segunda-feira, julho 24, 2006

Finança Ética, exemplo da Noruega

O fundo de pensões do Governo Norueguês, um dos maiores do mundo fruto do rendimento do petróleo, decidiu penalizar as acções de companhias com práticas que violam direitos básicos dos trabalhadores, como a Wall-Mart, direitos humanos em geral, causam danos graves ao ambiente ou estão envolvidas na produção de armas nucleares ou minas terrestres.
A carteira do fundo está a ser avaliada de modo a desinvestir em empresas que não cumprem critérios éticos fundamentais. Um exemplo a seguir!
A notícia está aqui.
Para saber mais sobre finança ética, eis mais dois exemplos: o Banco "Banca Etica" , de Itália, e o "Triodos Bank" do Reino Unido.
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domingo, julho 23, 2006

A Globalização Económica será desejável? É melhor pensar duas vezes!

Numa conferência para o Pentágono intitulada "A crise energética chegou", o fundador do Banco de Investimentos Simmons & Company , especializado na indústria petrolífera, sugere que a globalização económica tem que ser revertida para fazer face ao desafio do esgotamento das energias fósseis. Uma agricultura mais próxima, ou dentro, das cidades, uma redução das deslocações diárias casa-trabalho, uma actividade produtiva em geral mais próxima do consumidor, para evitar o consumo excessivo de energia em transportes, são algumas das recomendações para enfrentar o agravamento da crise energética que se vislumbra no horizonte. Para uma análise desta posição ler este artigo .
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sábado, julho 22, 2006

AMBIENTE VS ECONOMIA

Nos últimos tempos tem aumentado o coro de protestos contra o ambiente como factor de bloqueio do desenvolvimento económico. O abandono do investimento na refinaria do Patrick de Barros por causa das emissões de CO2 levou o responsável da Agência Portuguesa para o Investimento , Basílio Horta, a reiniciar a polémica contra o Ambiente e, em particular, contra as quotas impostas a Portugal no quadro da negociação na União Europeia para o cumprimento do Protocolo de Quioto. Outra manifestação desta onda contra o Ambiente, mais prosaica, mas reveladora da falta de cultura de muitos dos nossos dirigentes, foi o apelo à pedrada contra os Inspectores do Ministério do Ambiente pelo insigne Presidente da Associação Nacional de Municípios.
Mas, quando falamos de Ambiente, estamos de facto a falar de quê? O Ambiente está inextrincavelmente ligado à Economia, pela simples razão de que o Ambiente é, no fundo, o nosso suporte de vida. E, sem vida, não há economia!
De facto, as Alterações Climáticas levantam problemas muito sérios à nossa, e a todas, as economias. Mas parece haver um equívoco quanto à origem do problema, como neste artigo de opinião de um ex-Secretário de Estado da Economia no Jornal de Negócios, que até sugere o fim de Quioto!
A verdade é que a Economia já está a sofrer (ver post "Alterações Climáticas e Seguradoras" de 13 de Julho) as consequências das Alterações Climáticas.
Felizmente, parece haver quem tenha bom senso, também nos meios empresariais, como é o caso deste artigo de Nuno Ribeiro da Silva, gestor e ex-Secretário de Estado da Energia, igualmente no Jornal de Negócios.
Mas, este desafio do Ambiente à Economia pode ser igualmente fonte de oportunidades, como sugere o relatório : A Will to Compete: a Competitive, Clever and Clean Europe.
Como diz a investigadora Constança Peneda, do INETI, num artigo de opinião no Diário Económico, algo tem de mudar na relação entre Economia e Ambiente em Portugal.
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segunda-feira, julho 17, 2006

NOVO AEROPORTO: MAIS UM PROJECTO DESASTROSO?

A projectada construção de um novo aeroporto de Lisboa na OTA é justificada, sobretudo, pela incapacidade da Portela de dar resposta ao crescente tráfego aéreo. O pressuposto de crescimento contínuo de tudo o que é variável económica funda-se num vício de análise que nunca põe em causa o modelo subjacente. Ora, assume cada vez mais importância uma questão que coloca sérias reservas a estas projecções exponenciais de crescimento de tráfego aéreo: o esgotamento progressivo do petróleo. A "newsletter" nº 67 de Julho de 2006 da ASPO Association for the Study of Peak Oil and Gas ou Associação para o Estudo do Pico do Petróleo e do Gás refere um artigo da Revista da Indústria Aeronáutica Internacional Airways intitulado "Peak Oil – The Collapse of Commercial Aviation" de Alex Kuhlman. O relatório "The Oil Crisis and its Impact on the Air Cargo Industry" do Institute for the Analysis of Global Security é igualmente revelador das dificuldades que aí vêm.

