sábado, maio 10, 2008

O petróleo é caro porque é escasso.


Vale a pena ler este artigo (ver original) de David Strahan (autor de "The Last Oil Shock") publicado no "The Daily Telegraph":

«[.....] dificilmente far-lhe-à justiça. Esta semana viu os ministros a encarnarem a personagem do Cabo Jones apelando à calma em relação à greve na refinaria de Grangemouth; os camionistas protestavam em Park Lane sobre o aumento de dois “pence” no imposto sobre o combustível; e muito justa indignação acerca da dimensão dos lucros apresentados pela Shell e BP. Todas estas manifestações falham o alvo. Estas matérias são insignificantes comparadas com o esgotamento/depleção global do petróleo, em relação à qual tem havido viragens claras para pior no último mês.

A ideia segundo a qual as companhias petrolíferas são de algum modo “culpadas” pelos preços record do petróleo e os custos crescentes do combustível é sedutora mas absurda. Apesar de todo o seu poder e lucros, as companhias petrolíferas multinacionais estão de facto em apuros. Podem ainda nadar em liquidez, mas já não em petróleo. Apesar do significativo investimento em exploração e produção, nos dias de hoje são, em geral, incapazes de substituir o petróleo que produzem anualmente com novas descobertas, ou até de manter os níveis correntes de produção. A produção de petróleo da Shell tem vindo a cair desde há seis anos, a da BP terá atingido o pico em 2005, e esta semana até a todo-poderosa Exxon foi forçada a admitir que a sua produção caiu 10% no primeiro trimestre do ano.

Nada disto surge como surpreendente já que todos os indícios sugerem agora que o mundo está a aproximar-se rapidamente do “pico petrolífero”, o ponto em que a produção global de petróleo entra em declínio terminal por razões geológicas fundamentais. A descoberta anual de petróleo tem vindo a cair desde há mais de 40 anos, e actualmente por cada barril encontrado consumimos três. A produção de petróleo está já a diminuir em 60 dos 98 produtores mundiais – incluindo a Grã-Bretanha, onde a produção atingiu o pico em 1999 e já caiu para menos de metade. Quando um determinado país atinge o pico de produção isso é relevante apenas para ele – a Grã-Bretanha tornou-se um importador líquido de petróleo em 2006 – mas quando a oferta global começar a encolher os efeitos podem ser ruinosos para todos.

Os analistas dividem o mundo produtor de petróleo em dois: a OPEP e o resto. Existe um amplo consenso que a produção de petróleo fora da OPEP atingirá o pico ou pelo menos estabilizará por volta de 2010. O presidente executivo da ExxonMobil, Rex Tillerson, disse o ano passado que o crescimento da produção extra-OPEP chegaria ao fim em “dois a três anos”. Essa avaliação parece agora ainda mais certa.

Desde o virar do século a produção de petróleo extra-OPEP tem sido sustentada apenas por grandes aumentos na Rússia, o maior produtor mundial, à medida que os oligarcas que controlam a indústria investiram milhares de milhões no reapetrechamento dos campos de exploração que tinham sido deixados à deterioração depois do colapso do comunismo. Mas agora os ganhos fáceis esgotaram-se e as taxas de crescimento afundaram. Este mês, Leonid Fedun, um administrador de topo da Lukoil, a segunda maior petrolífera russa, afirmou que a produção do país atingira o pico e nunca voltaria a exceder os níveis actuais “no seu tempo de vida”.

De modo que agora dependemos da OPEP como nunca, e isto explica os crescentes clamores de funcionários/governantes ocidentais para que o cartel aumente a produção. Mas muitos suspeitam que a OPEP não poderia aumentar a produção mesmo que o quisesse – não por muito, pelo menos – e poderá também atingir o pico brevemente. Há muito que existem dúvidas acerca da verdadeira dimensão das reservas oficiais da OPEP, que parecem ter sido falseada e maciçamente inflacionadas durante os anos 80 quando os seus membros competiam por fatias maiores do novo sistema de quotas. E há agora preocupações crescentes acerca de alguns dos mais significativos produtores da OPEP.

Ainda na semana passada, a Arábia Saudita, o maior exportador mundial, anunciou que todos os planos para expandir a capacidade de produção de petróleo para além de 2009 tinham sido congelados. O ministro do petróleo justificou a decisão invocando que, dadas as perpectivas económicas, não haverá procura para a oferta adicional – o que é aceitável mas improvável. Mesmo os moderadamente cépticos suspeitarão que a opção não foi inteiramente voluntária.

Na Nigéria, o maior produtor de África, a produção já caiu 20% devido a ataques frequentes de rebeldes do delta do Níger. Mas agora um relatório recente de conselheiros do governo para o sector da energia concluíu que, mesmo que o investimento se mantenha a níveis actuais “a produção total de petróleo e gás diminuirá cerca de 30% em relação ao níveil actual por volta de 2015”.

O membro da OPEP que indubitavelmente tem vastas reservas de petróleo por explorar é o Iraque, mas aqui o contínuo morticínio e o falhanço em acordar uma nova lei regulando a produção de petróleo e gás torna qualquer aumento para breve muito improvável.

Nestas circunstâncias não é surpresa que o preço do petróleo tenha disparado para níveis recorde – quase 120$ no início da semana - nem que muitos agora prevejam um salto adicional para os $200, incluindo o Comissário para a Energia da UE, o presidente da OPEP, e analistas financeiros da Goldman Sachs. O que é surpreendente é o número de pessoas aparentemente inteligentes que se agarram a explicações fantasiosas para a alta do preço do petróleo, como a especulação e a fraqueza do dólar.

Não haja dúvidas que estes factores desempenham um papel, mas o simples facto é que a produção global de petróleo – incluindo fontes não-convencionais, biocombustíveis e restos de óleos de cozinha – manteve-se essencialmente ao mesmo nível desde princípios de 2005. Durante três anos a oferta de petróleo tem sido um jogo de soma nula em que, se um país consome mais, outro tem que consumir menos. Como grande parte do crescimento da procura provem do mundo em desenvolvimento e dos próprios membros da OPEP, a procura por petróleo continuará provavelmente a crescer apesar da recessão no Ocidente. É a escassez que torna os “futuros” sobre o petróleo tão atractivos para os investidores .

