sexta-feira, agosto 11, 2006

LÍBANO: A DESTRUIÇÃO DE UM PAÍS

Israel está há um mês a castigar todo um país de forma totalmente criminosa. Por muitas razões que Israel possa ter, e não tem muitas (ler carta de John Berger subscrita por Harold Pinter, Noam Chomsky, entre outros, dirigida à imprensa internacional; e ainda este texto da "The Christian Science Monitor" sobre a pretensa culpa do Hezbollah no iniciar deste conflito), a verdade é que se trata de uma luta absolutamente desigual e injusta para o povo libanês.
Como se pode ver neste mapa dos bombardeamentos ( actualizações do mapa aqui), Israel tem cometido verdadeiros crimes de guerra pelos quais deveria ser julgado.
Por muito simbólico que seja, subscreva a petição às Nações Unidas para a criação de um Tribunal Penal Internacional para Israel, à semelhança do que foi criado para a ex-Jugoslávia.
As condições de vida em Gaza e na Cisjordânia têm-se deteriorado, agora que as atenções estão voltadas para outro lado. Também existem organizações judaicas que estão contra esta guerra, como a Jewish Voice for Peace .
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sábado, agosto 05, 2006

Documentário online : a dependência do petróleo

Veja "online" o documentário "Oil Safari - A Travelogue of Addiction" em "Watch Documentary".
Este documentário baseia-se na obra do vencedor do Prémio Pulitzer PAUL SALOPEK : "A Tank of Gas , a World of Trouble"
Repare no contador de consumo de barris de petróleo nos EUA no canto superior esquerdo.
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PROTOCOLO DE ESGOTAMENTO DO PETRÓLEO: O LIVRO

A proposta para a implementação de um protocolo internacional que promova uma utilização mais racional de um recurso escasso e fundamental como é o petróleo foi lançada em livro. Visa esclarecer governos, empresas e cidadãos sobre as tremendas consequências do pico petrolífero para a civilização moderna. Aqui pode ler um excerto em português do Relatório feito para o Departamento da Energia dos EUA: "PEAKING OF WORLD OIL PRODUCTION:IMPACTS, MITIGATION, & RISK MANAGEMENT"
Cada pessoa pode dar a sua contribuição para a implementação deste protocolo. Veja como (em inglês)
«O Protocolo do Esgotamento do Petróleo (Oil Depletion Protocol) proporciona um caminho para o futuro. Ele foi redigido pela Association for the Study of Peak Oil (ASPO).
A ideia do Protocolo é essencialmente directa: países importadores de petróleo concordariam em reduzir as suas importações numa porcentagem anual ajustada (a Taxa de Esgotamento do Petróleo Mundial, World Oil Depletion Rate ), ao passo que os países exportadores concordariam em reduzir a sua taxa de exportações de acordo com a sua Taxa de Esgotamento nacional.
O conceito de Taxa de Esgotamento é talvez o aspecto técnico mais desafiador do Protocolo, apesar de ser fácil apreende-lo se se pensar um pouco. Cada país tem claramente uma dotação finita de petróleo dada pela natureza. Assim, quando o primeiro foi extraído, há consequentemente um a menos deixado para o futuro.
Aquilo que é deixado para o futuro consiste de dois elementos:
primeiro, quanto permanece em campos petrolíferos conhecidos, denominado Reservas Remanescentes (Remaining Reserves);
e segundo, quanto ainda há para ser descoberto no futuro (denominado Ainda por Descobrir, Yet-to-Find ).
Quanto é o Ainda por Descobrir pode ser razoavelmente estimado através da extrapolação da tendência de descobertas do passado.
A Taxa de Esgotamento é igual à quantidade anual actualmente a ser extraída dividida pelo total do Ainda por Produzir (Yet-to-Produce).
A Noruega é um país que relata estimativas de reservas excepcionalmente exactas. O total produzido até à data é de 18,5 mil milhões de barris (Gb), e 11,3 Gb permanecem em campos conhecidos, com cerca de 2 deixados por descobrir, o que dá um total arredondado de 32 Gb. Segue-se que 13,5 Gb restam por produzir. Em 2004, foram extraído 1,07 Gb, o que dá uma Taxa de Esgotamento de 7,9 por cento (1,07/13,5).
Deve ser enfatizado que as actuais estimativas de Reservas que estão no domínio público são grosseiramente inconfiáveis, e uma das finalidades do Protocolo é assegurar melhor informação. A Taxa de Esgotamento estimada para cada país, e finalmente para o Mundo como um todo, é sujeita a revisão quando se torna disponível melhor informação, mas a resultante correcção da Taxa de Esgotamento não será grande, provocando provavelmente uma variação de menos de um porcento. O Protocolo de Esgotamento exigiria aos importadores que reduzissem as suas importações de acordo com a Taxa Mundial de Esgotamento (que é de 2,5 porcento) a cada ano a fim de por a procura em equilíbrio com a oferta mundial. Tal como declarado antes, os exportadores reduziriam a sua produção de acordo com a sua Taxa de Esgotamento nacional. Assim, a Noruega reduziria a sua produção em 7,9 porcento a cada ano (a produção daquele país já está a declinar a uma taxa ainda mais elevada). A imposição sobre os países produtores não representa um grande fardo, uma vez que de qualquer forma poucos agora aumentam a sua taxa de produção, e muitos estão a experimentar produção declinante por razões puramente geológicas, como é o caso da Noruega e dos EUA. Concordar em produzir menos petróleo não inibiria a exploração porque novas descobertas reduziriam a Taxa de Esgotamento nacional, e isso permitiria uma taxa de exportação mais elevada do que seria o caso antes das mesmas. O principal impulso do Protocolo seria no sentido de exigir aos importadores que cortassem importações, mas a inclusão dos produtores nas disposições estimularia maior cooperação entre as duas facções. Qualquer produção nativa num país que fosse um importador líquido provavelmente não proporcionaria àquele país uma vantagem injusta, pois a produção dentro da maior parte dos países importadores já está a declinar a uma taxa mais alta do que a Taxa de Esgotamento Mundial. Como os importadores tratariam internamente da restrição de importação seria da sua própria competência (embora estratégias tanto para obter ofertas de combustíveis alternativos e para reduzir a procura por petróleo sem dúvida fossem necessárias).» in "Como evitar guerras petrolíferas, terrorismo e colapso económico" de Richard Heinberg
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quinta-feira, agosto 03, 2006

Energia Nuclear: uma análise multidisciplinar.

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"A Economia do Hidrogénio": uma miragem!

Existe uma tendência popular para desvalorizar as consequências do esgotamento das fontes de energia fósseis, como o petróleo ou o gás natural, baseada na crença que uma qualquer solução tecnológica virá inexoravelmente em nosso auxílio.
O hidrogénio é uma das "soluções" mais citadas. O problema é que o hidrogénio não é uma fonte de energia, mas apenas um "transportador" ("carrier") ou armazenador de energia. Isto porque o hidrogénio, apesar de ser um elemento muito abundante no universo, não existe em estado puro na Terra. Tem que ser extraído dos hidrocarbonetos como o gás natural ou da água (ler "O mito da economia do hidrogénio"), por um processo chamado electrólise, que requer o consumo de electricidade. Este processo implica grandes perdas de eficiência, como o demonstra o estudo "The Future of the Hydrogen Economy: Bright or Bleak?" . Embora o hidrogénio e as "fuel cells" possam ter aplicações pontuais interessantes, não parece que possam vir a constituir uma alternativa séria às fontes de energia fóssil.
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segunda-feira, julho 24, 2006

Finança Ética, exemplo da Noruega

O fundo de pensões do Governo Norueguês, um dos maiores do mundo fruto do rendimento do petróleo, decidiu penalizar as acções de companhias com práticas que violam direitos básicos dos trabalhadores, como a Wall-Mart, direitos humanos em geral, causam danos graves ao ambiente ou estão envolvidas na produção de armas nucleares ou minas terrestres.
A carteira do fundo está a ser avaliada de modo a desinvestir em empresas que não cumprem critérios éticos fundamentais. Um exemplo a seguir!
A notícia está aqui.
Para saber mais sobre finança ética, eis mais dois exemplos: o Banco "Banca Etica" , de Itália, e o "Triodos Bank" do Reino Unido.
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domingo, julho 23, 2006

A Globalização Económica será desejável? É melhor pensar duas vezes!