Este artigo e este outro parecem colocar bem o problema. A aviação comercial não poderá, portanto, crescer indefinidamente num contexto de esgotamento do petróleo, matéria-prima do querosene, daí que a construção de um grande novo aeroporto tenha que ser muito bem ponderada.


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quinta-feira, julho 13, 2006

ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS E SEGURADORAS


As consequências económicas das Alterações Climáticas já estão a fazer-se sentir e vão agravar-se. As Companhias Seguradoras são as mais directamente afectadas e são elas que transmitem a toda a economia os custos acrescidos resultantes de uma maior frequência de cheias, incêndios florestais, furacões, etc. (Ler noticia ao lado do Diário Económico). A empresa líder mundial em gestão de risco, Marsh, no Relatório Climate Change: Business Risks and Solutions aponta para esta realidade.
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DISTRIBUIÇÃO DAS RESERVAS DE PETRÓLEO


The world had 1.2 trillion barrels of proven oil reserves at the end of 2005, according to BP. If overall production continues at last year's rate, known oil will last for 41 years. But it will run out more slowly in some countries than in others. At today's extraction rate, Saudi Arabia's reserves, which account for more than a fifth of the world total, will last for 66 years.
Segundo esta estimativa publicada na revista "The Economist", às taxas de produção de 2005, as reservas de petróleo darão para mais 41 anos. Pode parecer que ainda são muitos anos, mas não são! Ainda por cima, em vastas regiões produtoras o petróleo esgotar-se-á muito antes, visto estar concentrado sobretudo no Médio Oriente, onde as tensões políticas e as amizades pelo Ocidente são o que se conhece. De modo que seria conveniente começar a fazer algo o mais cedo possível para reduzir a dependência das nossas sociedades em relação a esta fonte de energia. Antes que seja tarde e o colapso seja a única saída.
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PROTOCOLO SOBRE O ESGOTAMENTO DO PETRÓLEO; OIL DEPLETION PROTOCOL



Este protocolo propõe uma gestão racional e equilibrada da produção e consumo de petróleo, fomentando a cooperação e a transparência:

Considerando que a passagem da história tem registado um ritmo de mudança crescente, de modo que a procura por energia tem aumentado rapidamente em paralelo com a população mundial ao longo dos últimos 200 anos posteriores à Revolução Industrial;
Considerando que a oferta de energia exigida pela população mundial tem vindo principalmente do carvão e do petróleo, tendo sido formados quase sempre no passado geológico, e que tais recursos estão inevitavelmente sujeitos a esgotamento;
Considerando que o petróleo proporciona 90 por cento do combustível para os transportes, é essencial ao comércio e desempenha um papel crítico na agricultura, necessária para alimentar a expansão populacional;
Considerando que o petróleo está desigualmente distribuído sobre o Planeta por razões geológicas bem entendidas, com grande parte dele estando concentrado em cinco países junto ao Golfo Pérsico;
Considerando que todas as maiores províncias produtivas do Mundo já foram identificadas graças à tecnologia avançada e ao conhecimento geológico cada vez melhor, sendo agora evidente que as descobertas alcançaram um pico na década de 1960, apesar dos progressos tecnológicos e de uma pesquisa diligente;
Considerando que o pico passado da descoberta inevitavelmente conduz a um correspondente pico da produção durante a primeira década do século XXI, assumindo que não haja um declínio radical da procura; Considerando que o início do declínio deste recurso crítico afecta todos os aspectos da vida moderna, o que tem graves implicações políticas e geopolíticas;
Considerando que é adequado planear uma transição ordenada para o novo ambiente mundial de oferta de energia reduzida, tomando disposições para evitar o desperdício de energia, estimular a entrada de energias substitutas e estender o tempo de vida do petróleo remanescente;
Considerando que é desejável atender aos desafios que assomam no horizonte de uma maneira cooperativa e equitativa, assim como os relacionados com as preocupações da mudança climática, da estabilidade económica e financeira e das ameaças de conflitos para acesso a recursos críticos.
É PROPOSTO AGORA QUE
1- Seja convocada uma convenção de nações para considerar a questão tendo em vista concertar um Acordo com os seguintes objectivos:
a) evitar a especulação (profiteering) com a escassez, de modo a que os preços do petróleo possam permanecer num relacionamento razoável com o custo de produção;
b) permitir aos países pobres manterem as suas importações;
c) evitar desestabilizar fluxos financeiros decorrentes de preços excessivos de petróleo;
d) encorajar os consumidores a evitarem o desperdício;
e) estimular o desenvolvimento de energias alternativas.
2- Tal Acordo terá disposições com os seguintes contornos:
a) Nenhum país produzirá petróleo acima da sua actual Taxa de Esgotamento, sendo a mesma definida como produção anual como uma porcentagem da quantidade estimada deixada para produzir;
b) Cada país importador reduzirá as suas importações para atingir a actual Taxa Mundial de Esgotamento, deduzindo qualquer produção interna.
3- Disposições pormenorizadas cobrirão a definição das várias categorias de petróleo, isenções e qualificações, e os procedimentos científicos para a estimação da Taxa de Esgotamento.
4- Os países signatários cooperarão proporcionando informação sobre as suas reservas, permitindo auditoria técnica plena, a fim de que a Taxa de Esgotamento possa ser determinada com precisão.
5- Os países signatários terão o direito de recorrer quanto à avaliação da sua Taxa de Esgotamento no caso de alteração de circunstâncias.
VERSÃO EM INGLÊS
The Oil Depletion Protocol (As drafted by Dr. Colin J. Campbell)*