E no entanto, a previsão central do governo Britânico é que o petróleo venha a custar $57/barril em 2010 e caia para $53 por volta de 2020. Esta absurda predição/previsão é incompreensível até que se considerem as realidades políticas: ainda mais que as alterações climáticas, o pico petrolífero exige que os governos confrontem os eleitores com verdades desconfortáveis que terão impactos sobre os seus padrões de vida. Em Whitehall (referência ao governo), as pernas permanecerão cruzadas e os rabos pregados enquanto os políticos e funcionários rezam para que isso não aconteça no seu final de mandato, ou antes de obterem a suas pensões indexadas à inflação.

De modo que o sítio da net de Gordon Brown proclama despreocupadamente “... os recursos mundiais de petróleo e gás são suficientes para sustentar o crescimento económico num futuro previsível”, apesar de toda a evidência em contrário. No entanto, talvez ele o possa afirmar com alguma confiança; pelo modo como as coisas vão, o seu futuro previsível não é de todo assim tão longo.»
Tradução realizada por mim.
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Muppet Show - Swedish Chef - making cake

Recordar os "Marretas" e o Cozinheiro Sueco, porque rir é bom!

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quinta-feira, maio 08, 2008

O que é o Ultraliberalismo?


A propósito desta discussão no Klepsýdra, por vezes não é fácil perceber o real significado de chavões como neoliberalismo ou ultraliberalismo, quando falamos de sistemas económicos. Estamos realmente a falar de quê?

Nesta citação, retirada do capítulo Deteriorating Oil and Food Security de um livro já aqui referido, encontramos uma pista interessante:

«Darrin Qualman, Director of Research for the National Farmer´s Union of Canada says, "The problem isn´t simply Peak Oil ... . The problem is the combination of Peak Oil and an economy system in which ... «no one is in control». Ours is a system where it is no one´s job to look past next year´s profits, to take stock of how this year´s production might affect next decade´s weather, ... where we become ever more dependent on energy despite the fact that no one is keeping an eye on the fuel gauge.»

Ora, quando ninguém tem o sistema sob controle, a tendência é para que vença o mais forte, para que se tenda para o caos, para que o interesse público seja preterido face a interesses particulares, para que interesses imediatos se sobreponham aos de gerações futuras, etc.
Quando a afectação de recursos é deixada exclusivamente ao critério do mercado, a ética não conta e por isso vemos, por exemplo, que pouco importa que se morra de fome se for economicamente mais rentável utilizar cereais para produzir combustível.

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sábado, maio 03, 2008

Status Anxiety - A ansiedade do "status"

Parte I do documentário. Veja aqui a sequência completa. O livro "Status Anxiety " de Alain de Botton .

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A Crise Alimentar Global

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segunda-feira, abril 28, 2008

"Admirável Mundo Novo"


«O governo por meio de cacetes e de pelotões de execução, de fomes artificiais, de detenções e deportações em massa não é somente desumano (parece que isso não inquieta muitas pessoas, actualmente); é - pode demonstrar-se - ineficaz. [...] Um estado totalitário verdadeiramente "eficiente" será aquele em que o todo-poderoso comité executivo dos chefes políticos e o seu exército de directores terá o contrôle de uma população de escravos que será inútil constranger, pois todos eles terão amor à sua servidão. Fazer que eles a amem, tal será a tarefa, atribuída nos estados totalitários de hoje aos ministérios de propaganda, aos redactores-chefes dos jornais e aos mestres-escolas.»

Prefácio a "Admirável Mundo Novo" - Aldous Huxley 1946
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domingo, abril 27, 2008

Al Gore: New thinking on the climate crisis

Frases: "para resolver a crise climática, é preciso resolver a crise da democracia", é necessário um empenhamento cívico muito intenso;

Desta vez, as propostas de Gore parecem mais sólidas: propõe imposto sobre emissões CO2. Ainda assim, este tipo de medidas é claramente insuficiente.
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sábado, abril 26, 2008

"Our Final Century" de Martin Rees

Martin Rees, astrónomo, actual presidente da Royal Society, escreveu um interessante e perturbador livro cujo título é "O Nosso Século Final - sobreviverá a Civilização ao século XXI?" (apresentação em vídeo).

No mesmo sentido, o diário britânico "The Guardian" lançou um inquérito a 10 cientistas sobre os maiores perigos que a Terra e a Humanidade poderão enfrentar e a probabilidade de ocorrerem. O perigo é classificado numa escala de 1 a 10 ( corresponde à extinção da raça humana) e a probabilidade, de extremamente baixa a muito alta. O nível 10 é atribuído apenas à hipótese, extremamente remota (uf!), de a Terra ser engolida por um buraco negro.



Uma nota curiosa é o perigo de robots super-inteligentes virem a tomar o poder (à semelhança do filme "The Terminator"). A probabilidade de isto ocorrer nos próximos 70 anos é classificada como elevada e o perigo de nível 8 (curiosamente superior à das Alterações Climáticas, de nível 6).Na obra de Rees, estes mesmos perigos são abordados com detalhe. Alguns desses riscos são mínimos, mas dão-nos uma perspectiva interessante sobre a nossa posição no Universo.

Outros riscos estão directamente relacionados com as actividades humanas:

«Environmental changes induced by human activities, still poorly understood, may be graver than the "baseline" threats from earthquakes, eruptions, and asteroid impacts».

É significativo que as alterações ambientais possam representar maior perigo que o impacto de asteróides.
[Escala de Risco de Impacto de Asteróides - Escala de Turim
]

O objectivo da obra é alertar para os perigos que a Terra enfrenta, nomeadamente os resultantes da investigação científica, e lançar o desafio para um maior envolvimento da comunidade científica com o resto da sociedade e vice-versa, à semelhança do que ocorreu com as "Pugwash Conferences" perante o perigo de holocausto nuclear.