Numa conferência para o Pentágono intitulada "A crise energética chegou", o fundador do Banco de Investimentos Simmons & Company , especializado na indústria petrolífera, sugere que a globalização económica tem que ser revertida para fazer face ao desafio do esgotamento das energias fósseis. Uma agricultura mais próxima, ou dentro, das cidades, uma redução das deslocações diárias casa-trabalho, uma actividade produtiva em geral mais próxima do consumidor, para evitar o consumo excessivo de energia em transportes, são algumas das recomendações para enfrentar o agravamento da crise energética que se vislumbra no horizonte. Para uma análise desta posição ler este artigo .
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sábado, julho 22, 2006

AMBIENTE VS ECONOMIA

Nos últimos tempos tem aumentado o coro de protestos contra o ambiente como factor de bloqueio do desenvolvimento económico. O abandono do investimento na refinaria do Patrick de Barros por causa das emissões de CO2 levou o responsável da Agência Portuguesa para o Investimento , Basílio Horta, a reiniciar a polémica contra o Ambiente e, em particular, contra as quotas impostas a Portugal no quadro da negociação na União Europeia para o cumprimento do Protocolo de Quioto. Outra manifestação desta onda contra o Ambiente, mais prosaica, mas reveladora da falta de cultura de muitos dos nossos dirigentes, foi o apelo à pedrada contra os Inspectores do Ministério do Ambiente pelo insigne Presidente da Associação Nacional de Municípios.
Mas, quando falamos de Ambiente, estamos de facto a falar de quê? O Ambiente está inextrincavelmente ligado à Economia, pela simples razão de que o Ambiente é, no fundo, o nosso suporte de vida. E, sem vida, não há economia!
De facto, as Alterações Climáticas levantam problemas muito sérios à nossa, e a todas, as economias. Mas parece haver um equívoco quanto à origem do problema, como neste artigo de opinião de um ex-Secretário de Estado da Economia no Jornal de Negócios, que até sugere o fim de Quioto!
A verdade é que a Economia já está a sofrer (ver post "Alterações Climáticas e Seguradoras" de 13 de Julho) as consequências das Alterações Climáticas.
Felizmente, parece haver quem tenha bom senso, também nos meios empresariais, como é o caso deste artigo de Nuno Ribeiro da Silva, gestor e ex-Secretário de Estado da Energia, igualmente no Jornal de Negócios.
Mas, este desafio do Ambiente à Economia pode ser igualmente fonte de oportunidades, como sugere o relatório : A Will to Compete: a Competitive, Clever and Clean Europe.
Como diz a investigadora Constança Peneda, do INETI, num artigo de opinião no Diário Económico, algo tem de mudar na relação entre Economia e Ambiente em Portugal.
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segunda-feira, julho 17, 2006

NOVO AEROPORTO: MAIS UM PROJECTO DESASTROSO?

A projectada construção de um novo aeroporto de Lisboa na OTA é justificada, sobretudo, pela incapacidade da Portela de dar resposta ao crescente tráfego aéreo. O pressuposto de crescimento contínuo de tudo o que é variável económica funda-se num vício de análise que nunca põe em causa o modelo subjacente. Ora, assume cada vez mais importância uma questão que coloca sérias reservas a estas projecções exponenciais de crescimento de tráfego aéreo: o esgotamento progressivo do petróleo. A "newsletter" nº 67 de Julho de 2006 da ASPO Association for the Study of Peak Oil and Gas ou Associação para o Estudo do Pico do Petróleo e do Gás refere um artigo da Revista da Indústria Aeronáutica Internacional Airways intitulado "Peak Oil – The Collapse of Commercial Aviation" de Alex Kuhlman. O relatório "The Oil Crisis and its Impact on the Air Cargo Industry" do Institute for the Analysis of Global Security é igualmente revelador das dificuldades que aí vêm.

Este artigo e este outro parecem colocar bem o problema. A aviação comercial não poderá, portanto, crescer indefinidamente num contexto de esgotamento do petróleo, matéria-prima do querosene, daí que a construção de um grande novo aeroporto tenha que ser muito bem ponderada.


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quinta-feira, julho 13, 2006

ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS E SEGURADORAS


As consequências económicas das Alterações Climáticas já estão a fazer-se sentir e vão agravar-se. As Companhias Seguradoras são as mais directamente afectadas e são elas que transmitem a toda a economia os custos acrescidos resultantes de uma maior frequência de cheias, incêndios florestais, furacões, etc. (Ler noticia ao lado do Diário Económico). A empresa líder mundial em gestão de risco, Marsh, no Relatório Climate Change: Business Risks and Solutions aponta para esta realidade.
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DISTRIBUIÇÃO DAS RESERVAS DE PETRÓLEO


The world had 1.2 trillion barrels of proven oil reserves at the end of 2005, according to BP. If overall production continues at last year's rate, known oil will last for 41 years. But it will run out more slowly in some countries than in others. At today's extraction rate, Saudi Arabia's reserves, which account for more than a fifth of the world total, will last for 66 years.
Segundo esta estimativa publicada na revista "The Economist", às taxas de produção de 2005, as reservas de petróleo darão para mais 41 anos. Pode parecer que ainda são muitos anos, mas não são! Ainda por cima, em vastas regiões produtoras o petróleo esgotar-se-á muito antes, visto estar concentrado sobretudo no Médio Oriente, onde as tensões políticas e as amizades pelo Ocidente são o que se conhece. De modo que seria conveniente começar a fazer algo o mais cedo possível para reduzir a dependência das nossas sociedades em relação a esta fonte de energia. Antes que seja tarde e o colapso seja a única saída.
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PROTOCOLO SOBRE O ESGOTAMENTO DO PETRÓLEO; OIL DEPLETION PROTOCOL



Este protocolo propõe uma gestão racional e equilibrada da produção e consumo de petróleo, fomentando a cooperação e a transparência:

Considerando que a passagem da história tem registado um ritmo de mudança crescente, de modo que a procura por energia tem aumentado rapidamente em paralelo com a população mundial ao longo dos últimos 200 anos posteriores à Revolução Industrial;
Considerando que a oferta de energia exigida pela população mundial tem vindo principalmente do carvão e do petróleo, tendo sido formados quase sempre no passado geológico, e que tais recursos estão inevitavelmente sujeitos a esgotamento;
Considerando que o petróleo proporciona 90 por cento do combustível para os transportes, é essencial ao comércio e desempenha um papel crítico na agricultura, necessária para alimentar a expansão populacional;
Considerando que o petróleo está desigualmente distribuído sobre o Planeta por razões geológicas bem entendidas, com grande parte dele estando concentrado em cinco países junto ao Golfo Pérsico;
Considerando que todas as maiores províncias produtivas do Mundo já foram identificadas graças à tecnologia avançada e ao conhecimento geológico cada vez melhor, sendo agora evidente que as descobertas alcançaram um pico na década de 1960, apesar dos progressos tecnológicos e de uma pesquisa diligente;
Considerando que o pico passado da descoberta inevitavelmente conduz a um correspondente pico da produção durante a primeira década do século XXI, assumindo que não haja um declínio radical da procura; Considerando que o início do declínio deste recurso crítico afecta todos os aspectos da vida moderna, o que tem graves implicações políticas e geopolíticas;
Considerando que é adequado planear uma transição ordenada para o novo ambiente mundial de oferta de energia reduzida, tomando disposições para evitar o desperdício de energia, estimular a entrada de energias substitutas e estender o tempo de vida do petróleo remanescente;
Considerando que é desejável atender aos desafios que assomam no horizonte de uma maneira cooperativa e equitativa, assim como os relacionados com as preocupações da mudança climática, da estabilidade económica e financeira e das ameaças de conflitos para acesso a recursos críticos.
É PROPOSTO AGORA QUE
1- Seja convocada uma convenção de nações para considerar a questão tendo em vista concertar um Acordo com os seguintes objectivos:
a) evitar a especulação (profiteering) com a escassez, de modo a que os preços do petróleo possam permanecer num relacionamento razoável com o custo de produção;
b) permitir aos países pobres manterem as suas importações;
c) evitar desestabilizar fluxos financeiros decorrentes de preços excessivos de petróleo;
d) encorajar os consumidores a evitarem o desperdício;
e) estimular o desenvolvimento de energias alternativas.
2- Tal Acordo terá disposições com os seguintes contornos:
a) Nenhum país produzirá petróleo acima da sua actual Taxa de Esgotamento, sendo a mesma definida como produção anual como uma porcentagem da quantidade estimada deixada para produzir;
b) Cada país importador reduzirá as suas importações para atingir a actual Taxa Mundial de Esgotamento, deduzindo qualquer produção interna.
3- Disposições pormenorizadas cobrirão a definição das várias categorias de petróleo, isenções e qualificações, e os procedimentos científicos para a estimação da Taxa de Esgotamento.
4- Os países signatários cooperarão proporcionando informação sobre as suas reservas, permitindo auditoria técnica plena, a fim de que a Taxa de Esgotamento possa ser determinada com precisão.
5- Os países signatários terão o direito de recorrer quanto à avaliação da sua Taxa de Esgotamento no caso de alteração de circunstâncias.
VERSÃO EM INGLÊS
The Oil Depletion Protocol (As drafted by Dr. Colin J. Campbell)*