WHEREAS the passage of history has recorded an increasing pace of change, such that the demand for energy has grown rapidly in parallel with the world population over the past two hundred years since the Industrial Revolution;

WHEREAS the energy supply required by the population has come mainly from coal and petroleum, such resources having been formed but rarely in the geological past and being inevitably subject to depletion;

WHEREAS oil provides ninety percent of transport fuel, is essential to trade, and plays a critical role in the agriculture needed to feed the expanding population;

WHEREAS oil is unevenly distributed on the Planet for well-understood geological reasons, with much being concentrated in five countries bordering the Persian Gulf;

WHEREAS all the major productive provinces of the World have been identified with the help of advanced technology and growing geological knowledge, it being now evident that discovery reached a peak in the 1960s, despite technological progress and a diligent search;

WHEREAS the past peak of discovery inevitably leads to a corresponding peak in production during the first decade of the 21st Century, assuming no radical decline in demand;

WHEREAS the onset of the decline of this critical resource affects all aspects of modern life, such having grave political and geopolitical implications;

WHEREAS it is expedient to plan an orderly transition to the new World environment of reduced energy supply, making early provisions to avoid the waste of energy, stimulate the entry of substitute energies, and extend the life of the remaining oil;

WHEREAS it is desirable to meet the challenges so arising in a co-operative and equitable manner, such to address related climate change concerns, economic and financial stability, and the threats of conflicts for access to critical resources.

NOW IT IS PROPOSED THAT

A convention of nations shall be called to consider the issue with a view to agreeing an Accord with the following objectives:

• to avoid profiteering from shortage, such that oil prices may remain in reasonable relationship with production cost;

• to allow poor countries to afford their imports;

• to avoid destabilizing financial flows arising from excessive oil prices;

• to encourage consumers to avoid waste;

• to stimulate the development of alternative energies.

Such an Accord shall have the following outline provisions:

• The world and every nation shall aim to reduce oil consumption by at least the world depletion rate.

• No country shall produce oil at above its present depletion rate.

• No country shall import at above the world depletion rate.

• The depletion rate is defined as annual production as a percent of what is left (reserves plus yet-to-find).

• The preceding provisions refer to regular conventional oil—which category excludes heavy oils with cut-off of 17.5 API, deepwater oil with a cut-off of 500 meters, polar oil, gas liquids from gas fields, tar sands, oil shale, oil from coal, biofuels such as ethanol, etc.

Detailed provisions shall cover the definition of the several categories of oil, exemptions and qualifications, and the scientific procedures for the estimation of Depletion Rate.

The signatory countries shall cooperate in providing information on their reserves, allowing full technical audit, such that the Depletion Rate may be accurately determined.

The signatory countries shall have the right to appeal their assessed Depletion Rate in the event of changed circumstances.
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sábado, abril 22, 2006

ENERGIA NUCLEAR , OPÇÃO COM FUTURO?


O debate sobre a energia nuclear ganhou nova actualidade um pouco por todo o mundo, incluindo Portugal. O aumento do preço do petróleo e os receios quanto à segurança do abastecimento das fontes de energia convencionais (petróleo e gás natural), por um lado, e o problema das emissões de gases com efeito de estufa (GEE) associados às Alterações Climáticas, por outro, estão na origem deste ressurgimento.

Há um ponto prévio a ter em conta neste debate. Os recursos energéticos não são ilimitados e a sua utilização tem sempre alguma contrapartida. O recurso excessivo aos combustíveis fósseis está a conduzir às alterações climáticas, a energia nuclear produz resíduos que subsistem por milhares de anos, a construção de grandes barragens hidroeléctricas ou os biocombustíveis competem por terra arável com a produção alimentar, etc.
De facto, se não tomarmos consciência de que é necessário reduzir a intensidade energética e o consumo de recursos nas sociedades modernas, então todas as opções energéticas, incluindo a nuclear, serão porventura insuficientes para satisfazer a procura.

