestinal.
[...].
Os líderes chineses estão também crescentemente preocupados acerca de como as alterações climáticas poderão exacerbar a situação ambiental doméstica. Na Primavera de 2007, Pequim publicou o seu primeiro relatório nacional de avaliação sobre as alterações climáticas, prevendo uma quebra de 30% na precipitação em três das sete maiores regiões fluviais da China – em torno dos rios Huai, Liao e Hai – e uma quebra de 37% nas produções de trigo, arroz e milho, na segunda metade do século. [...] E tanto cientistas chineses como internacionais avisam agora que devido à subida do nível do mar, Xangai poderá ser submersa em 2050.
Danos Colaterais
Os problemas ambientais da China estão já a afectar o resto do mundo. O Japão e a Coreia do Sul sofrem há muito os efeitos das chuvas ácidas provocadas pelas centrais eléctricas a carvão, e das tempestades de poeira vindas de leste através do Deserto de Gobi na Primavera, espalhando uma poeira amarela tóxica pelas suas terras. [...]. A agência dos EUA para a protecção ambiental (EPA) estima que em alguns dias, 25% das partículas na atmosfera em Los Angeles são originárias da China. Os cientistas também rastrearam os crescentes níveis de mercúrio no solo dos EU até às centrais eléctricas a carvão e às fábricas de cimento na China. (Quando ingerido em quantidades significativas, o mercúrio pode provocar deficiências congénitas e problemas de desenvolvimento)[notícia relacionada: Baby Born with Birth Defects Every 30 Seconds] . Calcula-se que 25 a 40% de todas as emissões de mercúrio no mundo vêm da China.
O que a China despeja nas suas águas está também a poluir o resto do mundo. De acordo com a ONG WWF, a China é agora o maior poluidor do Oceano Pacífico. [...] A China liberta cerca de 2,8 mil milhões de toneladas de água contaminada para o Bo Hai (mar ao longo da costa norte da China) e o conteúdo em metais pesados nas lamas no seu leito é agora 2.000 vezes superior aos próprios níveis de segurança oficiais. A apanha de lagostim caiu 90% nos últimos 15 anos. Em 2006, nas províncias pesadamente industrializadas do sudeste, Guangdong (Cantão) e Fujian, quase 8,3 mil milhões de toneladas de esgoto sem tratamento foi lançado no oceano, um aumento de 60% face a 2001. Mais de 80% do Mar da China Oriental, um dos maiores bancos de pesca do mundo, está agora classificado como impróprio para a pesca, face a 53% em 2000.
Além disso, a China já está a atrair a atenção internacional pela sua rapidamente crescente contribuição para as alterações climáticas. De acordo com um relatório de 2007 da Agência Holandesa de Avaliação Ambiental, a China já ultrapassou os EUA como maior contribuidor mundial de dióxido de carbono, um dos principais gases com efeito de estufa, para a atmosfera. A não ser que a China repense a sua utilização das várias fontes de energia e adopte tecnologias de ponta eco-eficientes, alertou Fatih Birol, economista-chefe da Agência Internacional da Energia, em 25 anos a China emitirá o dobro de dióxido de carbono que todos os países da OCDE combinados.
Os parceiros económicos da China no mundo em desenvolvimento enfrentam um fardo adicional resultante das suas actividades económicas. As multinacionais chinesas, que exploram recursos naturais em África, América Latina, e Sudeste Asiático de forma a alimentar a continuada ascensão económica chinesa, estão a devastar os “habitats” destas regiões nesse processo. A fome chinesa por madeira explodiu na última década e meia, e particularmente desde 1998, quando inundações devastadoras levaram Pequim a impor restrições no abate doméstico de árvores. A importação de madeira pela China mais que triplicou entre 1993 e 2005. Segundo o WWF , a procura da China por madeira, papel e pasta de papel irá provavelmente aumentar cerca de 33% entre 2005 e 2010.