WHEREAS the passage of history has recorded an increasing pace of change, such that the demand for energy has grown rapidly in parallel with the world population over the past two hundred years since the Industrial Revolution;

WHEREAS the energy supply required by the population has come mainly from coal and petroleum, such resources having been formed but rarely in the geological past and being inevitably subject to depletion;

WHEREAS oil provides ninety percent of transport fuel, is essential to trade, and plays a critical role in the agriculture needed to feed the expanding population;

WHEREAS oil is unevenly distributed on the Planet for well-understood geological reasons, with much being concentrated in five countries bordering the Persian Gulf;

WHEREAS all the major productive provinces of the World have been identified with the help of advanced technology and growing geological knowledge, it being now evident that discovery reached a peak in the 1960s, despite technological progress and a diligent search;

WHEREAS the past peak of discovery inevitably leads to a corresponding peak in production during the first decade of the 21st Century, assuming no radical decline in demand;

WHEREAS the onset of the decline of this critical resource affects all aspects of modern life, such having grave political and geopolitical implications;

WHEREAS it is expedient to plan an orderly transition to the new World environment of reduced energy supply, making early provisions to avoid the waste of energy, stimulate the entry of substitute energies, and extend the life of the remaining oil;

WHEREAS it is desirable to meet the challenges so arising in a co-operative and equitable manner, such to address related climate change concerns, economic and financial stability, and the threats of conflicts for access to critical resources.

NOW IT IS PROPOSED THAT

A convention of nations shall be called to consider the issue with a view to agreeing an Accord with the following objectives:

• to avoid profiteering from shortage, such that oil prices may remain in reasonable relationship with production cost;

• to allow poor countries to afford their imports;

• to avoid destabilizing financial flows arising from excessive oil prices;

• to encourage consumers to avoid waste;

• to stimulate the development of alternative energies.

Such an Accord shall have the following outline provisions:

• The world and every nation shall aim to reduce oil consumption by at least the world depletion rate.

• No country shall produce oil at above its present depletion rate.

• No country shall import at above the world depletion rate.

• The depletion rate is defined as annual production as a percent of what is left (reserves plus yet-to-find).

• The preceding provisions refer to regular conventional oil—which category excludes heavy oils with cut-off of 17.5 API, deepwater oil with a cut-off of 500 meters, polar oil, gas liquids from gas fields, tar sands, oil shale, oil from coal, biofuels such as ethanol, etc.

Detailed provisions shall cover the definition of the several categories of oil, exemptions and qualifications, and the scientific procedures for the estimation of Depletion Rate.

The signatory countries shall cooperate in providing information on their reserves, allowing full technical audit, such that the Depletion Rate may be accurately determined.

The signatory countries shall have the right to appeal their assessed Depletion Rate in the event of changed circumstances.
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sábado, abril 22, 2006

ENERGIA NUCLEAR , OPÇÃO COM FUTURO?


O debate sobre a energia nuclear ganhou nova actualidade um pouco por todo o mundo, incluindo Portugal. O aumento do preço do petróleo e os receios quanto à segurança do abastecimento das fontes de energia convencionais (petróleo e gás natural), por um lado, e o problema das emissões de gases com efeito de estufa (GEE) associados às Alterações Climáticas, por outro, estão na origem deste ressurgimento.

Há um ponto prévio a ter em conta neste debate. Os recursos energéticos não são ilimitados e a sua utilização tem sempre alguma contrapartida. O recurso excessivo aos combustíveis fósseis está a conduzir às alterações climáticas, a energia nuclear produz resíduos que subsistem por milhares de anos, a construção de grandes barragens hidroeléctricas ou os biocombustíveis competem por terra arável com a produção alimentar, etc.
De facto, se não tomarmos consciência de que é necessário reduzir a intensidade energética e o consumo de recursos nas sociedades modernas, então todas as opções energéticas, incluindo a nuclear, serão porventura insuficientes para satisfazer a procura.

Neste contexto, os defensores da opção nuclear apresentam-na como uma alternativa segura, limpa e económica para responder às necessidades crescentes de energia nas próximas décadas.

Num estudo publicado em 2003 pelo MIT (1) intitulado “O Futuro da Energia Nuclear”, embora se defenda que a energia nuclear poderá contribuir para minorar o problema das emissões de GEE, também se diz que “Não encontrámos e, com base no conhecimento actual, não cremos ser realista esperar que venham a existir novas tecnologias de reactores e de ciclos de combustível que simultaneamente ultrapassem os problemas relativos ao custo, segurança, resíduos e proliferação”. Por exemplo, a opção tecnológica mais económica implica maiores riscos para a gestão dos resíduos a longo prazo.


A proliferação de resíduos acarreta um risco adicional, o do terrorismo internacional. Um relatório parlamentar britânico qualifica o risco de ataques terroristas “impressionante e alarmante”
Quanto à segurança, não parece haver dúvidas de que pouco evoluíu.
Do ponto de vista económico, tanto o estudo do MIT como o estudo da Shell sobre os cenários energéticos para 2050 (2) afirmam claramente que a energia nuclear não é competitiva com as fontes tradicionais num mercado liberalizado, ou seja, sem apoio estatal. É necessário ter em conta não apenas o investimento inicial, mas os custos de manutenção, os custos com o transporte, tratamento e armazenamento de resíduos, e ainda os custos com o desmantelamento ao fim de 40 a 60 anos. A energia nuclear seria competitiva apenas com uma internalização dos custos das emissões de CO2 que rondasse entre os 100-200 US$/tonelada (os valores actuais nas bolsas de transacção de carbono europeias rondam os 30 US$/tonelada). Esta circunstância, no entanto, também é válida para as fontes renováveis de geração de energia eléctrica, em que a eólica, por exemplo, já é competitiva com o gás natural, mesmo sem considerar a emissão de CO2.
O MIT afirma que melhorias nos custos da energia nuclear, embora plausíveis, não foram ainda provadas.
Uma qualidade atribuída ao nuclear, por oposição a algumas renováveis (a eólica, por exemplo) é a sua fiabilidade enquanto gerador de electricidade. O vento é instável e a energia eólica não é armazenável, ao passo que as centrais nucleares garantiriam um fluxo regular e fiável. No entanto, as necessidades de manutenção e a escassez de água (necessária para os reactores) em muitas regiões podem comprometer igualmente essa fiabilidade, como o provam as sete centrais permanentemente encerradas ao longo dos últimos dois anos em todo o mundo.
Finalmente, a questão da energia limpa e dos GEE. Como já vimos, a energia nuclear não é uma energia limpa. Os resíduos radioactivos representam um perigo permanente para a saúde pública ao longo de milhares de anos. Um destacado cientista britânico, baseado no relatório “Avoiding Dangerous Climate Change” (3), considera que uma concentração de 550 ppmv (4) (partes por milhão em volume) de CO2, que serve de base , por exemplo, para os cenários da Shell, acarretaria consequências catastróficas para os ecossistemas. A energia nuclear poderia contribuir para alguma redução na emissão de CO2, mas essa redução teria um impacto limitado (700 novos grandes reactores reduziriam em apenas 1/7 os GEE para estabilizar as emissões em 500 ppmv (5)) e a partir de certo limiar (que se prende com a mineração do urânio) essa vantagem poderia ser anulada por comparação com fontes de produção convencionais, como o gás natural(6). Por outro lado, estimativas oficiais prevêem um acréscimo de apenas 5% na produção de electricidade via nuclear até 2020 a nível mundial para um acréscimo de consumo que poderá ir até 75%. Até lá, pelo menos, outras respostas teriam que ser encontradas para o problema dos GEE.
É preciso sobretudo reduzir as emissões dos transportes e aí a energia nuclear nada adianta.
A conservação e eficiência energética têm que ser a principal aposta. A eficiência pode duplicar, simplesmente pela aplicação de tecnologias já existentes. Outros estudos sugerem uma melhoria por um factor de 4 ou mais. Sistemas de produção de energia eléctrica descentralizada, a antítese do nuclear, como a microgeração de energia (7) utilizando a eólica e o solar, entre outras, têm grande potencial e constituem já parte da estratégia energética, por exemlo, do Reino Unido. Os governos têm aqui um papel importante no sentido de estimular mudanças, através da I&D ou da fiscalidade.
Enfim, existem muitas opções bem mais sustentáveis que o nuclear. Por isso é importante promover o debate público e uma certa pedagogia quanto ao uso da energia.