The Doomsday Clock

Estamos a entrar numa era em que as ameaças poderão provir não apenas de Estados, como no passado, mas de grupos ou indíviduos isolados com acesso a tecnologia com grande potencial de destruição. Essa tecnologia, seja nuclear, química ou biológica, está cada vez mais acessível à escala planetária.

«We are entering an era when a single person can, by one clandestine act, cause millions of deaths or render a city inhabitable for years, and when a malfunction in cyberspace can cause havoc worldwide to a significant segment of the economy [...]. Indeed, disaster could be caused by someone who is merely incompetent rather than malign»

Isto levanta questões transcendentais em matéria, por ex., de política internacional. Nomeadamente, que é extremamente perigoso que as potências com maior responsabilidade, como os EUA, e a UE também, continuem a alienar uma parcela crescente da Humanidade, seja por intervenções armadas, seja por políticas como a do incentivo aos biocombustíveis, cujo o único fito é o mero interesse próprio, sem consideração pelos destinos dos outros.

Nesta obra levantam-se uma série de questões sobre ética e os limites à investigação científica, o fim da ciência, a exploração do espaço, universos paralelos (vídeo), um futuro pós-humano, etc..

Uma nota curiosa e ao mesmo tempo assustadora tem a ver com certo tipo de experiências. Os cientistas chegam a calcular as probabilidades de certo tipo de experiências, na investigação sobre fusão nuclear por exemplo, poderem representar perigo em termos de destruição do planeta e até do próprio Universo!
Um livro assaz curioso!

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sexta-feira, abril 25, 2008

Biocombustíveis: alguns dados interessantes.


Este artigo no Worldwatch Institute fornece alguns dados interessantes sobre a problemática dos biocombustíveis. A ideia de que os biocombustíveis seriam a solução para nos livrarmos do petróleo e resolver as emissões de GEE revelou-se afinal um fiasco. Apesar dos avisos de alastramento da fome, "um tsunami silencioso", atribuído em parte ao desvio de culturas alimentares para a produção de combustível para transporte, a verdade é que não representaram mais que 1.5% da oferta global de combustíveis líquidos:

«
biofuels accounted for 1.5 percent of the global supply of liquid fuels» Ou seja, está longe de representar uma alternativa e já está a causar uma catástrofe.

Por outro lado, longe de constituir uma solução sustentável para os transportes, os biocombustíveis serão ainda mais nefastos que os combustíveis fósseis:


«Recent studies conclude that clearing grass and forestlands to produce ethanol and other biofuels could potentially double the output of green­house gas emissions instead of reducing them, as previously thought.»

Para um interessante dossier sobre este tema, ver "Porque não vão os biocombustíveis salvar o Planeta".

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Aumento acentuado de emissões em 2007

Segundo a agência norte-americana NOAA (National Oceanic and Atmospheric Administration), as emissões dos gases com efeito de estufa (GEE) Dióxido de Carbono (CO2) e Metano (CH4) aumentaram acentuadamente em 2007. A rápida industrialização da Ásia é apontada como uma das causas. A tão gabada globalização económica está a ter esta consequência menos óbvia para alguns.
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terça-feira, abril 22, 2008

Abaixo o Dia da Terra!

Esta ideia de celebrarmos o dia da Terra, em que se apela a que salvemos o Planeta, em que os "media" falam do perigo do degelo no Árctico para os ursos polares, sem que, contudo, reflictamos seriamente sobre as causas e as consequências, como se a espécie humana - embora os cientistas afirmem que entrámos na Era do Antropoceno - fosse algo exterior a tudo isto. Este artigo, meio a brincar, como diz o autor, mas simultaneamente muito a sério, contesta esta ideia de salvar a Terra, quando o que está em causa é salvar-nos a nós próprios enquanto Humanidade.
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quarta-feira, abril 16, 2008

Petróleo ultrapassa 115 US$/barril

A ascensão do preço do petróleo em 2008 já vai em 20%. Hoje bateu novo recorde, ao atingir 115,07 dólares por barril. E não deverá ficar por aqui. No entanto, as medidas de política energética como o PNAEE, são muito incipientes perante a dimensão do problema que iremos enfrentar.
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terça-feira, abril 15, 2008

Emissões de CO2

Um pouco por todo o lado - EUA, RU, China, Índia - estão em concurso ou construção novas centrais eléctricas a carvão, o combustível fóssil mais poluente (o dobro em relação ao gás natural). Isto devia ser motivo de preocupação. James Hansen tem sido incansável na sensibilização de governantes para este problema.
As citações são retiradas desta carta ao Governador do Nevada.



«A direct implication is that we cannot be aiming for a 50, 80 or 90 percent reduction of emissions. We must transition over the next several decades to practically zero net CO2 emissions. Thus our energy focus must be to develop renewable energies and energy efficiency.»




«There is no such thing as “clean coal”»



«One reason that the cost of coal has been shooting up is that coal is a finite resource requiring increasing efforts for extraction. The notion that the United States has a 200-year supply of economically extractable coal is a myth
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domingo, fevereiro 17, 2008

A questão política fundamental do nosso tempo: concentração de CO2 na atmosfera

Pode parecer estranha a afirmação de que a fixação de uma meta para as concentrações de CO2e (dióxido de carbono equivalente) na atmosfera, em função do risco que estamos dispostos a correr em termos das consequências do aumento de temperatura, seja A MAIS IMPORTANTE QUESTÃO POLÍTICA DO NOSSO TEMPO. Afinal há tantos problemas que afligem as pessoas no dia a dia. No entanto, muitos desses problemas já são, e sê-lo-ão cada vez mais, afectados pelas alterações climáticas, a tal ponto que estas serão o factor determinante de todos esses problemas!