A China é já o maior importador do mundo de madeira abatida ilegalmente : uns estimados 50% das suas importações de madeira são reportadas ilegais. O abate ilegal é especialmente prejudicial para o ambiente porque atinge frequentemente florestas raras e antigas, faz perigar a biodiversidade e ignora práticas florestais sustentáveis. Em 2006, o governo do Cambodja, por exemplo, ignorou as suas próprias leis e atribuiu à companhia Wuzhishan LS Group uma concessão de 99 anos que era 20 vezes maior que o tamanho permitido pela lei cambodjana. As práticas da empresa, incluindo a dispersão de grandes quantidades de herbicida, desencadearam repetidos protestos por parte da população local. Segundo a ONG internacional Global Witness, as companhias chinesas destruiram grandes porções da floresta ao longo da fronteira Sino-Birmanesa e estão agora a deslocar-se em direcção ao interior das florestas da Birmânia em busca de madeira. Em muitos casos, a actividade de abate ilícito decorre com o apoio activo de funcionários locais corruptos. Funcionários dos governos centrais da Birmânia e da Indonésia, países onde os madeireiros da China são activos, protestaram contra tais práticas, mas as melhorias foram limitadas. Estas actividades, juntamente com as das companhias mineiras e de energia, levantam sérias preocupações ambientais para muitas populações locais do mundo em desenvolvimento.
Na perspectiva dos líderes chineses, contudo, os danos ao ambiente em si mesmos são um problema secundário. Reveste de maior preocupação para eles os seus efeitos indirectos: a ameaça que colocam à continuação do milagre económico chinês e à saúde pública, estabilidade social, e reputação internacional do país. Tomados em conjunto, estes desafios poderiam minar a autoridade do Partido Comunista.
Os líderes chineses estão peocupados acerca do impacto do ambiente sobre a economia[notícia realcionada: China Announces $14.5B Lake Cleanup] . Vários estudos conduzidos quer dentro, quer fora, da China, estimam que a degradação ambiental e a poluição custam à economia chinesa entre 8 a 12% do PIB por ano. Os meios de comunicação social da China publicam frequentemente os resultados de estudos sobre o impacto da poluição na agricultura, na produção industrial ou na saúde pública: poluição da água custa 35.8 mil milhõesde dólares (mm$) ano, poluição do ar custa 27.5 mm$ e mais e mais, com os desastres climáticos (26.5 mm$), as chuvas ácidas (13.3 mm$), a desertificação (6mm$), ou culturas danificadas pela poluição dos solos (2.5mm$). A cidade de Chongqing, nas margens do rio Yangtze, estima que lidar com os efeitos da poluição da água na sua agricultura e na saúde pública custa tanto quanto 4.3% do PIB anual da cidade. A província de Shanxi tem visto os seus recursos em carvão carburar o resto do país ao passo que paga o preço com as árvores enfezadas, o seu ar e água contaminados e o afundamento das suas terras (land subsidence). As autoridades locais estimam os custos da degradação ambiental e da poluição em 10.9% do PIB anual da província e pediram a Pequim compensação para a província pela sua “contribuição e sacrifício”.
O Ministério Chinês da Saúde Pública está também a soar o alarme com crescente urgência. Num inquérito a 30 cidades e 78 distritos, tornado público na Primavera, o ministério atribuía à crescente poluição do ar e da água o dramático aumento por todo o país da incidência do cancro: um aumento de 19% nas áreas urbanas e de 23% nas áreas rurais desde 2005. Um instituto de pesquisa afiliado da SEPA colocou o número total de mortes prematuras na China causadas por doenças respiratórias relacionadas com a poluição do ar em 400.000 por ano. Mas esta pode ser uma estimativa conservadora : segundo um projecto de pesquisa conjunto entre o Banco Mundial e o governo chinês publicado este ano, o número total de tais mortes é de 750.000 por ano. (Diz-se que Pequim não quis divulgar este último número por receio de que incitasse à inquietação social).
Menos bem documentado, mas potencialmente ainda mais devastador, é o impacto sobre a saúde da poluição da água na China. Hoje, 190 milhões de chineses estão doentes por beberem água contaminada. Ao longo de todos os grandes rios chineses, as aldeias relatam grandes aumentos das taxas de doenças ligadas à diarreia, cancro, tumores, leucemia, etc.