  • 1 Instituto de Tecnologia de Massachusetts (EUA) “The Future of Nuclear Power” 2003

  • 2 Energy Needs, Choices and Possibilities, 2001

  • 3 Avoiding Dangerous Climate Change

  • 4 actualmente rondam os 379 ppmv, com as consequências que já se notam

  • 5 Worldwatch Institute

  • 6 Estudo sobre emissões de CO2 ligadas à produção de energia nuclear

  • 7 Estratégia para a Microgeração de Energia - Reino Unido

  • Artigo publicado originalmente no Jornal Esquerda nº 10, pág. 12 PDF
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    quarta-feira, março 01, 2006

    O Dólar: alicerce do Império Americano


    Todos os Impérios desenvolveram formas, mais ou menos sofisticadas, de tributarem as regiões por si dominadas, ou sob a sua área de influência. Do puro saque à utilização de mão-de-obra escrava, passando por regras de comércio desiguais impostas pela força até à aplicação de sistemas fiscais predadores. [Ver artigo]
    O Império Americano actual é de uma "espécie" bastante sofisticada, na medida em que, em geral, não depende de um domínio territorial ou económico directo. Funda o seu poder sobre o papel atribuído ao dólar nos Acordos de Bretton Woods de 1944, como base do sistema monetário internacional. Sob a égide deste acordo, o dólar serviu de âncora ao sistema de pagamentos internacionais, pela via da sua convertibilidade numa dada quantidade de ouro. Assente na hegemonia económica e político-miltar adquirida com o fim da Segunda Grande Guerra, o dólar tornou-se moeda de aceitação universal e seguiram-se os "Trinta Gloriosos Anos", caracterizados por forte crescimento económico e pelo "Estado do Bem-Estar" ("Welfare State").
    Em 1971, o Presidente Nixon acabou com a convertibilidade do dólar em ouro. A hegemonia do dólar, no entanto, subsistiu. Só que agora, sem a base material conferida pelo ouro. A gestão da política monetária dos EUA permitiu-lhe lançar na economia mundial uma enorme quantidade de dólares sem qualquer relação com a sua capacidade produtiva, o que se traduziu no enorme défice externo. Na prática, os EUA imprimiam papel (os dólares) e trocavam-nos por bens produzidos no resto do mundo. A aceitação da moeda americana como meio de pagamento universal, tornava-a uma reserva de valor. Era procurada e conservada. Isto implicava uma circulação cada vez maior de dólares fora dos EUA, sem nunca voltarem a este país de modo a reclamar a sua reconversão em algo de real, de substantivo. Nisto, em parte, se baseia o tributo. Os EUA compravam a crédito, a uma taxa de juro nula, décadas a fio, sem nunca terem necessidade de fazer grandes ajustamentos.
    Quando a convertibilidade com o ouro acabou, os EUA arranjaram outra forma de manter a fidelidade dos seus parceiros comerciais em relação ao dólar. Uma série de mercadorias vitais, e sobretudo o petróleo (aceitação do dólar como única moeda de pagamento pela Arábia Saudita e, logo, pela OPEP), passaram a ser denominadas e pagas em dólares por quem quer que as quisesse adquirir no mercado internacional. Sobretudo com os choques petrolíferos, isto consolidou a posição do dólar como moeda dominante.
    Com a criação do euro, este predomínio do dólar começou a ser ameaçado, e o espectro da inflação começou a pairar no horizonte da economia americana. Se, de repente, o euro substituisse o dólar, ainda que parcialmente, como reserva de valor à escala mundial, isso poderia implicar uma "enxurrada" de dólares no mercado cambial e sua consequente desvalorização, com a consequente perda de poder aquisitivo pela economia norte-americana. Era necessário, portanto, evitar a todo o custo que isso sucedesse. E o petróleo é uma peça fundamental. Não o petróleo em si, mas a moeda em que é comercializado. Quem tivesse a veleidade de vender o seu petróleo (sobretudo se se tratasse de um importante exportador) em troca de outra divisa que não o dólar, teria que ser impedido. Foi o que aconteceu ao Iraque!
    A indisposição dos EUA em relação à Venezuela e ao Irão tem, em boa medida, uma origem semelhante. Embora a questão nuclear tenha o seu peso na disputa do Irão com os EUA, o Irão tem projectada uma Bolsa de Petróleo [Ver discussão sobre importância deste assunto na disputa entre EUA e Irão neste artigo que detalha os mecanismos económicos deste relação , neste contra argumento fraco e neste mais sólido] que pretende concorrer com as de Nova Iorque e de Londres. O Irão tem ameaçado negociar em moedas que não apenas o dólar, o que , tratando-se do 4º maior produtor mundial de petróleo e 2º em reservas de gás natural, seria uma ameaça bem maior do que a do Iraque.
    A hegemonia económica dos EUA está assim ameaçada, e existe o risco de mais reacções irracionais, como se revelou a intervenção no Iraque, por parte dos EUA para manter a todo o custo o seu domínio económico predador e dissipador de recursos. No entanto, a prazo, isto obrigará os EUA a um ajustamento doloroso, que na realidade já está a acontecer. Se no fim deste processo, os EUA forem obrigados a uma maior temperança na utilização dos recursos energéticos, talvez isto possa compensar o facto de, por exemplo, não teram aderido ao Protocolo de Quioto.
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    sábado, fevereiro 25, 2006

    Poupança de Energia: sabia que....?

    Numa altura em que se fala muito de poupança de energia, seja por causa do esgotamento das fontes de energia fóssil (petróleo, gás natural, etc.), seja por causa do cumprimento das metas do Protocolo de Quioto e do problema associado das Alterações Climáticas. No momento, também, em que se volta a discutir a opção do nuclear, por pressão de interesses económicos muito particulares, seria útil antes de mais tomarmos consciência da dimensão do desperdício de energia nas sociedades industrializadas.

    Sabia que os aparelhos que são deixados em "standby" nas nossas casas, ou seja, que não são completamente desligados, tais como televisores, computadores, carregadores de telemóveis ligados à tomada, HI-FI´s, leitores de DVD´s, etc, são responsáveis por cerca de 10% do consumo residencial de energia eléctrica?
    Segundo este estudo conjunto da Agência Internacional de Energia (IEA) e da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico), organizações das quais Portugal faz parte, o consumo doméstico de energia eléctrica por aparelhos em "standby" é responsável, nos países membros da IEA, por uma média de 10% do total da procura residencial de energia eléctrica.
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    Os custos da Guerra do Iraque

    Os custos económicos (despesas dos EUA, sem contar a destruição provocada à economia iraquiana) desta guerra imoral e selvagem, para além do sofrimento humano, são gigantescos, como se pode ver no seguinte "link":
    OS CUSTOS DA GUERRA
    A comparação com os recursos necessários para fins sociais ou de ajuda internacional aumenta ainda mais o escândalo que é esta guerra.
    Estes custos são em primeira análise suportados pelos cidadãos norte-americanos, mas dada a hegemonia económica dos EUA no mundo, mais cedo ou mais tarde, todos nós acabaremos por pagar a factura, seja pela via da inflação, seja pela via de taxas de juro mais altas, ou de ambas! Ler mais...

    "A People´s History of the United States"


    Um extraordinário livro sobre a história dos EUA, em boa parte contada na 1ª pessoa pelos sujeitos da mesma. Uma visão diferente da América!