Como diz Mark Lynas, no seu livro "Seis Graus", edição portuguesa da Civilização Editora:

«Grande parte deste debate parecerá complexa e esotérica a quase todos, salvo aos especialistas na matéria. Mas não deveria ser assim. Na verdade, este é o principal dilema que enfrenta, actualmente, a humanidade - muito mais importante do que o terrorismo, a criminalidade, os cuidados de saúde, a educação ou qualquer outra das preocupações quotidianas que inundam os jornais e os ecrãs televisivos. Todos nós temos de tomar uma decisão: que temperatura e, por extensão, que concentrações de CO2, devemos nós visar? 400 ppm? 550 ppm? Imagino que uma sondagem mais abrangente ao público, em geral, não recolheria muitas respostas. A maioria da população encaixar-se-ia na categoria do "não sei".
Também a classe política só agora começa a compreender a terminologia relevante e não há, em todo o mundo, um só partido importante que apresente uma política definida sobre esta matéria.» Pág. 232 da edição portuguesa.



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sábado, fevereiro 16, 2008

A Criação - um apelo para salvar a vida na Terra


Um livro do biólogo norte-americano Edward O. Wilson. Este mirmecólogo (especialista em formigas), autor de "A Diversidade da Vida", realça a importância das mais pequenas criaturas para o equilíbrio da vida neste planeta. Em "A Criação" faz um apelo aos líderes espirituais para se juntarem aos cientistas na sua defesa. Segundo ele, está em curso a sexta grande extinção em massa de vida na Terra:

«Pensa-se que a taxa actual de extinções, calculada com base nas estimativas mais conservadoras, seja cerca de cem vezes maior do que a prevalecente antes de os seres humanos terem surgido na Terra e estima-se que venha a ser pelo menos mil vezes superior, ou ainda mais, nas décadas mais próximas. Se esta tendência se mantiver, o seu custo para a humanidade, em termos de saúde, segurança ambiental e qualidade de vida, será catastrófico» pág. 13, edição portuguesa, Gradiva.

Notícia relacionada: "Map shows toll on world's oceans": apenas 4% dos oceanos do planeta permanecem livres da acção humana destrutiva.
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Pachauri, Director do IPCC


Testemunho de Pachauri em Comité da Câmara dos Representantes dos EUA. Videos da audição, aqui.
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quarta-feira, fevereiro 13, 2008

Lisboa E-Nova : sessão sobre alterações climáticas


A gravação da apresentação oral do Prof. Delgado Domingos e do debate que se seguiu, pode ser encontrada aqui.
Sobre a questão da Antárctida, o site RealClimate publicou ontem este artigo, do historiador de ciência e físico Spencer Weart.

Termina assim:

«Bottom line: A cold Antarctica and Southern Ocean do not contradict our models of global warming. For a long time the models have predicted just that.»

Ainda sobre o hiato entre aumento de temperatura e aumento de CO2 ou, inversamente, redução de temperatura e redução de CO2, a página 112 do "FAQ" (perguntas frequentes) do IV relatório do IPCC dá uma resposta clara às dúvidas do Sr. Prof..
Uma explicação possível está no forçamento orbital da Terra ("orbital forcing") que desencadeou uma alteração de temperatura. A alteração de temperatura por sua vez conduziu a alterações nos níveis de CO2, num efeito de retroacção ("feedback") positiva (ver cap. 6 PSB Paleoclimate, pág. 445). Esse forçamento orbital não é a causa do aquecimento actual.
De forma simples, é como uma pescadinha de rabo na boca: a variação da temperatura altera o CO2 e o CO2 reforça essa variação de temperatura. Pode ser também a história do ovo e da galinha, quem nasce primeiro? Depende do ponto de referência!


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sexta-feira, fevereiro 08, 2008

Seis Graus. O nosso futuro num planeta em aquecimento - Mark Lynas

Um livro assustador, alarmante mas não alarmista, que merece uma leitura atenta. O livro fundamenta-se numa aturada pesquisa da literatura científica sobre o problema do aquecimento global.
Aqui, a recensão do livro por Eric Steig do RealClimate. Eric Steig termina com esta interrogação:

«If a reading of the published scientific literature paints such a frightening picture of the future as Six Degrees suggests – even while it honestly represents that literature – then are we being too provocative in the way we write our scientific papers? Or are we being too cautious in the way we talk about the implications of the results?»

"Seis Graus" na National Geographic.

Ver também aqui (Climate Progress)


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terça-feira, janeiro 29, 2008

Prof. Delgado Domingos: Alterações Climáticas como instrumento de controlo social!?




Numa sessão da agência municipal de ambiente e energia da cidade de Lisboa, "Lisboa E-Nova", intitulada "ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS: CONTRADIÇÕES E FACTOS INCONVENIENTES ", o Prof. Delgado Domingos (Presidente do Conselho de Administração da Lisboa E-Nova) fez uma exposição que confirmou o teor da entrevista que tinha dado ao jornalista Pedro Almeida Vieira.
O Prof. Delgado Domingos fez declarações muito estranhas, tendo em conta a sua reputação, ainda por cima, membro da American Meteorological Society. Muitas dessas declarações, no entanto, nada têm de originais, sendo apenas a repetição do rol mais que batido de posições dos cépticos das Alterações Climáticas. Essas posições já foram mais que analisadas e rebatidas.

Ora vejamos.


«Excesso de informação e falta de conhecimento favorecem pré-conceitos e ideologias. A discussão actual sobre alterações climáticas é um exemplo» slide nº 2 da exposição


Com esta afirmação e os 6 primeiros “slides” da apresentação, desvaloriza o problema do aquecimento global.


A TEMPERATURA GLOBAL

Diz que nos anos 70 previa-se que vinha aí uma nova idade do gelo (slides nºs 3 e 4, notícia do "Times"). Este é um dos aspectos que caracteriza a confusa apresentação: mistura notícias da imprensa e confunde-as com as posições da ciência. Aqui podemos encontrar uma resposta adequada a esta questão.

No slide nº 6 parece
confundir tempo com clima. Ver aqui e na legenda da seguinte imagem:

É notório nesta imagem que são mais as regiões onde as anomalias de temperatura são no sentido do aquecimento do que do arrefecimento. De qualquer modo: "A single year of data on its own can’t be used to either prove or disprove a trend like global warming". Mas : "However, as the NASA GISS scientists point out in their summary for 2007, the temperature anomaly of 2007 “continues the strong warming trend of the past thirty years that has been confidently attributed to the effect of increasing human-made greenhouse gases. The eight warmest years in the GISS record have all occurred since 1998, and the 14 warmest years in the record have all occurred since 1990.