Neste contexto, os defensores da opção nuclear apresentam-na como uma alternativa segura, limpa e económica para responder às necessidades crescentes de energia nas próximas décadas.

Num estudo publicado em 2003 pelo MIT (1) intitulado “O Futuro da Energia Nuclear”, embora se defenda que a energia nuclear poderá contribuir para minorar o problema das emissões de GEE, também se diz que “Não encontrámos e, com base no conhecimento actual, não cremos ser realista esperar que venham a existir novas tecnologias de reactores e de ciclos de combustível que simultaneamente ultrapassem os problemas relativos ao custo, segurança, resíduos e proliferação”. Por exemplo, a opção tecnológica mais económica implica maiores riscos para a gestão dos resíduos a longo prazo.


A proliferação de resíduos acarreta um risco adicional, o do terrorismo internacional. Um relatório parlamentar britânico qualifica o risco de ataques terroristas “impressionante e alarmante”
Quanto à segurança, não parece haver dúvidas de que pouco evoluíu.
Do ponto de vista económico, tanto o estudo do MIT como o estudo da Shell sobre os cenários energéticos para 2050 (2) afirmam claramente que a energia nuclear não é competitiva com as fontes tradicionais num mercado liberalizado, ou seja, sem apoio estatal. É necessário ter em conta não apenas o investimento inicial, mas os custos de manutenção, os custos com o transporte, tratamento e armazenamento de resíduos, e ainda os custos com o desmantelamento ao fim de 40 a 60 anos. A energia nuclear seria competitiva apenas com uma internalização dos custos das emissões de CO2 que rondasse entre os 100-200 US$/tonelada (os valores actuais nas bolsas de transacção de carbono europeias rondam os 30 US$/tonelada). Esta circunstância, no entanto, também é válida para as fontes renováveis de geração de energia eléctrica, em que a eólica, por exemplo, já é competitiva com o gás natural, mesmo sem considerar a emissão de CO2.
O MIT afirma que melhorias nos custos da energia nuclear, embora plausíveis, não foram ainda provadas.
Uma qualidade atribuída ao nuclear, por oposição a algumas renováveis (a eólica, por exemplo) é a sua fiabilidade enquanto gerador de electricidade. O vento é instável e a energia eólica não é armazenável, ao passo que as centrais nucleares garantiriam um fluxo regular e fiável. No entanto, as necessidades de manutenção e a escassez de água (necessária para os reactores) em muitas regiões podem comprometer igualmente essa fiabilidade, como o provam as sete centrais permanentemente encerradas ao longo dos últimos dois anos em todo o mundo.
Finalmente, a questão da energia limpa e dos GEE. Como já vimos, a energia nuclear não é uma energia limpa. Os resíduos radioactivos representam um perigo permanente para a saúde pública ao longo de milhares de anos. Um destacado cientista britânico, baseado no relatório “Avoiding Dangerous Climate Change” (3), considera que uma concentração de 550 ppmv (4) (partes por milhão em volume) de CO2, que serve de base , por exemplo, para os cenários da Shell, acarretaria consequências catastróficas para os ecossistemas. A energia nuclear poderia contribuir para alguma redução na emissão de CO2, mas essa redução teria um impacto limitado (700 novos grandes reactores reduziriam em apenas 1/7 os GEE para estabilizar as emissões em 500 ppmv (5)) e a partir de certo limiar (que se prende com a mineração do urânio) essa vantagem poderia ser anulada por comparação com fontes de produção convencionais, como o gás natural(6). Por outro lado, estimativas oficiais prevêem um acréscimo de apenas 5% na produção de electricidade via nuclear até 2020 a nível mundial para um acréscimo de consumo que poderá ir até 75%. Até lá, pelo menos, outras respostas teriam que ser encontradas para o problema dos GEE.
É preciso sobretudo reduzir as emissões dos transportes e aí a energia nuclear nada adianta.
A conservação e eficiência energética têm que ser a principal aposta. A eficiência pode duplicar, simplesmente pela aplicação de tecnologias já existentes. Outros estudos sugerem uma melhoria por um factor de 4 ou mais. Sistemas de produção de energia eléctrica descentralizada, a antítese do nuclear, como a microgeração de energia (7) utilizando a eólica e o solar, entre outras, têm grande potencial e constituem já parte da estratégia energética, por exemlo, do Reino Unido. Os governos têm aqui um papel importante no sentido de estimular mudanças, através da I&D ou da fiscalidade.
Enfim, existem muitas opções bem mais sustentáveis que o nuclear. Por isso é importante promover o debate público e uma certa pedagogia quanto ao uso da energia.