    O autor é Howard Zinn.

    www.peopleshistoryoftheus.com Ler mais...

    quarta-feira, novembro 09, 2005

    A Civilização do Petróleo

    A nossa Civilização Industrial é fundamentalmente fruto de um único recurso não renovável: o petróleo. Em última análise, praticamente tudo o que diz respeito à produção e consumo, seja de bens ou de serviços, depende do consumo de energia, cuja fonte fundamental tem sido o petróleo. As sociedades ocidentais tomaram como natural o consumo desenfreado de energia como se fosse inesgotável. Mas não é! Uma fé cega na tecnologia e no mercado descurou a prudência na utilização de recursos escassos, supondo um futuro milagre que nos proporcionaria com uma varinha mágica a solução para os nossos problemas energéticos. Esta situação, em vez de conduzir a estratégias de conservação e eficiência energética a nível global - com implicações na forma como organizamos as nossas cidades e o território em geral, os nossos transportes e a produção ( sobretudo nas mega cidades, mas também em países como Portugal, onde o centro de cidades como Lisboa se desertifica de povo e de comércio em benefício dos subúrbios, dos mega centros comerciais e de longos e intrincados eixos viários, forçando as deslocações) - continua a agravar-se com a paradoxal adopção do modelo ocidental pelas novas potências económicas emergentes como a China, o Brasil, a Índia, etc..
    O Mundo está a entrar numa fase em que se afiguram duas opções fundamentais: ou continuamos como até aqui com um resultado certo, o colapso da Civilização, ou invertemos drasticamente a organização das nossas sociedades e economia, ganhando tempo até estabilizarmos a população mundial, ao mesmo tempo que investimos mais em investigação para obtenção de energias alternativas.
    Os seguintes dados, retirados de um livro que provocou alguma agitação, merecem séria reflexão.
    (tradução livre)
    «Eis alguns factos salientes sobre a situação global do petróleo:

    • A dotação planetária total de petróleo líquido convencional não renovável era grosso modo de dois biliões de barris antes da humanidade começar a sua exploração. Desde meados do Séc. XIX até hoje, o mundo queimou cerca de um bilião de barris de petróleo, metade do total que jamais existiu, representando a parte mais fácil de obter e a de maior qualidade. A metade que resta inclui o petróleo mais díficil de obter, líquidos de menor qualidade, semisólidos e sólidos.
    • As descobertas de petróleo a nível global atingiram o seu pico em 1964 e têm seguido uma firme linha descendente desde então .

    • A taxa de utilização de petróleo acelerou tremendamente desde 1950. A explosiva taxa de crescimento da população mundial ocorreu em paralelo com as nossas taxas de utilização do petróleo ( na realidade, o petróleo permitiu a explosão populacional).

    • O mundo está agora a utilizar 27 mil milhões de barris de petróleo por ano. Se cada gota do bilião de barris remanescente pudesse ser extraído aos actuais rácios de custos e às actuais taxas de produção - o que é extremamente improvável - a totalidade da dotação existente duraria apenas mais uns 37 anos.

    • Na realidade, uma parte substancial da metade remanescente do petróleo mundial nunca será recuperável.
    • Após o pico de produção, a procura mundial excederá a capacidade mundial de produção de petróleo.
    • Após o pico de produção, o esgotamento prosseguirá a 2 a 6% ao ano, enquanto a população mundial continuará a aumentar (por algum tempo)
    • Mais de 60% do petróleo remanescente situa-se no Médio Oriente.
    • Os Estados Unidos possuem 3% das reservas de petróleo remanescente no mundo, mas consumem 25% da produção diária mundial.
    • Os Estados Unidos ultrapassaram o pico de produção em 1970 com a taxa anual de produção caindo para metade desde então - de cerca de 10 milhões de barris por dia em 1970 para pouco mais de 5 milhões em 2003.
    • O rácio da energia despendida pela indústria petrolífera dos EUA para retirar o petróleo do subsolo relativamente à energia produzida por esse mesmo petróleo caíu de 28:1 em 1916 para 2:1 em 2004 e continuará a cair.»

    in "The Long Emergency - Surviving the converging catastrophes of the twenty-first century"

    James Howard Kunstler

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    terça-feira, outubro 18, 2005

    Avian Influenza - Gripe Aviária

    A revista de divulgação científica "Science & Vie" na sua edição de Fevereiro de 2005 traça um cenário verdadeiramente assustador sobre as consequências que poderão advir de uma pandemia de gripe em resultado de uma mutação do vírus da gripe aviária. Os cientistas afirmam que é praticamente inevitável que, mais cedo ou mais tarde, essa mutação ocorra, permitindo o contágio de pessoa para pessoa. Por enquanto, a estirpe mais perigosa transmite-se unicamente dos animais para as pessoas em contacto muito próximo.
    Segundo a "Science & Vie", as autoridades francesas, por exemplo, estão a levar muito sério esta ameaça. Para ter uma ideia da potencial gravidade desta ameaça, o Instituto Nacional de Vigilância Sanitária francês estima, para o pior cenário, que tal pandemia poderia afectar entre 9 e 21 milhões de franceses, com uma taxa de mortalidade que poderia atingir 70%, ou 6,3 a 14,7 milhões de mortos!
    É importante que todos levem esta ameaça muito a sério, informando-se e sendo exigente com as autoridades. Esta será a melhor forma de evitar os piores cenários.
    No passado ocorreram gripes deste género, a mais grave em 1918, a chamada Gripe Espanhola. O impacto foi tal que alguns consideram que teve um papel fundamental no derrube de três impérios: Hohenzollerns na Alemanha, Habsburgos na Áustria e Romanovs na Rússia.
    Este tipo de gripe aviária é recorrente e os focos de propagação têm-se localizado no Extremo Oriente, em países como o Vietname, a China, etc. As condições sanitárias deficientes, a pobreza e o contacto directo com os animais facilitam o desenvolvimento e disseminação da doença. Este é um bom exemplo de como vivemos de facto num só mundo, um mundo muito integrado e interdependente.É também a prova de como a cooperação internacional é essencial.
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    quinta-feira, outubro 13, 2005

    O Planeta numa encruzilhada




    A edição especial de Setembro da "Scientific American" debruça-se sobre os caminhos que o Planeta Terra e a nossa Civilização Industrial têm pela frente: desde o Colapso, tema sobre o qual existe uma literatura "florescente", até àquele que soubermos construir de forma consciente e equilibrada. Os tópicos abordados poderão ser encontrados aqui
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    Os Limites do Crescimento

    Em 1972 foi publicado um livro que causou muita polémica e debate : "Os Limites do Crescimento". Este foi o resultado do trabalho de investigação realizado por uma equipa do Massachusetts Institute of Technology (MIT) coordenada por Donella Meadows, a pedido do Clube de Roma, uma associação informal de empresários, estadistas e cientistas.
    Basicamente, afirmou-se na altura que, ao ritmo do crescimento da população, da utilização de recursos naturais, da poluição, etc., por finais do Séc. XXI a Humanidade correria sérios riscos de sobrevivência. Muito se escreveu a desvalorizar os argumentos apresentados, frequentemente deturpando-os. Trinta anos depois surge uma segunda actualização daquela obra: "Limits to Growth - The 30-Year Update".
    A seguinte transcrição resume bem o que está em causa:

    « What the authors said in 1972:

    "If the present growth trends in world population, industrialization, pollution, food production, and resource depletion continue unchanged, the limits to growth in this planet will be reached sometime within the next 100 years. The most probable result will be a rather sudden and uncontrolled decline in both population and industrial capacity"

    How the critics responded:

    "With current and near current technology, we can support 15 billion people in the world at twenty thousand dollars per capita for a millennium - and that seems to be a very conservative statement."
    - Herman Kahn

    "The material conditions of life will continue to get better for most people, in most countries, most of the time, indefinitely. Within a century or two, all nations and most of humanity will be at or above today´s Western living standards."
    - Julian Simon

    The emerging consensus today:
    "Human beings and the natural world are on a collision course. Human activities inflict harsh and often irreversible damage on the environment and on critical resources. If not checked, many of our current practices put at serious risk the future that we wish for human society and the plant and animal kingdoms, and may so alter the living world that it will be unable to sustain life in the manner that we know. Fundamental changes are urgent if we are to avoid the collision our present course will bring about."
    - «"World Scientists" Warning to Humanity» signed by more than 1600 scientists, including 102 Nobel laureates, from 70 countries»
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    quinta-feira, outubro 06, 2005

    Ameaças à Segurança Alimentar

    Por segurança alimentar entende-se, não a segurança ou qualidade dos alimentos mas, a existência de alimentos suficientes para garantir o abastecimento da população mundial.
    A segurança alimentar tem vindo a enfrentar novas ameaças como sejam a redução da biodiversidade, as alterações climáticas, a erosão dos solos, a escassez de água, a prática de uma agricultura industrial, etc.
    No entanto existem formas de contrariar esta tendência:

    Ler: Cultivating Food Security
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    terça-feira, outubro 04, 2005

    Contra a Directiva Bolkestein


    Basicamente, esta directiva pretender liberalizar os serviços na Europa através do nivelamento por baixo dos salários, agravando ainda mais a desigualdade social. Na prática, um médico polaco ou um canalizador eslovaco desempregados nos seus países poderiam vir trabalhar para Portugal auferindo um salário equivalente ao do seus países de origem.
    Proteste subscrevendo a petição
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    quarta-feira, setembro 28, 2005

    Mapa de Portugal do Séc. XXII ?