O "HOCKEY STICK"

Sobre o "Hockey Stick" (slide nº 10) ver discussão: "Myth vs Fact Regarding the "Hockey Stick" .

Do ponto de vista científico, as afirmações mais estranhas do Prof. Delgado Domingos referem-se aos
componentes do "forçamento radiativo".




Definição de "forçamento radiativo" : «The term “radiative forcing” has been employed in the IPCC Assessments to denote an externally imposed perturbation in the radiative energy budget of the Earth’s climate system»; «The first IPCC Assessment (IPCC, 1990) recognised the existence of a host of agents that can cause climate change including greenhouse gases, tropospheric aerosols, land-use change, solar irradiance and stratospheric aerosols from volcanic eruptions».

Este último elemento,
pode constituir um forçamento radiativo negativo fornecendo uma das respostas possíveis à dúvida do Prof. no slide nº 20: «[...] definição do forçamento radiativo e os valores desse forçamento dados pelo SPM (Summary for Policy Makers) são inconsistentes com a evolução verificada para as temperaturas durante o mesmo período, pois há períodos de arrefecimento claramente identificáveis nesses últimos 150 anos»


Ver também: «Explosive volcanic eruptions greatly increase the concentration of stratospheric sulphate aerosols. A single eruption can thereby cool global mean climate for a few years» in Technical Summary do AR4 IPCC, pág. 31.






As Nuvens


O Prof. cita esta frase retirada da pág. 114 do Working Group I Report "The Physical Science Basis":

«Clouds, which cover about 60% of the Earth’s surface, are responsible for up to two thirds of the planetary albedo, which is about 30%. An albedo decrease of only 1%, (...) would cause an increase in the radiative equilibrium temperature of about 1C,(...) roughly equivalent to the direct radiative effect of a doubling of the atmospheric CO2 concentration.»

Desta frase, conclui-se que o forçamento radiativo das nuvens é negativo (referência ao albedo); no entanto, estas duas frases retiradas da mesma página, afirmam algo mais complexo:


  • «the amplitude and even the sign of cloud feedbacks was noted in the TAR as highly uncertain, and this uncertainty was cited as one of the key factors explaining the spread in model simulations of future climate for a given emission scenario» [pág. 114, 2ª coluna linha 14 do PSB ("The Physical Science Basis")]


  • Simultaneously, clouds make an important contribution to the planetary greenhouse effect. (linha 32)

Insinuar que o aumento de temperatura derivado do aumento de CO2 provoca um "feedback" negativo devido ao aumento de nuvens é um passo precipitado. Isto porque "aerosols and clouds absorb energy in addition to reflect it"


Ou seja, a incerteza funciona nos dois sentidos; a frase citada não nega problema nenhum, antes pelo contrário.


O VAPOR DE ÁGUA



«A fundamental importância do vapor de água, o mais importante gás com efeito de estufa é repetidamente acentuada e a incerteza trazida pelas nuvens bem sublinhada.» slide nº 29


Esta frase, tecnicamente, está correcta, mas no contexto em que é afirmada (ver apresentação), ou seja, de desvalorização da importância de combater as emissões dos GEE, nomeadamente, o CO2 [ «não só porque o CO2 não é o principal gás com efeito de estufa» slide 48] , revela um tratamento pouco cuidado do problema, como veremos mais à frente.

A confusão aqui reside em misturar a importância do vapor de água enquanto GEE numa situação de equílibrio, com a sua importância enquanto forçamento radiativo.


Vejamos o que diz o relatório do IPCC:


  • «Although water vapour is a strong greenhouse gas, its concentration in the atmosphere changes in response to changes in surface climate and this must be treated as a feedback effect and not as a radiative forcing» TS pág. 23 AR4
  • «Direct emission of water vapour by human activities makes a negligible contribution to radiative forcing. However, as global mean temperatures increase, tropospheric water vapour concentrations increase and this represents a key feedback but not a forcing of climate change. Direct emission of water to the atmosphere by anthropogenic activities, mainly irrigation, is a possible forcing factor but corresponds to less than 1% of the natural sources of atmospheric water vapour. The direct injection of water vapour into the atmosphere from fossil fuel combustion is significantly lower than that from agricultural activity. » in TS. 2.1 Greenhouse Gases (p.28) AR4

O DIÓXIDO DE CARBONO (CO2)


A importância do dióxido carbono, segundo o IPCC:


  • «Current concentrations of atmospheric CO2 and CH4 far exceed pre-industrial values found in polar ice core records of atmospheric composition dating back 650,000 years. Multiple lines of evidence confirm that the post-industrial rise in these gases does not stem from natural mechanisms (see Figure TS.1 and Figure TS.2).

  • «With the important exception of carbon dioxide (CO2), it is generally the case that these processes remove a specific fraction of the amount of a gas in the atmosphere each year and the inverse of this removal rate gives the mean lifetime for that gas» pág 23 T.S. 2.1

  • «Long-lived greenhouse gases (LLGHGs), for example, CO2, methane (CH4) and nitrous oxide (N2O) are chemically stable and persist in the atmosphere over time scales of a decade to centuries or longer, so that their emission has a long-term influence on climate.» pág 23 T.S. 2.1

  • «The industrial era increase in CO2 , and in the radiative forcing (Section 2.3) by all three gases, is similar in magnitude to the increase over the transitions from glacial to interglacial periods, but started from an interglacial level and occurred one to two orders of magnitude faster» pág 447 (PSB)

  • «The understanding of anthropogenic warming and cooling influences on climate has improved since the TAR, leading to very highconfidence that the effect of human activities since 1750 has been a net positive forcing of +1.6 [+0.6 to +2.4] W m–2.

Mais palavras para quê? A importância do CO2 como gás de efeito de estufa e o seu impacto actual no aquecimento global são patentes nestas citações do relatório do IPCC.