  • 1 Instituto de Tecnologia de Massachusetts (EUA) “The Future of Nuclear Power” 2003

  • 2 Energy Needs, Choices and Possibilities, 2001

  • 3 Avoiding Dangerous Climate Change

  • 4 actualmente rondam os 379 ppmv, com as consequências que já se notam

  • 5 Worldwatch Institute

  • 6 Estudo sobre emissões de CO2 ligadas à produção de energia nuclear

  • 7 Estratégia para a Microgeração de Energia - Reino Unido

  • Artigo publicado originalmente no Jornal Esquerda nº 10, pág. 12 PDF
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    quarta-feira, março 01, 2006

    O Dólar: alicerce do Império Americano


    Todos os Impérios desenvolveram formas, mais ou menos sofisticadas, de tributarem as regiões por si dominadas, ou sob a sua área de influência. Do puro saque à utilização de mão-de-obra escrava, passando por regras de comércio desiguais impostas pela força até à aplicação de sistemas fiscais predadores. [Ver artigo]
    O Império Americano actual é de uma "espécie" bastante sofisticada, na medida em que, em geral, não depende de um domínio territorial ou económico directo. Funda o seu poder sobre o papel atribuído ao dólar nos Acordos de Bretton Woods de 1944, como base do sistema monetário internacional. Sob a égide deste acordo, o dólar serviu de âncora ao sistema de pagamentos internacionais, pela via da sua convertibilidade numa dada quantidade de ouro. Assente na hegemonia económica e político-miltar adquirida com o fim da Segunda Grande Guerra, o dólar tornou-se moeda de aceitação universal e seguiram-se os "Trinta Gloriosos Anos", caracterizados por forte crescimento económico e pelo "Estado do Bem-Estar" ("Welfare State").
    Em 1971, o Presidente Nixon acabou com a convertibilidade do dólar em ouro. A hegemonia do dólar, no entanto, subsistiu. Só que agora, sem a base material conferida pelo ouro. A gestão da política monetária dos EUA permitiu-lhe lançar na economia mundial uma enorme quantidade de dólares sem qualquer relação com a sua capacidade produtiva, o que se traduziu no enorme défice externo. Na prática, os EUA imprimiam papel (os dólares) e trocavam-nos por bens produzidos no resto do mundo. A aceitação da moeda americana como meio de pagamento universal, tornava-a uma reserva de valor. Era procurada e conservada. Isto implicava uma circulação cada vez maior de dólares fora dos EUA, sem nunca voltarem a este país de modo a reclamar a sua reconversão em algo de real, de substantivo. Nisto, em parte, se baseia o tributo. Os EUA compravam a crédito, a uma taxa de juro nula, décadas a fio, sem nunca terem necessidade de fazer grandes ajustamentos.
    Quando a convertibilidade com o ouro acabou, os EUA arranjaram outra forma de manter a fidelidade dos seus parceiros comerciais em relação ao dólar. Uma série de mercadorias vitais, e sobretudo o petróleo (aceitação do dólar como única moeda de pagamento pela Arábia Saudita e, logo, pela OPEP), passaram a ser denominadas e pagas em dólares por quem quer que as quisesse adquirir no mercado internacional. Sobretudo com os choques petrolíferos, isto consolidou a posição do dólar como moeda dominante.
    Com a criação do euro, este predomínio do dólar começou a ser ameaçado, e o espectro da inflação começou a pairar no horizonte da economia americana. Se, de repente, o euro substituisse o dólar, ainda que parcialmente, como reserva de valor à escala mundial, isso poderia implicar uma "enxurrada" de dólares no mercado cambial e sua consequente desvalorização, com a consequente perda de poder aquisitivo pela economia norte-americana. Era necessário, portanto, evitar a todo o custo que isso sucedesse. E o petróleo é uma peça fundamental. Não o petróleo em si, mas a moeda em que é comercializado. Quem tivesse a veleidade de vender o seu petróleo (sobretudo se se tratasse de um importante exportador) em troca de outra divisa que não o dólar, teria que ser impedido. Foi o que aconteceu ao Iraque!
    A indisposição dos EUA em relação à Venezuela e ao Irão tem, em boa medida, uma origem semelhante. Embora a questão nuclear tenha o seu peso na disputa do Irão com os EUA, o Irão tem projectada uma Bolsa de Petróleo [Ver discussão sobre importância deste assunto na disputa entre EUA e Irão neste artigo que detalha os mecanismos económicos deste relação , neste contra argumento fraco e neste mais sólido] que pretende concorrer com as de Nova Iorque e de Londres. O Irão tem ameaçado negociar em moedas que não apenas o dólar, o que , tratando-se do 4º maior produtor mundial de petróleo e 2º em reservas de gás natural, seria uma ameaça bem maior do que a do Iraque.
    A hegemonia económica dos EUA está assim ameaçada, e existe o risco de mais reacções irracionais, como se revelou a intervenção no Iraque, por parte dos EUA para manter a todo o custo o seu domínio económico predador e dissipador de recursos. No entanto, a prazo, isto obrigará os EUA a um ajustamento doloroso, que na realidade já está a acontecer. Se no fim deste processo, os EUA forem obrigados a uma maior temperança na utilização dos recursos energéticos, talvez isto possa compensar o facto de, por exemplo, não teram aderido ao Protocolo de Quioto.
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    sábado, fevereiro 25, 2006