A inquietação social em relação a estes assuntos é crescente. Na Primavera de 2006, um alto funcionário do ambiente, Zhou Shengxian, anunciou que houve 51.000 protestos relacionados com a poluição em 2005, o que corresponde a cerca de 1.000 protestos por semana. As queixas dos cidadãos acerca do ambiente, expressas através de linhas de contacto oficiais ou por carta a funcionários locais, têm aumentado a uma taxa de 30% ao ano; Provavelmente ultrapassarão as 450.000 em 2007. Mas poucas terão uma resolução satisfatória, de maneira que pelo país fora um número crescente de pessoas protesta nas ruas. Durante vários meses em 2006, por exemplo, os residentes de 6 aldeias vizinhas na província de Gansu mantiveram protestos repetidamente contra as fundições de zinco e ferro que eles acreditavam estar a envenená-los. Metade dos 4.000 a 5.000 aldeões exibiam doenças relacionadas com o chumbo, variando da deficiência em vitamina D a problemas neurológicos.
Muitas das manifestações são relativamente pequenas e pacíficas. Mas quando falham, os manifestantes recorrem por vezes à violência. Após tentarem durante 2 anos obter compensação, através de petições ao nível local, provincial e mesmo junto de funcionários do governo central, pela suas colheitas estragadas e ar envenenado, na Primavera de 2005, 30.000 a 40.000 aldeãos da província de Zhejiang invadiram 13 fábricas químicas, partindo janelas, derrubando autocarros, atacando funcionários do governo e incendiando carros da polícia. O governo enviou 10.000 membros da “Polícia Armada do Povo” em resposta. Foi ordenado o encerramento das fábricas, e vários activistas ambientais que tentaram monitorizar o cumprimento da ordem foram mais tarde detidos. Em geral, os líderes chineses têm conseguido evitar - ainda que por vezes violentamente – que o descontentamento em relação aos problemas ambientais se propague para além das fronteiras provinciais ou se transforme em exigências de mais amplas reformas políticas. [...]
terça-feira, outubro 30, 2007
Apresentação de James Lovelock na Royal Society

Climate Change on the living Earth.
the 2007 IPCC report may underestimate the seriousness of the changes due this century.»
quarta-feira, outubro 24, 2007
terça-feira, outubro 23, 2007
Os problemas energéticos: uma das maiores ameaças deste século
No relatório "Lighting the Way: Toward a Sustainable Energy Future" afirma-se que o rumo actual é insustentável e analisam-se as opções do hidrogénio, biocombustíveis, nuclear, etc. Muitas destas tecnologias não resolverão por si nenhum problema. Há um forte incentivo ao desenvolvimento das energias renováveis, mas afirma-se que é necessário combater o desperdício e a ineficiência. Para tudo isto é absolutamente essencial uma conjugação de esforços a nível internacional, sem a qual nenhuma solução poderá ser encontrada. Quem pense, por exemplo, que é possível vedar à China o acesso ao petróleo e gás natural sem daí advirem problemas graves para o resto do mundo, não está ciente de que isso só levará a China a usar ainda mais carvão para as suas necessidades energéticas, com as consequências que se conhecem sobre o clima e a necessidade urgente de reduzir as emissões de CO2.
domingo, outubro 21, 2007
Perspectivas para o preço do petróleo: 100 US$ no fim do ano?
Crude Oil Breaches $90 a Barrel on Dollar Drop Against Euro
Ainda há dias, 3 de Outubro, o presidente da Partex, apesar de alertar para os problemas energéticos que se avizinham, afirmava, segundo o Jornal de Negócios, que o preço do “Petróleo nos 100 dólares por barril daqui a 2 anos”.
Segundo os entrevistados nestes vídeos, é bem possível que se atinjam aqueles valores em 2 meses.