Mas vejamos o que dizem outras organizações científicas sobre este assunto:

AMERICAN GEOPHYSICAL UNION


«The American Geophysical Union, an organization of geophysicists that consists of more than 45,000 members, has issued a strong statement on human-caused global warming :


  • «The Earth's climate is now clearly out of balance and is warming»

  • «The cause of disruptive climate change, unlike ozone depletion, is tied to energy use and runs through modern society. Solutions will necessarily involve all aspects of society

Parece-me que esta frase demonstra que soluções que tenham apenas em conta as medidas de eficiência energétca (slide 47), não são suficientes.


  • If this 2°C warming is to be avoided, then our net annual emissions of CO2 must be reduced by more than 50 percent within this century»

Redução de CO2, questão ideológica? Cenários subjectivos (slides 44 e 48) ?


  • [...] to educate the public on the causes, risks, and hazards; and to communicate clearly and objectively with those who can implement policies to shape future climate. »


AMERICAN METEOROLOGICAL ASSOCIATION

Declaração da American Meteorological Association:


  • «In the last 50 years atmospheric CO2 concentration has been increasing at a rate much faster than any rates observed in the geological record of the past several thousand years»;

  • «There will be inevitable climate changes from the greenhouse gases already added to the Earth system. Their effect is delayed several decades because the thermal inertia of the oceans ensures that the warming lags behind the driving forcing.

  • «Many of the trends observed in recent decades are projected to continue. The model projections all show greater warming in northern polar regions, over land areas, and in the winter season, consistent with observed trends»

Finalmente:

  • «Policy choices in the near future will determine the extent of the impacts of climate change. Policy decisions are seldom made in a context of absolute certainty. Some continued climate change is inevitable, and the policy debate should also consider the best ways to adapt to climate change. Prudence dictates extreme care in managing our relationship with the only planet known to be capable of sustaining human life.»

DECLARAÇÃO DA AMERICAN ASSOCIATION FOR THE ADVANCEMENT OF SCIENCE


DECLARAÇÃO CONJUNTA DE 11 ACADEMIAS DE CIÊNCIAS

  • «It is vital that all nations identify cost-effective steps that they can take now, to contribute to substantial and long-term reduction in net global greenhouse gas emissions.»
  • «[...] a lack of full scientific certainty about some aspects of climate change is not a reason for delaying an immediate response that will, at a reasonable cost, prevent dangerous anthropogenic interference with the climate system.»

Até a AMERICAN ASSOCIATION OF PETROLEUM GEOLOGISTS , mais reservada por razões mais ou menos óbvias, reconhece :

  • «In the last century growth in human populations has increased energy use. This has contributed additional carbon dioxide (CO2) and other gases to the atmosphere»

Mas, será que a conspiração de Al Gore e companhia (slide 45) está a dar resultado? Pelos vistos, não! Ver aqui e aqui.

Ver também "Carbon Budget and Trends".


E o que recomenda o IPCC em relação aos objectivos de redução de CO2?

«In the majority of the scenarios in the most stringent stabilization category (I), emissions are required to decline before 2015 and be further reduced to less than 50% of today’s emissions by 2050.» in Working Group III Report "Mitigation of Climate Change" ; Technical Summary pág 38 ; Ver quadro pág. 39

E o que estão a fazer as principais potências económicas mundiais?:

Ver "Bali Action Plan"

  • Os EUA, a nível federal, não se comprometem com nenhuma meta concreta de redução de CO2;
  • A Europa, a mais ambiciosa, estabeleceu uma meta de redução de 20% até 2020. [o IPCC recomenda entre 20 a 45%]:
  • A China e a Índia, dois países em crescimento acelerado, não estão vinculados ao Protocolo Kyoto;

Perante este cenário, não se percebem as afirmações do tipo daquelas do slide 49!

Pessoas com esta responsabilidade, detentores de cargos públicos, deveriam ser mais cuidadosos, sobretudo tratando-se de uma matéria tão complexa e cuja real importância é de díficil percepção pelo público em geral. Só uma população esclarecida será capaz de vencer os grupos de interesse particulares que bloqueiam medidas políticas de fundo que evitem que caminhemos na direcção da catástrofe.

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domingo, janeiro 27, 2008

Who Reads the Papers - Um pouco de humor!


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A Shell reconhece o "Pico Petrolífero" dentro de 7 anos!



Há tempos, o nosso brilhante presidente executivo da GALP, eng. Manuel Ferreira de Oliveira, dizia na Grande Entrevista a Judite de Sousa da RTP (ver arquivo e procurar áudio Ferreira de Oliveira) o seguinte - face à pergunta da jornalista sobre a inquietação pelo petróleo ter chegado aos cem dólares e poder chegar aos 150 dólares até final de 2008 - :

- «Se eu tivesse que fazer uma projecção, diria que em 2008 vamos ver o preço cair para os 70-75 dólares por barril, e não há razão nenhuma, nenhuma, para que essa quebra não seja superior.»

Sobre as reservas de petróleo:

-«hoje, a relação entre as reservas e a produção é de 43, 44 anos [...] Nós poderiamos discutir um bocadinho sobre futurologia, mas os que pensam sobre estas coisas dizem que o pico do consumo de petróleo vai ocorrer por volta de 2020-2030, a partir do qual começa a declinar. [...] A partir de 2020-2030 prevê-se um declínio paulatino da produção e do consumo, que vai sendo substituida por outras fontes energéticas alternativas» - eu acrescentaria, essas alternativas vão aparecer milagrosamente, no momento exacto em que precisarmos!

Pelos vistos, o Sr. Engenheiro é um optimista, mas parece um pouco distraído e iludido pelas recentes descobertas no Brasil. Se o que ele considera serem os conhecedores destas coisas são as companhias petrolíferas, então veja-se o comunicado da SHELL:

«We are experiencing a step-change in the growth rate of energy demand due to rising population and economic development. After 2015, easily accessible supplies of oil and gas probably will no longer keep up with demand.»

Ou seja, a Shell admite que, embora haja muito petróleo para extrair, já a partir de 2015 poderemos vir a ter problemas de abastecimento de um recurso que é a base fundamental da Civilização Moderna e que, portanto, não pode ser substituído de um dia para o outro!