    Será esta a nova configuração do país no início do Séc. XXII, devida ao aquecimento global?
    Talvez esta simulação seja exagerada, talvez não. Mas é uma simulação que mostra como poderia ser o centro do território português no ano 2100 se o nível das águas do mar subisse. Será que podemos mesmo desvalorizar esta hipótese, sobretudo quando vemos que pouco ou quase nada está a ser feito para combater as alterações climáticas?
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    terça-feira, setembro 27, 2005

    A Suécia


    Não existem sociedades perfeitas, é um facto. No entanto, algumas merecem especial atenção por aquilo que conseguem proporcionar aos seus cidadãos. A Suécia é certamente um desses casos. Embora não seja um país muito rico em termos do seu Produto Interno Bruto “per capita” traduzido em capacidade de poder de compra (20º lugar), figura no entanto na 6ª posição do Índice de Desenvolvimento Humano de 2005, publicado recentemente pelo Programa das Nacões Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). Este índice tem em consideração, para além do tradicional PIB “per capita”, indicadores de saúde e educação, proporcionando assim um retrato mais equilibrado do nível de desenvolvimento de um país.

    O que a situação da Suécia demonstra é que mais desenvolvimento social, um maior bem-estar não se obtém apenas e só com mais rendimento. A Suécia constitui também um modelo que tem incomodado os adeptos de um excessivo liberalismo económico, traduzido no chamado pensamento único do “Consenso de Washington”.
    Este artigo de um jornalista americano é uma descrição interessante da sociedade sueca, por oposição à sociedade americana, símbolo do mercado livre.
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    sexta-feira, setembro 09, 2005

    O Petróleo, outra vez!



    Pode parecer que o autor deste blog está obcecado com o petróleo, mas a verdade é que este tema está longe de ser uma matéria que deva preocupar apenas economistas ou engenheiros. O seguinte artigo , sobre o livro cuja capa aparece aqui ao lado, é bem revelador disso mesmo.

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    quarta-feira, setembro 07, 2005

    Os pés de barro da "Única Super Potência”

    Como dizia ontem na “Sky News” o ex-governador do Estado de Nova Iorque, Mario Cuomo, a reacção das autoridades americanas à catástrofe provocada pelo furacão Katrina revela o profundo desprezo da actual liderança nos EUA em relação aos deveres de Governo, ao dever de zelar pela segurança dos seus cidadãos, enfim, pelo dever de promover uma sociedade mais justa e equilibrada. Isto advém de uma ideologia ultra-liberal, tocando as raias da insanidade, que acredita ou diz acreditar que tudo, em última análise, pode ser resolvido pelo mercado. Na realidade, a ideologia encobre apenas a tentativa da apropriação por uma minoria dos recursos que deveriam ser geridos pelo Estado para o bem geral da comunidade. Exemplos desta prática não faltam, desde a utilização de mercenários na guerra do Iraque à tentativa de privatização total da Segurança Social, passando pela redução de impostos para os ricos. Há uma notável contradição com o discurso securitário a propósito da "guerra contra o terrorismo". Gastam-se milhares de milhões de dólares para se "proteger" os americanos dos terroristas, mas descuram-se os avisos sobre ameaças bem reais como aquela que agora se concretizou em Nova Orleães. Uma questão pode então levantar-se; não será o discurso securitário sobre o terrorismo apenas um bom pretexto para alcançar o tal objectivo da apropriação de recursos públicos por um grupo minoritário, nomeadamente através do reforço de verbas do orçamento para as indústrias de defesa e afins?
    Por outro lado, o Presidente americano parece-se cada vez mais, num certo sentido, com uma espécie de "Ayatollah" do Ocidente. Mais do que governar, apela constantemente à compaixão e à oração; uma das primeiras coisas que disse quando se anunciava o desastre foi para que se rezasse pelas vítimas. O Presidente Pastor! Felizmente, o unanimismo e a reverência em torno da figura do Presidente parece estar a ceder.
    A consequência de tudo isto, no entanto, é uma progressiva decadência da dita super potência. Sob a aparência de riqueza e incontestado domínio tecnológico, irrompe, para espanto de muitos, a miséria e a violência geralmente esquecidas pelos “media”. De repente, todos se apercebem de que, afinal, a linha entre a barbárie e a civilização é muito ténue e que o Estado tem um papel decisivo e insubstituível. Aliás, a classificação dos EUA em 10º lugar no Índice de Desenvolvimento Humano, medida mais abrangente do bem estar que inclui indicadores como a saúde e a educação, apesar de ter um dos maiores PIB "per capita", é também reveladora da crescente polarização da sociedade americana.
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    terça-feira, setembro 06, 2005

    Conheça o Mundo em que Vive

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    BURKINA FASO












    COLÔMBIA












    ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA












    UNIÃO EUROPEIA












    SOMÁLIA












    ANGOLA












    BRASIL












    CHINA
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    segunda-feira, setembro 05, 2005

    Participe nesta campanha

    Pressione os fabricantes de automóveis a participarem no esforço de redução de gases com efeito de estufa que provocam o aquecimento da atmosfera. Apesar das inovações tecnológicas, os construtores de automóveis continuam a resistir à introdução de padrões mais exigentes na emissão de poluentes Envie a mensagem aqui - TAKE ACTION Ler mais...

    domingo, setembro 04, 2005

    Portugal ajuda EUA com 2% das reservas petrolíferas

    É curioso que um país como o nosso, onde o preço da gasolina já aumentou mais de 25% só este ano, contribua para que o maior consumidor de gasolina do mundo (consome mais de 50% da produção mundial de gasolina!!!) prossiga o esbanjamento de energia. Apesar do desastre no Golfo, os EUA têm petróleo mais que suficiente para as suas necessidades vitais. Se calhar deviam era habituar-se a usarem menos o automóvel. Estamos a falar de um país onde o galão (3.785 litros) custa, em média, menos de três dólares, o que é considerado muito caro. Ou seja, os americanos pagam 63 cêntimos por litro, quando por cá já vai em 1.27 €uros! E em breve pagaremos muito mais! Precisamente devido ao aumento da procura dos EUA no mercado mundial. Ler mais...

    quinta-feira, setembro 01, 2005

    Corrupção e Desenvolvimento

    A corrupção é um forte entrave ao desenvolvimento. O economista do Banco Mundial Daniel Kaufmann no artigo "Dez mitos sobre governação e corrupção" diz que, por exemplo, Portugal poderia atingir os níveis de rendimento da Finlândia se houvesse uma estratégia de combate à corrupção:

    "We estimate that a country that improves its governance from a relatively low level to an average level could almost triple the income per capita of its population in the long term, and similarly reduce infant mortality and illiteracy".

    Ou seja, a longo prazo, um combate eficaz à corrupção e a melhoria da qualidade da governação em geral poderia conduzir a um aumento de quase o triplo no rendimento "per capita". Significativo! Ler mais...

    terça-feira, agosto 30, 2005

    Furacões

    A frequência e intensidade crescentes deste fenómeno na região das Caraíbas e Golfo do México, e no Pacífico Ocidental (designado nesta região por Tufão) poderão estar relacionadas com o aquecimento global (Ler artigo do Serviço Meteorológico EUA: Furacões e Aquecimento Global), nomeadamente com o aumento da temperatura dos oceanos.

    O número de furacões de intensidade máxima (escala de 1 a 5) tem aumentado, com consequências tremendas, não só em perdas humanas, mas também com prejuízos materiais que ameaçam inclusive a estabilidade do sistema financeiro e das economias em geral.
    Furacões como o Katrina, que afectou seriamente quatro Estados do sul dos EUA, poderão custar, só em termos de indemnizações pagas pelas companhias de seguros, 26 mil milhões de dólares. Os custos económicos totais poderão chegar aos 100 mil milhões de dólares (Actualização: poderão ultrapassar os 200 mil milhões de dólares, mais que o PIB português). E este não é o primeiro furacão da época a provocar graves danos. E provavelmente não será o último. Também a indústria petrolífera tem sido sucessivamente afectada por este fenómeno, interrompendo a produção e danificando as plataformas de exploração "off-shore".

    É por estas razões que as companhias de Resseguros levam muito a sério o problema do aquecimento global, visto estarem na linha da frente dos que assumem as perdas. Ver Muniche RE.
    No entanto, os custos destas catástrofes serão progressivamente repercutidos pela economia mundial, sobretudo pela via do aumento dos prémios. Segurar as plataformas petrolíferas, por exemplo, tenderá a ser mais caro.