Esta escalada recente tem razões conjunturais, como a possibilidade de incursão do exército turco no Curdistão iraquiano para retaliar contra o PKK, desestabilizando a única região do Iraque estável e detentora de grandes reservas de petróleo. Outros factores de natureza geopolítica são também muito importantes. Mas parecem já fazer-se sentir razões de natureza ainda mais fundamental. A produção não tem crescido nos últimos dois anos (apesar do aumento do investimento) ao passo que a procura não cessa de aumentar. Há mesmo quem diga que a produção global de petróleo já atingiu o pico e que daqui por diante manter-se-á estável por uns tempos e depois declinará rapidamente. Ver aqui e aqui.
Ver mais aqui.
sexta-feira, outubro 12, 2007
A Vingança de Gaia - James Lovelock
quarta-feira, outubro 10, 2007
Dia da Dívida Ecológica - Ecological Debt Day
Só para exemplificar, segundo o "think-tank" New Economics Foundation, se todos os habitantes da Terra tivessem os mesmos padrões de consumo dos norte-americanos, seriam necessários 5,3 planetas Terra para os manter, sendo de 3,1 para a França e Grã-Bretanha, 3 para a Espanha, 2,5 para a Alemanha e 2,4 para o Japão. A adopção das taxas de consumo da China, apesar de todo o seu crescimento económico, ainda seria comportável nos limites do planeta, 0,9 (Ver aqui). No entanto, como sabemos, países como a China e a Índia aspiram legitimamente a níveis de vida superiores, sendo de esperar um agravamento da Dívida Ecológica. Manifestamente temos que repensar os nossos modelos de consumo, caso contrário deparar-nos-emos com o colapso.
"The world will no longer be divided by the ideologies of 'left' and 'right,' but by those who accept ecological limits and those who don't."
sábado, setembro 08, 2007
"Vida fora de controlo" - as consequências das plantas e animais geneticamente modificados
Este documentário pôde ser visto na SIC Notícias (deve repetir).
Ver a este propósito, este engraçado e mordaz vídeo "The Colbert Report - Milk & Hormones" da Comedy Central.
sábado, setembro 01, 2007
Os transportes públicos: que critério de eficiência?
Quando se avalia a eficiência das empresas de transporte público, o lucro ("Lucro das empresas públicas cresceu 4 vezes") não deve ser a variável essencial da análise (1). E isto porquê?
O transporte público tem várias finalidades. Uma delas é proporcionar mobilidade a custo razoável para largos segmentos da sociedade que de outro modo dificilmente teriam capacidade para se deslocarem para o trabalho, para a escola, para o centro de saúde, etc.. Ou seja, tem um fim social (se bem que, mesmo neste caso, a dimensão económica seja também muito importante: uma cidade imóvel não pode ser competitiva).
Mas o transporte público cumpre também outros papéis.
O crescimento dos grandes centros urbanos traz consigo o congestionamento de tráfego, o consumo de enormes quantidades de combustíveis fósseis (
Estes problemas estão associados sobretudo à utilização do automóvel como meio privilegiado de mobilidade. Inerentes a cada um destes problemas estão associados custos difusos (externalidades negativas) que, embora de difícil quantificação, deviam de algum modo entrar para a demonstração de resultados das empresas prestadoras de transporte público. Ou seja, se os custos difusos da mobilidade em automóvel particular fossem tidos em conta, por cada pessoa que mudasse para o modo de transporte público (2), a respectiva empresa transportadora deveria ter uma compensação (real ou fictícia, neste último caso apenas para aferir da tal eficiência ou utilidade do serviço prestado). Infelizmente, nestes tempos de liberalismo fundamentalista e iliteracia económica gritante em tantos dirigentes e formadores de opinião, este tipo de abordagem não tem grande adesão.
No entanto, com o advento do Protocolo de Quioto e a urgência de combater as alterações climáticas, foi posta em prática a avaliação económica da poluição, com a atribuição de um valor monetário à tonelada de CO2e (unidade que resulta da conversão do efeito de estufa de outros gases).(3)
Por exemplo, o Relatório Stern sobre a economia das alterações climáticas ("Stern Review on the economics of climate change", 2006) atribui um custo social (no sentido de custo para toda a sociedade, o tal custo difuso) ao CO2 equivalente a cerca de 85 dólares (63€): «Each tonne of CO2 we emit causes damages worth at least $85, butemissions can be cut at a cost of less than $25 a tonne.» Ver notícia aqui.
