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segunda-feira, julho 28, 2008

Os gigantes asiáticos

«The nearly simultaneous arrival of China and India to places of prominence on the world stage represents a tectonic shift in global affairs with few parallels”.These two giants, with 40 percent of the world's people between them - as much as the population of the next 20 largest countries combined - have long slumbered in the shadows of Europe, Japan, and the United States, which dominated world affairs during most of the nineteenth and twentieth centuries. [...] While commentators have compared their rise to the end of the cold war, the more apt analogies are less recent: civilization-changing events such as the rise of the Roman Empire or the discovery of the New World. And even those are pale historical comparisons since they touched only a fraction of the human populations of their day.»
In “State of the World 2006 – special focus : China and India” WorldWatch Institute.
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sexta-feira, janeiro 18, 2008

Hipocrisia em torno do Tata Nano


O Grupo Indiano Tata, lançou um novo carro do povo, o Nano, que por menos de 2000€, ficará acessível à crescente classe média indiana, num país com cerca de mil milhões de habitantes, e de outros países em desenvolvimento. Logo surgiu a preocupação fundada, a começar por um indiano, o director do IPCC, Rajendra Pachauri (que diz estar a ter pesadelos sobre este assunto), com o impacto adicional que terá sobre as emissões de gases com efeito de estufa (e, logo, sobre as alterações climáticas) esta nova opção de mobilidade disponível a milhões de pessoas. No entanto, como é muito bem dito aqui, há uma grande dose de hipocrisia por parte de muitos no mundo ocidental, porventura mais relacionada com a competição que provém desta zona do mundo e que a cegueira arrogante de muitos desprezava, do que com a genuína preocupação com as alterações climáticas. Muitos europeus, nomeadamente os dirigentes e as elites, têm que se ir habituando à ideia de que há mais mundo lá fora do que aquele a que estavam habituados a considerar.

Esta do New York Times e esta do WP são de rir, vindo do país donde vem, ao que se diz, o mais rico, tecnologicamente avançado país do mundo, onde o desprezo pelo transporte público é generalizado!
De qualquer modo, a avaliar sobretudo pelo artigo do Washington Post, o Nano poderá ter o condão de fazer os americanos perceberem que há aqui um problema muito sério e que para ter solução exige compromissos e uma postura ética.
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sábado, junho 16, 2007

China e Índia

Estes dois colossos demográficos estão a transformar o panorama das relações de força politico-económicas à escala planetária. Representam contudo dois modelos de desenvolvimento diferentes. A China tem obtido êxitos económicos fulgurantes, usando de uma mão de ferro por via do seu regime autoritário e repressivo. O acumular de tensões é crescente e os riscos de descarrilamento pairam no horizonte. A Índia, por sua vez, tem obtido resultados notáveis tendo em conta a sua diversidade étnica, linguística, religiosa, e as desigualdades económicas, mantendo um regime democrático real, com eleições livres, imprensa livre, sindicatos fortes, uma evolução mais ou menos negociada. Ironicamente, o partido comunista indiano governa há décadas estados como Bengala Ocidental e Kerala, onde o progresso económico e social tem sido notável.
A liberdade indiana permitiu-lhe um extraordinário desenvolvimento e criatividade na chamada "economia do conhecimento". Dispõe de um ensino universitário de altíssimo nível em áreas científicas e tecnológicas. A sua dimensão demográfica e a juventude da sua população fazem dela um concorrente imbatível. Os desafios que estes dois países nos põem não têm respostas fáceis.
O mundo ocidental, e nomeadamente a sociedade portuguesa, faria bem em estar atento ao que se está a passar naquela parte do mundo, herdeira de civilizações ancestrais que voltam a reclamar o seu lugar na História. Trata-se de uma verdadeira Revolução e ninguém poderá ficar indiferente.
Vale a pena ler este livro de Federico Rampini , editado pela Presença, colecção Sociedade Global .
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