    Para quem sugere que tomar medidas contra o aquecimento global tem elevados custos económicos, deverá pensar então nos custos económicos desse mesmo aquecimento global, traduzido, entre outros fenómenos, pela violência crescente dos furacões. Ler mais...

    quinta-feira, agosto 25, 2005

    Ásia: 600 000 000 de crianças sem comida, sem cuidados de saúde e sem casa



    Revela a Organização Não Governamental PLAN num relatório publicado há dias:
    Ver aqui

    Child poverty in Asia: new report launchedPress Release, 22 August 2005
    Despite Asia’s booming economy 600 million children - almost half the region’s 1.25 billion under-18s - are severely deprived of basic needs such as food, healthcare and shelter (compared with 265 million in sub-Saharan Africa). And over 350 million Asian children live in absolute poverty * according to a new report by Plan. Ler mais...

    quarta-feira, agosto 24, 2005

    Terrorismo Americano


    Robertson calls for assassination of Chavez
    Televangelist Pat Robertson
    has called for the assassination of Venezuelan President Hugo Chavez, calling him a "terrific danger" to the United States


    E "eles" ainda dizem que andam a combater o terrorismo; "eles" são na verdade, isso sim, os maiores terroristas.

    Pois, como o Chávez não lhes dá a exploração do petróleo de bandeja para eles continuarem a esbanjarem energia abjectamente e os outros que se lixem, é um perigo para a América, pois claro!

    Claro que não se trata de um membro do Governo, mas estes sacrílegos de extrema direita que ousam chamar-se cristãos têm muita influência nos círculos do poder!

    Mais em:
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    segunda-feira, agosto 22, 2005

    ECONOMIA: UM TORNADO NO HORIZONTE


    A integração da Economia Mundial é um facto. É por isso que a capa desta edição do "The Economist" sugere tempos agitados para a economia portuguesa no futuro próximo. Depois da febre bolsista, outra ainda maior se lhe seguiu, a especulação imobiliária. O fenómeno, de âmbito mundial, fruto de taxas de juro muito baixas, provocou aquilo que o Economist designa como a maior bolha especulativa da História. Nos EUA gerou uma sensação de enriquecimento que sustentou por mais algum tempo os altos níveis de consumo e endividamento. Quando os preços caírem, o que já começou a acontecer em alguns países, seguir-se-ão falências, queda do consumo e o próprio sistema bancário poderá mesmo enfrentar sérios problemas.
    Por cá, no entanto, só se fala de projectos megalómanos para os quais não temos dinheiro. Não nos estamos a prevenir minimamente! Ler mais...

    CAMPANHA PELO FIM DAS ARMAS NUCLEARES

    In the 60th Anniversary year of the US bombings of Hiroshima and Nagasaki, the Nuclear Non-Proliferation Treaty Review Conference met at the UN in New York City to discuss the fate of a treaty in serious disarray. The Mayors for Peace, led by Mayors of Hiroshima and Nagasaki have enrolled hundreds of mayors across the globe in the Emergency Campaign to Ban Nuclear Weapons. On May 1st, on the eve of the opening day of the NPT Review Conference, tens of thousands of people - including mayors, civic officials and citizens from around the globe - marched in the streets of New York City demanding the total abolition of nuclear weapons and the end of nuclear excuses for war.

    Para mais informação ver:

    http://www.abolitionnow.org/ Ler mais...

    domingo, agosto 21, 2005

    A INDÚSTRIA DOS INCÊNDIOS


    José Gomes Ferreira
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    A evidência salta aos olhos: o país está a arder porque alguém quer que ele arda. Ou melhor, porque muita gente quer que ele arda. Há uma verdadeira indústria dos incêndios em Portugal. Há muita gente a beneficiar, directa ou indirectamente, da terra queimada.

    José Gomes Ferreira Sub-director de Informação da SIC Notícias


    Oficialmente, continua a correr a versão de que não há motivações económicas para a maioria dos incêndios. Oficialmente continua a ser dito que as ocorrências se devem a negligência ou ao simples prazer de ver o fogo. A maioria dos incendiários seriam pessoas mentalmente diminuídas. Mas a tragédia não acontece por acaso. Vejamos: 1 - Porque é que o combate aéreo aos incêndios em Portugal é TOTALMENTE concessionado a empresas privadas, ao contrário do que acontece noutros países europeus da orla mediterrânica? Porque é que os testemunhos populares sobre o início de incêndios em várias frentes imediatamente após a passagem de aeronaves continuam sem investigação após tantos anos de ocorrências? Porque é que o Estado tem 700 milhões de euros para comprar dois submarinos e não tem metade dessa verba para comprar uma dúzia de aviões Cannadair? Porque é que há pilotos da Força Aérea formados para combater incêndios e que passam o Verão desocupados nos quartéis? Porque é que as Forças Armadas encomendaram novos helicópteros sem estarem adaptados ao combate a incêndios? Pode o país dar-se a esse luxo? 2 - A maior parte da madeira usada pelas celuloses para produzir pasta de papel pode ser utilizada após a passagem do fogo sem grandes perdas de qualidade. No entanto, os madeireiros pagam um terço do valor aos produtores florestais. Quem ganha com o negócio? Há poucas semanas foi detido mais um madeireiro intermediário na Zona Centro, por suspeita de fogo posto. Estranhamente, as autoridades continuam a dizer que não há motivações económicas nos incêndios... 3 - Se as autoridades não conhecem casos, muitos jornalistas deste país, sobretudo os que se especializaram na área do ambiente, podem indicar terrenos onde se registaram incêndios há poucos anos e que já estão urbanizados ou em vias de o ser, contra o que diz a lei. 4 - À redacção da SIC e de outros órgãos de informação chegaram cartas e telefonemas anónimos do seguinte teor: "enquanto houver reservas de caça associativa e turística em Portugal, o país vai continuar a arder". Uma clara vingança de quem não quer pagar para caçar nestes espaços e pretende o regresso ao regime livre. 5 - Infelizmente, no Norte e Centro do país ainda continua a haver incêndios provocados para que nas primeiras chuvas os rebentos da vegetação sejam mais tenros e atractivos para os rebanhos. Os comandantes de bombeiros destas zonas conhecem bem esta realidade. Há cerca de um ano e meio, o então ministro da Agricultura quis fazer um acordo com as direcções das três televisões generalistas em Portugal, no sentido de ser evitada a transmissão de muitas imagens de incêndios durante o Verão. O argumento era que, quanto mais fogo viam no ecrã, mais os incendiários se sentiam motivados a praticar o crime... Participei nessa reunião. Claro que o acordo não foi aceite, mas pessoalmente senti-me indignado. Como era possível que houvesse tantos cidadãos deste país a perder o rendimento da floresta - e até as habitações - e o poder político estivesse preocupado apenas com um aspecto perfeitamente marginal? Estranhamente, voltamos a ser confrontados com sugestões de responsáveis da administração pública no sentido de se evitar a exibição de imagens de todos os incêndios que assolam o país. Há uma indústria dos incêndios em Portugal, cujos agentes não obedecem a uma organização comum mas têm o mesmo objectivo - destruir floresta porque beneficiam com este tipo de crime. Estranhamente, o Estado não faz o que poderia e deveria fazer: 1 - Assumir directamente o combate aéreo aos incêndios o mais rapidamente possível. Comprar os meios, suspendendo, se necessário, outros contratos de aquisição de equipamento militar. 2 - Distribuir as forças militares pela floresta, durante todo o Verão, em acções de vigilância permanente. (Pelo contrário, o que tem acontecido são acções pontuais de vigilância e combate às chamas). 3 - Alterar a moldura penal dos crimes de fogo posto, agravando substancialmente as penas, e investigar e punir efectivamente os infractores 4 - Proibir rigorosamente todas as construções em zona ardida durante os anos previstos na lei. 5 - Incentivar a limpeza de matas, promovendo o valor dos resíduos, mato e lenha, criando centrais térmicas adaptadas ao uso deste tipo de combustível. 6 - E, é claro, continuar a apoiar as corporações de bombeiros por todos os meios. Com uma noção clara das causas da tragédia e com medidas simples mas eficazes, será possível acreditar que dentro de 20 anos a paisagem portuguesa ainda não será igual à do Norte de África. Se tudo continuar como está, as semelhanças físicas com Marrocos serão inevitáveis a breve prazo.

    José Gomes Ferreira Ler mais...