Ver também aqui , aqui, aqui e ainda aqui

As afirmações do presidente da GALP não dão o sinal correcto aos cidadãos e consumidores, porque leva-os a pensar que não há problema de maior e portanto, apesar do preço estar um bocado mais alto, podem continuar a espatifar um recurso essencial que começa a escassear. Claro que o interesse dele não é o interesse público, mas o dos seus accionistas, evidentemente.
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sábado, janeiro 26, 2008

Qual é a gravidade das Alterações Climáticas...




....e o tempo para agir?

How dire is the climate situation? Consider what Rajendra Pachauri, the head of the United Nations' prestigious Intergovernmental Panel on Climate Change (IPCC), said last month:

"If there's no action before 2012, that's too late. What we do in the next two to three years will determine our future. This is the defining moment."

Pachauri has the distinction, or misfortune, of being both an engineer and an economist, two professions not known for overheated rhetoric.
Ler mais em «Desperate times, desperate scientists».
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A Civilização Moderna

«The most significant characteristic of modern civilization is the sacrifice of the future for the present, and all the power of science has been prostituted to this purpose»

William James
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terça-feira, janeiro 22, 2008

2007: ano mais quente no Hemisfério Norte


Segundo a NASA, o ano de 2007 foi o mais quente de sempre, desde que há registos, no Hemisfério Norte e a nível global o segundo mais quente, igualando o ano de 1998 (ver aqui ). No entanto, este registo de 2007 é especialmente notável porque existiam as condições, comparativamente a outros anos, que fariam esperar temperaturas inferiores aos máximos : «The unusual warmth in 2007 is noteworthy because it occurs at a time when solar irradiance is at a minimum and the equatorial Pacific Ocean is in the cool phase of its natural El Nino – La Nina cycle.»

Contudo, segundo os dados de outra agência norte-americana, a NOAA (National Oceanic and Atmospheric Administration), o ano de 2007 foi "apenas" o 5º mais quente. De notar que "Seven of the eight warmest years on record have occurred since 2001"
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sábado, janeiro 19, 2008

Plan B - Lester Brown




«Keeping the [global economic] bubble from bursting will require an unprecedented degree of international cooperation to stabilize population, climate, water tables, and soils - and at wartime speed. Indeed, in both scale and urgency the effort required is comparable to the US mobilization during World War II.»

Lester R. Brown, Plan B (2003)


Lester R. Brown publicou recentemente Plan B 3.0 - Mobilizing to Save Civilization, o livro está disponível online, por capítulos. Destaque para "The Great Mobilization":


«There are many things we do not know about the future. But one thing we do know is that business as usual will not continue for much longer. Massive change is inevitable. Will the change come because we move quickly to restructure the economy or because we fail to act and civilization begins to unravel?»

«Shifting Taxes and Subsidies

The need for tax shifting—lowering income taxes while raising levies on environmentally destructive activities—has been widely endorsed by economists. For example, a tax on coal that incorporated the increased health care costs associated with mining it and breathing polluted air, the costs of damage from acid rain, and the costs of climate disruption would encourage investment in clean renewable sources of energy such as wind or solar.»
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sexta-feira, janeiro 18, 2008

Entrevista ao Prof. Delgado Domingos

O Prof. Delgado Domingos deu recentemente uma entrevista ao jornalista Pedro Almeida Vieira abordando vários assuntos, entre os quais as Alterações Climáticas. A fazer fé na transcrição da entrevista, fiquei desapontado com a forma ligeira como o Prof. abordou este assunto, visto que é uma pessoa que merece todo o respeito. Mas a verdade é que considerações daquele tipo dão falsos argumentos aos cépticos sem que haja nenhum fundamento para tal, como se pode constatar aqui
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Hipocrisia em torno do Tata Nano


O Grupo Indiano Tata, lançou um novo carro do povo, o Nano, que por menos de 2000€, ficará acessível à crescente classe média indiana, num país com cerca de mil milhões de habitantes, e de outros países em desenvolvimento. Logo surgiu a preocupação fundada, a começar por um indiano, o director do IPCC, Rajendra Pachauri (que diz estar a ter pesadelos sobre este assunto), com o impacto adicional que terá sobre as emissões de gases com efeito de estufa (e, logo, sobre as alterações climáticas) esta nova opção de mobilidade disponível a milhões de pessoas. No entanto, como é muito bem dito aqui, há uma grande dose de hipocrisia por parte de muitos no mundo ocidental, porventura mais relacionada com a competição que provém desta zona do mundo e que a cegueira arrogante de muitos desprezava, do que com a genuína preocupação com as alterações climáticas. Muitos europeus, nomeadamente os dirigentes e as elites, têm que se ir habituando à ideia de que há mais mundo lá fora do que aquele a que estavam habituados a considerar.

Esta do New York Times e esta do WP são de rir, vindo do país donde vem, ao que se diz, o mais rico, tecnologicamente avançado país do mundo, onde o desprezo pelo transporte público é generalizado!
De qualquer modo, a avaliar sobretudo pelo artigo do Washington Post, o Nano poderá ter o condão de fazer os americanos perceberem que há aqui um problema muito sério e que para ter solução exige compromissos e uma postura ética.
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O Progresso


«Human progress is neither automatic nor inevitable. We are faced now with the fact that tomorrow is today. We are confronted with the fierce urgency of now. In this unfolding conundrum of life and history there is such a thing as being too late…We may cry out desperately for time to pause in her passage, but time is deaf to every plea and rushes on. Over the bleached bones and jumbled residues of numerous civilizations are written the pathetic words: Too late.” »

Martin Luther King Jr. Ler mais...

quinta-feira, janeiro 17, 2008

Bush admite Pico Petrolífero?!