A um nível mais limitado, o do comércio de emissões de CO2, este tem uma cotação diária que sofre oscilações mas que já atingiu valores superiores a 30€.
Ou seja, para as empresas dos sectores que foram obrigados a aderir ao CELE (Comércio Europeu de Licenças de Emissão), os custos da poluição já entram efectivamente nas demonstrações de resultados e a tendência será para aumentarem, com as negociações Pós-Quioto (após 2012) a exigirem reduções de emissões mais severas (Comissão Europeia propôs uma redução unilateral de GEE para UE de 20% até 2020).
Deste modo, o transporte público assume uma importância económica acrescida e devia ser objecto de orientação política estratégica (aqui, o caso de Helsínquia). Deviam ser fixados objectivos para a redução do tráfego automóvel considerando até, para a sua prossecução, a hipótese da gratuitidade (ou quase gratuitidade; é evidente que a gratuitidade seria apenas para os passes sociais; viajantes ocasionais, como turistas, continuariam a pagar) do transporte público sem prejudicar a sua qualidade. Os custos teriam evidentemente que ser cobertos via Orçamento de Estado e/ou receitas municipais (provenientes da cobrança de, por exemplo, portagens urbanas, coimas, etc.).
Num país onde o apego ao automóvel é muito grande e os preços dos passes sociais não são despiciendos (exemplo de tarifários de passes intermodais – região de Lisboa; para muitos, a despesa com o passe poderá representar mais de 10% do seu rendimento mensal!), existe frequentemente um desincentivo real para a utilização do transporte público (por exemplo, o número de passageiros transportados pela Carris no último quinquénio foi sempre a descer). De modo que, por todas as razões enunciadas, a hipótese da gratuitidade, ainda que transitória, merece a devida consideração numa "estratégia de choque" para alterar a situação presente.
Existe o preconceito de que o serviço público, sobretudo se fôr gratuito, tem tendência a perder qualidade. Ora, a privatização de transportes públicos , nomeadamente do transporte ferroviário, noutros países (Ler "Privatização dos transportes públicos ferroviários" de Miguel B. Araújo, do blogue Ambio), revelou o contrário quanto aos padrões de qualidade do serviço. De qualquer modo, em termos da aferição da eficiência da gestão e prestação do serviço, a qualidade teria que ser sempre uma das variáveis a considerar. Para isso também é fundamental a qualidade dos gestores nomeados para as administrações.
Notas:
(1) Isto não quer dizer que seja irrelevante olhar para os custos operacionais das empresas de transporte. Uma boa gestão é absolutamente fundamental. A este propósito, ler este artigo de Nuno Ribeiro da Silva. Acho apenas que campanhas de "marketing", embora importantes, sem dúvida, não chegam.
(2) - Transporte Colectivo de Passageiros versus Transporte Individual
«As vantagens do Transporte Colectivo de Passageiros versus Transporte Individual são evidentes, tendo em conta que os indicadores por passageiro x km, a nível energético e ambiental são, comprovadamente, muito inferiores.
A título de exemplo:
O automóvel consome, em média, 3 a 4 vezes mais energia primária por passageiro x km transportado, que o autocarro.
As emissões de dióxido de carbono (CO2) por passageiro x km são, em média, 3 a 4 vezes superiores para o automóvel, relativamente ao autocarro. Numa análise quantitativa, as emissões poluentes por passageiro x km do automóvel são, pelo menos, 10 vezes mais do que as do autocarro.» Fonte: Carris
(3) - O cálculo das emissões de CO2 dos transportes não oferece dificuldades de maior. Um conversor como este, resolve o problema.
quinta-feira, agosto 23, 2007
"Agflação" / "Agflation"
"The stage is now set for direct competition for grain between the 800 million people who own automobiles, and the world's 2 billion poorest people."