    POUPAR ÁGUA

    SECA: Quercus alerta para o que cada cidadão pode fazer

    A Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza, baseada no Programa Nacional para o Uso Eficiente da Água aprovado em Dezembro de 2001 vem contribuir para uma das componentes importantes a ter em conta no dia a dia da gestão de recursos hídricos e em particular em período de seca – a actuação dos cidadãos através de pequenas remodelações que podem efectuar em suas casas e através da mudança de comportamentos.
    Eficiência na gestão da água é imperativo ambientalOs recursos hídricos não são ilimitados e em situação de escassez a sua gestão deve ser ainda mais cuidada porque:- Uma maior eficiência corresponde obviamente a redução dos caudais captados e portanto a uma maior salvaguarda e segurança no abastecimento e salvaguarda dos recursos;- Corresponde a um interesse económico a nível nacional (poupança de água representa 0,64% do Produto Interno Bruto nacional);- Aumenta naturalmente a competitividade das empresas nos mercados nacional e internacional.- Uma maior racionalidade de investimentos, minimizando ou mesmo evitando em alguns casos a necessidade de ampliação e expansão dos sistemas de captação e tratamento de água;- Trata-se de um interesse económico ao nível dos cidadãos, na medida em que permite uma redução dos encargos com a utilização da água sem prejuízo da qualidade de vida;- Constitui uma obrigação de Portugal no âmbito da Directiva-Quadro da Água.O que podemos fazer?Autoclismos- Ajuste do autoclismo para o volume de descarga mínimo (quando aplicável);- Uso de descarga de menor volume, ou interrupção da descarga, para usos que não necessitem da descarga total (e.g. urina);- Colocação de lixo em balde apropriado a esse fim, evitando deitar lixo na bacia de retrete e a descarga associada;- Redução do volume de armazenamento (colocando garrafas, pequenas barragensplásticas, etc.), evitando no entanto usar objectos que se deteriorem ou que impeçam o bom funcionamento dos mecanismos;- Não efectuar descargas desnecessárias do autoclismo;- Reutilização de água de outros usos para lavagem da bacia de retrete (em situações de escassez);- Aquisição ou substituição de autoclismos, eventualmente associados a retretes específicas, mais eficientes.Chuveiros- Utilização preferencial do duche em alternativa ao banho de imersão;- Utilização de duches curtos, com um período de água corrente não superior a 5 minutos;- Fecho da água do duche durante o período de ensaboamento;- Em caso de opção pelo banho, utilização de apenas 1/3 do nível máximo da banheira;- Recolha da água fria corrente até chegar a água quente à torneira, para posterior rega de plantas ou lavagens na habitação (em situação de escassez);- Utilização de recipiente para certos usos (lavagem de vegetais, de mãos, etc.) e reutilização no autoclismo ou na rega consoante apropriado (em situação de escassez);- Adopção de um modelo com menor caudal sempre que for necessária a substituição de um chuveiro;- Utilização de torneiras misturadoras, monocomando ou termoestáticas, que permitem também diminuir o consumo por utilização já que permitem a redução do desperdício até a água ter a temperatura desejada (por eliminação do tempo de regulação da temperatura e facilidade de abertura e fecho).- Adaptação de dispositivos convencionais através da instalação de arejador, de redutor de pressão (anilha ou válvula) ou de válvula de seccionamento.Torneiras (lavatório, bidé, banheira e lava-loiça)- Minimização da utilização de água corrente para lavar ou descongelar alimentos (com utilização alternativa de alguidar), para lavagem de louça ou roupa (com alguidar), para escovar os dentes (com uso de copo ou fechando a torneira durante a escovagem), para fazer a barba (com água no lavatório ou com utilização alternativa de máquina eléctrica) ou lavar as mãos;- Verificação do fecho correcto das torneiras após o uso, não as deixando a pingar;- Utilização da menor quantidade de água possível para cozinhar os alimentos, usando alternativamente vapor, microondas ou panela de pressão (poupando água, vitaminas e melhorando o sabor);- Utilização de alguma água de lavagens, enxaguamento de roupa ou louça ou de duches (com pouco detergente) para outros usos, como sejam lavagens na casa e, por períodos limitados, em rega de plantas (também para encher autoclismos, desligando previamente as torneiras);- Utilização da água de cozer vegetais para confeccionar sopas ou para cozer outros vegetais (no frigorífico dura vários dias);- Sempre que necessária a substituição de uma torneira, optar por um modelo com menor caudal;- A utilização de dispositivos mais eficientes permite diminuir o consumo; entre os diferentes mecanismos existentes destacam-se as torneiras com maior ângulo de abertura do manípulo, com redutor de caudal, com dispositivo arejador, com dispositivo pulverizador, com fecho automático ou torneiras com comando electrónico; - Recurso a torneiras misturadoras, monocomando ou termoestáticas;- Adaptação de dispositivos convencionais através da instalação de arejador ou de redutor de pressão (anilha ou válvula).Máquinas de lavar roupa- Consulta das instruções do equipamento, particularmente no que se refere às recomendações relativas aos consumos de água, energia e detergente;- Utilização da máquina apenas com carga completa;- Não utilização de programas com ciclos desnecessários (e.g. pré-lavagem);- Selecção dos programas conducentes a menor consumo de água;- Regulação da máquina para a carga a utilizar e para o nível de água mínimo, se possuir regulador para esse fim;- Substituição de máquinas de lavar roupa no fim de vida por outras mais eficientes em termos de uso de água e energia e com maior flexibilidade para adaptação dos programas à necessidades de lavagem.Máquinas de lavar louça- Cumprimento das instruções do equipamento, particularmente no que refere às recomendações relativas aos consumos de água, energia e aditivos (detergente, sal e abrilhantador);- Utilização da capacidade total de carga sempre que possível;- Minimização do enxaguamento da louça antes de a colocar na máquina;- Não utilização de programas com ciclos desnecessários (e.g. enxaguamento);- Selecção de programas conducentes a menor consumo de água;- Regulação da máquina para a carga a utilizar e para o mínimo nível de água, se possuir regulador para esse fim;- Lavagem de louça na máquina em vez de a lavar à mão;- Limpeza regular dos filtros e remoção de depósitos;- Substituição de máquinas de lavar louça no fim de vida por outras mais eficientes em termos de uso de água e energia e com maior flexibilidade para adaptação dos programas à necessidades de lavagem.

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    Um só Mundo ; One World


    Um Só Mundo, A Ética da Globalização - Peter Singer


    O livro trata quatro grandes questões mundiais: as alterações climáticas, o papel da Organização Mundial do Comércio, os direitos humanos e a intervenção com fins humanitários, e a ajuda externa. Singer aborda cada uma destas questões fundamentais de uma perspectiva ética e apresenta alternativas à abordagem estadocêntrica que caracteriza actualmente a teoria e as relações internacionais. Em relação às alterações climáticas, por exemplo, o autor vê a questão ética como dizendo respeito a um recurso mundial comum - a capacidade da atmosfera para absorver gases residuais. De que parte deste recurso se devem apropriar os países desenvolvidos e que parte deve ser deixada aos países em vias de desenvolvimento? Relativamente à OMC, Singer pergunta se a organização permite que o comércio livre se sobreponha a todos os outros valores e passa em revista os dados que comprovam os que desmentem a ideia de que a globalização é benéfica para os pobres. Ao considerar os direitos humanos, o autor pergunta até que ponto podemos criar leis mundiais de protecção dos direitos humanos e quais deverão ser os critérios determinantes de uma intervenção quando estes direitos são violados. Por fim, Singer analisa as obrigações dos países ricos no auxílio dos países pobres.
    Colocando um desafio ousado às perspectivas limitadas e nacionalistas dos definidores de políticas, dos políticos e dos líderes dos Estados Unidos e de outros países, Singer apresenta pormenorizadamente uma forma prática de considerar as questões mundiais contemporâneas sob o prisma da ética.

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    Esgotamento dos Recursos


    Como evitar guerras petrolíferas, terrorismo e colapso económico

    Richard Heinberg
    Autor de Powerdown - Options and Actions for a Post-Carbon World (New Society Publishers 2004)

    Neste momento a maior parte das pessoas bem informadas está consciente de que a produção global de petróleo poderá atingir em breve o seu pico histórico, e de que as consequências provavelmente serão severas. Muitos países importantes na produção de petróleo (tais como os Estados Unidos, a Indonésia, o Irão) e algumas regiões inteiras (tal como o Mar do Norte) já ultrapassaram os seus máximos de produção. A cada ano, aproximadamente, mais um país atinge um plateau de produção ou principia o seu declínio terminal.

    Texto integral em:
    http://www.resistir.info/energia/heinberg_ago05.html Ler mais...

    Os limites do crescimento


    Uma segunda actualização do clássico "Os Limites do Crescimento" publicado em 1972 pelo Clube de Roma

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