Em recente visita à Arábia Saudita, o Presidente Bush pressionou o rei saudita a aumentar a produção de petróleo, sobretudo agora que aumentam os receios de uma grave recessão e se aproximam as eleições. No entanto, mesmo Bush teve que admitir que as coisas não estão fáceis também neste campo: ler Jerome a Paris.
Note-se, como é referido, que apesar do suposto esforço de aumento de produção da Arábia Saudita, a produção aumentou apenas 1.5 milhões barris/dia(mb/d) em dez anos, ao passo que a procura cresceu 10(mb/d).
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O Protocolo de Quioto está em vigor

Para quem não tivesse reparado, como eu, o Protocolo de Quioto entrou em vigor a 1 de Janeiro de 2008. Durante os próximos 5 anos, as metas fixadas por Quioto são para cumprir, "or else", toca a pagar:
«During this period, most industrialized countries and countries with “economies in transition” (including the Russian Federation, the Baltic States, and several Central and Eastern European States), are obliged to reduce their greenhouse gas emissions below levels agreed under the Protocol.» Ler mais...

quarta-feira, janeiro 16, 2008

terça-feira, janeiro 15, 2008

Filosofia, Fé e Ciência


When thinking changes your mind, that's philosophy.
When God changes your mind, that's faith.
When facts change your mind, that's science.
WHAT HAVE YOU CHANGED YOUR MIND ABOUT? WHY?

Science is based on evidence. What happens when the data change? How have scientific findings or arguments changed your mind?"

in "Edge"

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domingo, janeiro 13, 2008

"The mother of all energy crises"


"The mother of all energy crises" de Robert L. Hirsch

« Lidar com um pico na produção mundial de petróleo será extremamente complexo, envolverá milhões de milhões de dólares e exigirá décadas de esforços intensos sob as melhores das condições.»

«[...] um declínio de 1% na produção mundial de petróleo criaria uma redução de 1% no PIB mundial. Mesmo reconhecendo o facto de que a precisão é impossível em tais matérias, é preocupante contemplar o impacto da escassez mundial de petróleo a crescer a 2% a 5% ao ano ao longo de um longo período. »

«o público terá de tornar-se consciente do problema; segundo, teremos de substituir nosso actual e excessivamente complicado método de tomada de decisão — em todo o mundo; e terceiro, grandes compromissos terão de ser feitos e seguidos. As tarefas pela frente serão dantescas;»
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sexta-feira, janeiro 11, 2008

Platão sobre a Política


"One of the penalties for refusing to participate in politics is that you end up being governed by your inferiors."

"A penalização por não participares na política, é acabares a ser governado pelos teus inferiores"

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segunda-feira, janeiro 07, 2008

2007: a temperatura continua alta!


Segundo o "Goddard Institute for Space Studies", 2007 foi o segundo ano mais quente nos primeiros 11 meses: GISS 2007 Temperature Analysis through November.

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Petróleo: 2007 em revista

A ASPO-EUA passa o ano em revista no que diz respeito ao petróleo: "The Year in Review Major Developments in the Peak Oil Story during 2007": Ver o PDF "Peak Oil Review: 7 January 2008"

Entretanto, as apostas (contratos de opções) para o preço do petróleo nos 200 US$, no final deste ano, decuplicaram (notícia da Bloomberg).
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sábado, janeiro 05, 2008

Primárias EUA: propostas


No que diz respeito à política energética e alterações climáticas, parece haver boas propostas do lado Democrata, segundo Joseph Romm do Climate Progress, ligado ao think tank The Center for American Progress.

Eis o programa de Obama, o de Hillary Clinton e respectivos comentários do Climate Progress aqui, aqui e aqui .

Já agora, as propostas de John Edwards.
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Most Terrifying Video You'll Ever See - Cenários sobre as Alterações Climáticas

Vale a pena ver este vídeo, apesar de tudo com um certo humor, sobre quatro cenários possíveis para a evolução futura do clima e as acções empreendidas pela Humanidade em resposta a esses cenários.

Ver também "How it all ends" e "How it all ends: Index" seguindo toda a sequência de vídeos na coluna do lado direito.
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quarta-feira, dezembro 19, 2007

Carta de James Hansen a Gordon Brown

A Grã-Bretanha, um dos países onde a investigação sobre o clima e a acção governamental (pelo menos em teoria) contra as Alterações Climática são dos mais avançados, corre o risco de retroceder com a aprovação de um novo plano de construção de centrais a carvão. James Hansen, cientista reconhecido no estudo das AC, escreve ao Primeiro-Ministro Britânico, Gordon Brown, apelando à sua liderança, tendo em conta as responsabilidades históricas da Grã-Bretanha. A carta na íntegra. Aqui a versão com o anexo referido na carta.
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terça-feira, dezembro 18, 2007

Jared Diamond: o estado do ambiente no Mundo


Entrevista (texto e vídeo) dada à Scientific American. Aqui, recensão da obra de Diamond, "Colapso" pela Scientific American.
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segunda-feira, dezembro 17, 2007

Bali, o Nobel da Paz e Al Gore

Para quem está absolutamente convencido que Al Gore mereceu o prémio Nobel da Paz pelos seus esforços no combate às Alterações Climáticas, talvez reconsidere depois de ler este texto de George Monbiot.
Neste texto (traduzido), Monbiot demonstra claramente o fracasso da Conferência de Bali sobre as Alterações Climáticas, chamando os bois pelos nomes.
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domingo, dezembro 16, 2007

Closing press briefing (15.12.07)

«However there was palpable disappointment with the huge concessions made to get America's agreement, mostly over lack of detail about any key pledges»

Ninguém quer admiti-lo, mas a verdade é que esta cimeira foi um fracasso, se tivermos em conta a urgência de começar a dar resposta ao problema (que tem associado processos com uma tremenda inércia, como sejam os investimentos em novas centrais a carvão, e todo uma série de investimentos nos transportes, habitação, energia, etc., que uma vez realizados não podem ser facilmente revertidos) de forma objectiva e concreta não se limitando a declarações de intenções.

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Ban Ki-moon urges action on climate change (12.12.07)

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sexta-feira, dezembro 07, 2007

O que é o Progresso?

«When you warn people about the dangers of climate change, they call you a saint. When you explain what needs to be done to stop it, they call you a communist.»

George Monbiot, "What is Progress?" Ler mais...