«Anger boiled over this week as Jean Ziegler, the UN special rapporteur on the right to food, accused the US and EU of "total hypocrisy" for promoting ethanol production in order to reduce their dependence on imported oil. He said producing ethanol instead of food would condemn hundreds of thousands of people to death from hunger.»
No entanto, os enormes excedentes agrícolas, gerados pela Política Agrícola Comum europeia e pelos apoios governamentais aos agricultores norte-americanos, foram lançados nos mercados internacionais durante décadas a preços muito reduzidos provocando a ruína dos agricultores de inúmeros países cuja principal fonte de rendimento era a agricultura.
Acresce a tudo isto os desafios sobre a produção alimentar que as Alterações Climáticas virão trazer. Segundo a FAO, é provável o aumento do risco de fomes.
Claro que numa perspectiva tecnocrática bem intencionada tudo poderia correr pelo melhor se a vontade política fosse esclarecida, se a cooperação internacional funcionasse na perfeição, se a corrupção e a ganância não existissem e se a informação/formação dos consumidores fosse perfeita em todos os cantos do mundo. São muitos ses!
Será nesta perspectiva mais ou menos tecnocrática, creio eu, que se poderá incluir este relatório da FAO, "Environment and agriculture".
Nele se analisa a urgência de conciliar as necessidades crescentes por alimentos da Humanidade (que se projecta venha a crescer 50% até 2050) com a preservação da biodiversidade e ainda com a pressão exercida sobre estes dois objectivos resultante da procura crescente por biocombustíveis. Segundo a própria FAO, são "trade-offs"/equilíbrios muito difíceis. De modo que talvez fosse mais sensato admitirmos que algo tem de mudar no "business-as-usual".
sábado, agosto 18, 2007
Biopirataria no Brasil: o saque de um país fenomenalmente rico
Numa conversa casual com um brasileiro que me cortava o cabelo, ele queixava-se que o salário mínimo brasileiro não chegava ao 400 reais (cerca de 140 €)
Ao meu comentário de que, no entanto, o Brasil deveria ser um dos paises mais ricos do mundo, ele respondeu : ah sim, agora com o petróleo e os transgénicos a coisa deve melhorar.
Acontece que o problema do Brasil é sobretudo institucional: a corrupção e o saque do país em favor de uma elite nacional associada a interesses externos. Não é de transgénicos que o Brasil precisa. Precisa sim de preservar a sua extraordinária biodiversidade, que para além das dimensões éticas e estéticas tem também um gigantesco valor comercial. Conheci um professor de Belas Artes do Estado do Piauí que se lamentava da família ter perdido uma fazenda onde, em tempos, produzia a cera de carnaúba, se bem me lembro, que, disse-me ele, tinha sido usada na produção de discos, antes do petróleo se ter imposto.
Tudo isto vem a propósito de um fenómeno moderno que assola o Brasil e outros países com riquezas semelhantes: a biopirataria. Este texto "Florestas Saqueadas" ilustra bem o problema. A questão aqui não é contra o aproveitamento comercial da biodiversidade, mas contra a sua exploração sem regras, pirata, e sem preocupação pelo futuro.
quarta-feira, agosto 15, 2007
As ameaças do mundo actual
De facto todos estes tópicos estão, de algum modo, relacionados e exigem uma resposta global, que falta ainda encontrar, mas de que já existem alguns sinais nos movimentos sociais internacionais.
Algumas das ideias
1 - "O terrorismo não é a maior ameaça enfrentada pelo mundo."
2- "As alterações climáticas são o mais grave motivo de preocupação"
4- "A procura de recursos, especialmente petróleo, está a provocar conflitos e a gerar insegurança"
5- "Se queremos evitar um futuro altamente instável, precisamos de repensar todas as nossas políticas de segurança"
Este livro dá muitas pistas para propor, obrigar, os governos em geral, e do G8 em especial, alterações radicais nas suas políticas de segurança e externa.
Não chega às 100 páginas, vale a pena ler!














Portugal's Footprint 1961-2003 