    Poupança de Energia: sabia que....?

    Numa altura em que se fala muito de poupança de energia, seja por causa do esgotamento das fontes de energia fóssil (petróleo, gás natural, etc.), seja por causa do cumprimento das metas do Protocolo de Quioto e do problema associado das Alterações Climáticas. No momento, também, em que se volta a discutir a opção do nuclear, por pressão de interesses económicos muito particulares, seria útil antes de mais tomarmos consciência da dimensão do desperdício de energia nas sociedades industrializadas.

    Sabia que os aparelhos que são deixados em "standby" nas nossas casas, ou seja, que não são completamente desligados, tais como televisores, computadores, carregadores de telemóveis ligados à tomada, HI-FI´s, leitores de DVD´s, etc, são responsáveis por cerca de 10% do consumo residencial de energia eléctrica?
    Segundo este estudo conjunto da Agência Internacional de Energia (IEA) e da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico), organizações das quais Portugal faz parte, o consumo doméstico de energia eléctrica por aparelhos em "standby" é responsável, nos países membros da IEA, por uma média de 10% do total da procura residencial de energia eléctrica.
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    Os custos da Guerra do Iraque

    Os custos económicos (despesas dos EUA, sem contar a destruição provocada à economia iraquiana) desta guerra imoral e selvagem, para além do sofrimento humano, são gigantescos, como se pode ver no seguinte "link":
    OS CUSTOS DA GUERRA
    A comparação com os recursos necessários para fins sociais ou de ajuda internacional aumenta ainda mais o escândalo que é esta guerra.
    Estes custos são em primeira análise suportados pelos cidadãos norte-americanos, mas dada a hegemonia económica dos EUA no mundo, mais cedo ou mais tarde, todos nós acabaremos por pagar a factura, seja pela via da inflação, seja pela via de taxas de juro mais altas, ou de ambas! Ler mais...

    "A People´s History of the United States"


    Um extraordinário livro sobre a história dos EUA, em boa parte contada na 1ª pessoa pelos sujeitos da mesma. Uma visão diferente da América!

    O autor é Howard Zinn.

    www.peopleshistoryoftheus.com Ler mais...

    quarta-feira, novembro 09, 2005

    A Civilização do Petróleo

    A nossa Civilização Industrial é fundamentalmente fruto de um único recurso não renovável: o petróleo. Em última análise, praticamente tudo o que diz respeito à produção e consumo, seja de bens ou de serviços, depende do consumo de energia, cuja fonte fundamental tem sido o petróleo. As sociedades ocidentais tomaram como natural o consumo desenfreado de energia como se fosse inesgotável. Mas não é! Uma fé cega na tecnologia e no mercado descurou a prudência na utilização de recursos escassos, supondo um futuro milagre que nos proporcionaria com uma varinha mágica a solução para os nossos problemas energéticos. Esta situação, em vez de conduzir a estratégias de conservação e eficiência energética a nível global - com implicações na forma como organizamos as nossas cidades e o território em geral, os nossos transportes e a produção ( sobretudo nas mega cidades, mas também em países como Portugal, onde o centro de cidades como Lisboa se desertifica de povo e de comércio em benefício dos subúrbios, dos mega centros comerciais e de longos e intrincados eixos viários, forçando as deslocações) - continua a agravar-se com a paradoxal adopção do modelo ocidental pelas novas potências económicas emergentes como a China, o Brasil, a Índia, etc..
    O Mundo está a entrar numa fase em que se afiguram duas opções fundamentais: ou continuamos como até aqui com um resultado certo, o colapso da Civilização, ou invertemos drasticamente a organização das nossas sociedades e economia, ganhando tempo até estabilizarmos a população mundial, ao mesmo tempo que investimos mais em investigação para obtenção de energias alternativas.
    Os seguintes dados, retirados de um livro que provocou alguma agitação, merecem séria reflexão.
    (tradução livre)
    «Eis alguns factos salientes sobre a situação global do petróleo:

    • A dotação planetária total de petróleo líquido convencional não renovável era grosso modo de dois biliões de barris antes da humanidade começar a sua exploração. Desde meados do Séc. XIX até hoje, o mundo queimou cerca de um bilião de barris de petróleo, metade do total que jamais existiu, representando a parte mais fácil de obter e a de maior qualidade. A metade que resta inclui o petróleo mais díficil de obter, líquidos de menor qualidade, semisólidos e sólidos.
    • As descobertas de petróleo a nível global atingiram o seu pico em 1964 e têm seguido uma firme linha descendente desde então .

    • A taxa de utilização de petróleo acelerou tremendamente desde 1950. A explosiva taxa de crescimento da população mundial ocorreu em paralelo com as nossas taxas de utilização do petróleo ( na realidade, o petróleo permitiu a explosão populacional).

    • O mundo está agora a utilizar 27 mil milhões de barris de petróleo por ano. Se cada gota do bilião de barris remanescente pudesse ser extraído aos actuais rácios de custos e às actuais taxas de produção - o que é extremamente improvável - a totalidade da dotação existente duraria apenas mais uns 37 anos.

    • Na realidade, uma parte substancial da metade remanescente do petróleo mundial nunca será recuperável.
    • Após o pico de produção, a procura mundial excederá a capacidade mundial de produção de petróleo.
    • Após o pico de produção, o esgotamento prosseguirá a 2 a 6% ao ano, enquanto a população mundial continuará a aumentar (por algum tempo)
    • Mais de 60% do petróleo remanescente situa-se no Médio Oriente.
    • Os Estados Unidos possuem 3% das reservas de petróleo remanescente no mundo, mas consumem 25% da produção diária mundial.
    • Os Estados Unidos ultrapassaram o pico de produção em 1970 com a taxa anual de produção caindo para metade desde então - de cerca de 10 milhões de barris por dia em 1970 para pouco mais de 5 milhões em 2003.
    • O rácio da energia despendida pela indústria petrolífera dos EUA para retirar o petróleo do subsolo relativamente à energia produzida por esse mesmo petróleo caíu de 28:1 em 1916 para 2:1 em 2004 e continuará a cair.»

    in "The Long Emergency - Surviving the converging catastrophes of the twenty-first century"

    James Howard Kunstler

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    terça-feira, outubro 18, 2005

    Avian Influenza - Gripe Aviária

    A revista de divulgação científica "Science & Vie" na sua edição de Fevereiro de 2005 traça um cenário verdadeiramente assustador sobre as consequências que poderão advir de uma pandemia de gripe em resultado de uma mutação do vírus da gripe aviária. Os cientistas afirmam que é praticamente inevitável que, mais cedo ou mais tarde, essa mutação ocorra, permitindo o contágio de pessoa para pessoa. Por enquanto, a estirpe mais perigosa transmite-se unicamente dos animais para as pessoas em contacto muito próximo.
    Segundo a "Science & Vie", as autoridades francesas, por exemplo, estão a levar muito sério esta ameaça. Para ter uma ideia da potencial gravidade desta ameaça, o Instituto Nacional de Vigilância Sanitária francês estima, para o pior cenário, que tal pandemia poderia afectar entre 9 e 21 milhões de franceses, com uma taxa de mortalidade que poderia atingir 70%, ou 6,3 a 14,7 milhões de mortos!
    É importante que todos levem esta ameaça muito a sério, informando-se e sendo exigente com as autoridades. Esta será a melhor forma de evitar os piores cenários.
    No passado ocorreram gripes deste género, a mais grave em 1918, a chamada Gripe Espanhola. O impacto foi tal que alguns consideram que teve um papel fundamental no derrube de três impérios: Hohenzollerns na Alemanha, Habsburgos na Áustria e Romanovs na Rússia.
    Este tipo de gripe aviária é recorrente e os focos de propagação têm-se localizado no Extremo Oriente, em países como o Vietname, a China, etc. As condições sanitárias deficientes, a pobreza e o contacto directo com os animais facilitam o desenvolvimento e disseminação da doença. Este é um bom exemplo de como vivemos de facto num só mundo, um mundo muito integrado e interdependente.É também a prova de como a cooperação internacional é essencial.
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    quinta-feira, outubro 13, 2005

    O Planeta numa encruzilhada




    A edição especial de Setembro da "Scientific American" debruça-se sobre os caminhos que o Planeta Terra e a nossa Civilização Industrial têm pela frente: desde o Colapso, tema sobre o qual existe uma literatura "florescente", até àquele que soubermos construir de forma consciente e equilibrada. Os tópicos abordados poderão ser encontrados aqui
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    Os Limites do Crescimento

    Em 1972 foi publicado um livro que causou muita polémica e debate : "Os Limites do Crescimento". Este foi o resultado do trabalho de investigação realizado por uma equipa do Massachusetts Institute of Technology (MIT) coordenada por Donella Meadows, a pedido do Clube de Roma, uma associação informal de empresários, estadistas e cientistas.
    Basicamente, afirmou-se na altura que, ao ritmo do crescimento da população, da utilização de recursos naturais, da poluição, etc., por finais do Séc. XXI a Humanidade correria sérios riscos de sobrevivência. Muito se escreveu a desvalorizar os argumentos apresentados, frequentemente deturpando-os. Trinta anos depois surge uma segunda actualização daquela obra: "Limits to Growth - The 30-Year Update".
    A seguinte transcrição resume bem o que está em causa:

    « What the authors said in 1972:

    "If the present growth trends in world population, industrialization, pollution, food production, and resource depletion continue unchanged, the limits to growth in this planet will be reached sometime within the next 100 years. The most probable result will be a rather sudden and uncontrolled decline in both population and industrial capacity"

    How the critics responded:

    "With current and near current technology, we can support 15 billion people in the world at twenty thousand dollars per capita for a millennium - and that seems to be a very conservative statement."
    - Herman Kahn

    "The material conditions of life will continue to get better for most people, in most countries, most of the time, indefinitely. Within a century or two, all nations and most of humanity will be at or above today´s Western living standards."
    - Julian Simon

    The emerging consensus today:
    "Human beings and the natural world are on a collision course. Human activities inflict harsh and often irreversible damage on the environment and on critical resources. If not checked, many of our current practices put at serious risk the future that we wish for human society and the plant and animal kingdoms, and may so alter the living world that it will be unable to sustain life in the manner that we know. Fundamental changes are urgent if we are to avoid the collision our present course will bring about."
    - «"World Scientists" Warning to Humanity» signed by more than 1600 scientists, including 102 Nobel laureates, from 70 countries»
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    quinta-feira, outubro 06, 2005

    Ameaças à Segurança Alimentar

    Por segurança alimentar entende-se, não a segurança ou qualidade dos alimentos mas, a existência de alimentos suficientes para garantir o abastecimento da população mundial.
    A segurança alimentar tem vindo a enfrentar novas ameaças como sejam a redução da biodiversidade, as alterações climáticas, a erosão dos solos, a escassez de água, a prática de uma agricultura industrial, etc.
    No entanto existem formas de contrariar esta tendência:

    Ler: Cultivating Food Security
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    terça-feira, outubro 04, 2005

    Contra a Directiva Bolkestein


    Basicamente, esta directiva pretender liberalizar os serviços na Europa através do nivelamento por baixo dos salários, agravando ainda mais a desigualdade social. Na prática, um médico polaco ou um canalizador eslovaco desempregados nos seus países poderiam vir trabalhar para Portugal auferindo um salário equivalente ao do seus países de origem.
    Proteste subscrevendo a petição
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    quarta-feira, setembro 28, 2005

    Mapa de Portugal do Séc. XXII ?


    Será esta a nova configuração do país no início do Séc. XXII, devida ao aquecimento global?
    Talvez esta simulação seja exagerada, talvez não. Mas é uma simulação que mostra como poderia ser o centro do território português no ano 2100 se o nível das águas do mar subisse. Será que podemos mesmo desvalorizar esta hipótese, sobretudo quando vemos que pouco ou quase nada está a ser feito para combater as alterações climáticas?
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    terça-feira, setembro 27, 2005

    A Suécia


    Não existem sociedades perfeitas, é um facto. No entanto, algumas merecem especial atenção por aquilo que conseguem proporcionar aos seus cidadãos. A Suécia é certamente um desses casos. Embora não seja um país muito rico em termos do seu Produto Interno Bruto “per capita” traduzido em capacidade de poder de compra (20º lugar), figura no entanto na 6ª posição do Índice de Desenvolvimento Humano de 2005, publicado recentemente pelo Programa das Nacões Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). Este índice tem em consideração, para além do tradicional PIB “per capita”, indicadores de saúde e educação, proporcionando assim um retrato mais equilibrado do nível de desenvolvimento de um país.

    O que a situação da Suécia demonstra é que mais desenvolvimento social, um maior bem-estar não se obtém apenas e só com mais rendimento. A Suécia constitui também um modelo que tem incomodado os adeptos de um excessivo liberalismo económico, traduzido no chamado pensamento único do “Consenso de Washington”.
    Este artigo de um jornalista americano é uma descrição interessante da sociedade sueca, por oposição à sociedade americana, símbolo do mercado livre.
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